Blog do Kolluna

Diz que ele é o "Pelé"

Diz que ele é o "Pelé"

John Lambie é um ex-zagueiro escocês que se tornou gerente de futebol após pendurar as chuteiras. Era conhecido por ser linha dura e seu amor por pombos e charutos. A sua passagem mais famosa no futebol rendeu até mesmo o título de um livro de citações de futebol: "Tell him is Pelé".

Num jogo da segunda divisão escocesa, o centroavante Colin McGlashan sofreu uma pancada na cabeça que o obrigou a sair de campo. O médico da equipe do Cardo Partick vendo a gravidade da contusão, dirigiu-se ao manager e disse: “- A coisa não é boa, chefe. O garoto sofreu um traumatismo. Nem se lembra quem é”.

Lambie foi curto e grosso na resposta: “- Ótimo. Diz que ele é o Pelé e manda ele voltar para o jogo”.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: As melhores histórias do futebol mundial (Sérgio Pereira)

John Watson e a aposta em Osterreichring

John Watson e a aposta em Osterreichring

Na semana em que o brasileiro foi surpreendido com a notícia que a TV Globo não mais vai transmitir as corridas de Fórmula 1, coisa que se acostumou a ver desde os anos 70, o Blog do Kolluna traz uma história genial que permanece ofuscada por um acidente grandioso e vive nos bastidores da disputa mais célebre de todos os tempos da F1. 

O ano era o de 1976, responsável pela intrépida disputa entre o inglês James Hunt e o austríaco Niki Lauda e que ao final teve o final feliz para Hunt, vencendo o campeonato mundial por 01 (um) ponto.

A temporada não somente foi atrativa pela briga entre os dois pilotos e as estratégias das escuderias MacLaren e Ferrari para conseguirem vantagem uma sobre a outra, mas também pela exploração da vida privada dos dois pilotos neste ano, quando se separaram de suas esposas, e, mais ainda, em razão da espantosa recuperação de Niki Lauda após o trágico acidente em Nurburgring (Alemanha) e que desfigurou o seu rosto em razão de queimaduras. Admiravelmente, o austríaco voltou a correr 42 dias após o desastre.

Mas, onde entra o título desta postagem nessa história? Coincidentemente, a primeira corrida após o acidente de Lauda foi o Grande Prêmio da Áustria, seu país natal, e a Ferrari decidiu não deslocar seus carros para os Alpes Austríacos, deixando de fora a possibilidade dos seus pilotos lutarem pelo triunfo na prova.

No ano anterior, exatamente naquele circuito, a equipe Penske tinha perdido o piloto e um dos sócios da escuderia, o norte-americano Mark Donohue, amigo pessoal do piloto irlandês John Watson. Em 1976, Watson, que cultivava espessa barba, era o único piloto da Penske na temporada. Havia conquistado dois terceiros lugares e, para aquela corrida, tinha garantido um lugar na primeira fila, atrás apenas de Hunt, que fez a pole.

“Osterreichring é um circuito especial e o acidente com Mark ainda estava na memória da equipe. Seria tristemente irônico vencer no mesmo local onde o time perdeu Mark. Então, ao descer do carro, após confirmado o lugar na primeira fila, eu falei para o Roger (Penske), dono da escuderia, que rasparia minha vasta barba se vencesse a corrida”, conta o irlandês.

Ao fim do grande prêmio, Watson com sua Penske-Ford foi o primeiro a receber a bandeira quadriculada. Foi a primeira vez que a equipe vencia um GP, sua primeira vitória e a primeira da Irlanda do Norte na F1. O francês Jacques Laffite (Ligier-Matra) e o sueco Gunnar Nilsson (Lotur-Ford) completaram o podium.

Durante a tradicional comemoração, alguns membros da equipe cobraram a promessa, mas Roger Penske nada falou ou mesmo cobrou qualquer atitude do piloto vencedor. À noite, voaram para Londres e combinaram uma reunião no outro dia, durante o café da manhã. Watson diz que, já no quarto do hotel, se olhou no espelho, passou a espuma sobre a barba, preparou a navalha e raspou o rosto.  

De manhã, desceu para o café antes de Roger e de Heinz Hofer, o gerente da equipe. Estava no salão quando viu os dois lhe procurando.

Eu disse: “Roger, aqui”, sem levantar a mão.

Rindo, mas com uma ponta de emoção em sua fala, expôs Watson:

“Os dois ouviram a voz, mas não me reconheceram. Roger não achava que eu rasparia a barba, e eu não podia esperar melhor momento para tirar aquela coisa. A promessa foi cumprida. Para Roger. Para a Penske. E por Mike Donohue”.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: “Corrida para a Glória” (Tom Rubython); https://contosdaf1.wordpress.com/2016/05/04/austria-1976-watson-e-penske-uma-vitoria-por-donohue/

Gylmar e a superstição da camisa 13

Gylmar e a superstição da camisa 13

Em 1958, a seleção brasileira era um time pronto, confiante, experiente e que chegou a final da Copa após jogar com propriedade com Áustria, Inglaterra, URSS, País de Gales e França. A decisão foi com a Suécia, dona da casa, e teve que mudar o uniforme que era da mesma cor dos anfitriões, o que fez a direção da CBD ir atrás de um uniforme azul. O massagista Mário Américo e o roupeiro Assis vararam a madrugada retirando o símbolo da CBD das camisas originais para bordá-las no novo uniforme junto com a numeração.

Contudo, brasileiro é cismado e tem a tal da superstição. O time demonstrou preocupação com a troca de padrão, pois o amarelo estava dando certo e sorte. Então, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação, reuniu o grupo e, para estimular os jogadores, disse que jogaríamos elegantemente de azul, cor do manto de Nossa Senhora, como o goleiro Gylmar, que era o único que já usava aquela cor num tempo em que predominava o preto e o cinza para os arqueiros.  

E assim seguiram para o jogo. Mas, cada jogador tem a sua mandinga própria. Gylmar tinha mais de uma. Uma delas era ser o último a entrar no ônibus. Mesmo que fosse o primeiro a chegar no embarque esperava todo mundo subir para ocupar seu assento. A outra era que em todas as partidas ele havia usado uma camisa 13 por baixo de sua camisa oficial para aquecer-se do frio nórdico. O improviso no primeiro jogo fez a crendice se tornar obrigação. Mas, na inquietude da troca do uniforme, o goleiro esqueceu de pegar sua camisa da sorte. Buscou com o roupeiro outra camisa com o número 3 – que era o seu número oficial -, e colocou o número 1 ao lado, de esparadrapo, formando o 13 da sorte.     

O gol de Liedhom, abrindo o placar, parecia ter quebrado o feitiço, mas Didi buscou a bola no fundo do gol e seguiu com ela na mão, lentamente, até a grande lua para bater o centro. O time continuou a jogar normalmente e fez 4x1 e, no fim do jogo, 5x2.

Brasil campeão! E a revelação de que a mandinga da camisa 13 não era somente de Zagallo.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1 (Paulo Guilherme).

A curiosa numeração da seleção na Copa de 1958 e o incógnito benfeitor

A curiosa numeração da seleção na Copa de 1958 e o incógnito benfeitor

Àqueles mais observadores já notaram, nas turvas imagens em preto e branco dos jogos da Copa de 1958, a curiosa numeração das camisas dos atletas e que não são compatíveis com a posição que cada um exercia em campo.   

Garrincha com a camisa 11? Zagallo com a camisa 7? Didi, que no Botafogo usava a 8, vestiu a 6. Gilmar, na época do Corinthians, ganhou o número 3 na sua camisa de goleiro! O alvinegro Nilton Santos ficou com a 12.

O quarto-zagueiro Orlando, do Vasco, vestiu a 15, enquanto seu reserva, Zózimo, do Bangu, ficou com a 9, tradicionalmente usada pelos centroavantes, que em 1958 foram o vascaíno Vavá (20) e o palmeirense Mazzola (18).

Qual a razão dessa numeração ser diferente da convencional?

Zagallo não garante, mas tem uma explicação para a numeração dada às camisas na Copa da Suécia.

– Havia uma numeração nas malas com que viajamos. Lembro que me deram a mala com o número 7. A do Pelé era a 10. Os números das camisas seguiram os números das malas.

Por décadas, a antiga CBD manteve a versão de que a FIFA havia feito a imposição daquela esdrúxula numeração.    

A verdade é que coube a um uruguaio o enigma da numeração diferente: O Sr. Lorenzo J. Vilizio, então representante da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) no comitê organizador da FIFA.

A ficha de inscrição da seleção brasileira chegou incompleta ao comitê organizador, sem constar a numeração das camisas que os atletas usariam em campo, e aquilo poderia custar, pasmem, a eliminação da seleção antes mesmo da Copa começar.

Então o Sr Vilizio, em um gesto solidário com os irmãos sul-americanos, pegou sua caneta e saiu numerando os jogadores a sua maneira, sem usar qualquer critério. A rigor, só acertou dois números. Dino Sani (volante) com a 5 e Pepe (ponta-esquerda reserva) com a 22, pois embora Castilho usasse a numero 1, não foi o goleiro titular. Por outro lado, sem querer, ajudou a eternizar a mística da camisa 10.      

Segue o elenco campeão de 1958 e a diferente numeração de cada um:

Castilho (Fluminense) - Goleiro - 01

Bellini (Vasco) – Zagueiro – 02

Gilmar (Corinthians) – Goleiro – 03

Djalma Santos (Portuguesa) – Lateral – 04

Dino Sani (São Paulo) – Volante – 05

Didi (Botafogo) – Meia – 06

Zagallo (Flamengo) – Atacante – 07

Oreco (Corinthians) – Lateral – 08

Zózimo (Bangu) – Zagueiro – 09

Pelé (Santos) – Atacante – 10

Garrincha (Botafogo) – Atacante – 11

Nilton Santos (Botafogo) – Lateral – 12

Moacir (Flamengo) – Meia – 13

De Sordi (São Paulo) – Lateral – 14

Orlando (Vasco) – Zagueiro – 15

Mauro (São Paulo) – Lateral – 16

Joel (Flamengo) – Atacante – 17

Mazolla (Palmeiras) – Atacante – 18

Zito (Santos) – Volante – 19

Vavá (Vasco) – Atacante – 20

Dida (Flamengo) – Atacante – 21

Pepe (Santos) – Atacante - 22  

Créditos de informações e imagens para criação do texto: www.cbf.com.br; www.sambafoot.com; https://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/fj2906200827.htm

A exibição de Cruyff no Brasil em 1976

A exibição de Cruyff no Brasil em 1976

Em 1976, o Fluminense tinha como presidente o Juiz de Direito Francisco Horta, motivando o futebol carioca com o troca-troca entre jogadores com Flamengo, Vasco e Botafogo e criando uma nova forma de negociação entre as equipes.

Entretanto, em campo o Flu foi eliminado das finais da Taça Guanabara. Fora do primeiro turno do Carioca, Horta tratou de manter a animação do futebol cuidando de trazer o astro Johan Cruyff, então no Barcelona/ESP, para dois jogos de exibição no eixo Rio-São Paulo. A ideia eram dois amistosos entre combinados brasileiros e estrangeiros.

Feita a proposta ao holandês, este aceitou, mas fez exigências. Vinha com a esposa e mais três casais de amigos e de Concorde, última geração de aviões da Air France. O Fluminense era chamado de “A Máquina”, pelo belíssimo futebol apresentado e as estrelas no seu elenco. Horta foi à companhia aérea francesa e sugeriu a propaganda gratuita: "Viaje pela Air France: a máquina”. Recebeu os oito bilhetes de vinda e volta. Ligou para o proprietário do Hotel Nacional e conseguiu a cortesia para o casal Cruyff e 50% para os amigos.

Após a chegada, no comboio que levava as oito pessoas e mais os dirigentes que foram buscar o astro holandês, se percebeu que simpatia não seria o forte do casal durante a estada no país. A modelo internacional Tina, esposa de Cruyff, reclamou da favela da Maré ao deixar o Galeão. Já no Hotel Nacional, embora hospedados na melhor suíte, não gostaram dos aposentos, pois não tinha banheira. Exigiram ir para Copacabana e Horta teve que negociar com o Hotel Meridien para receber os holandeses.

O Brasil participava do Torneio Bicentenário dos EUA e as principais peças estavam a serviço da seleção. Os jogadores convocados para os jogos de exibição receberam um cachê bem inferior ao destinado a Johann Cruyff. Carlos Alberto Torres se negou a jogar na seleção Rio-São Paulo em face do valor a ser pago aos brasileiros, inferior aos estrangeiros. Justificou dizendo que o futebol brasileiro era o único tricampeão mundial e o jogador deveria valorizar-se.   

Na primeira partida (02.06), no Morumbi, Cruyff comandou o time de estrangeiros e abriu o placar com um chute da intermediária. A partida terminou em 1x1. Na segunda apresentação (06.06), no Maracanã, vitória dos brasileiros por 2x1 com gols de Rodrigues Neto e Ziza, enquanto Doval descontou para os de fora. Neste jogo, o holandês jogou somente o primeiro tempo e, no intervalo, correu para o Galeão para pegar o Concorde de volta. Foram 11 dias no Brasil, trinta mil dólares na bagagem e quase nenhum futebol a ser mostrado.

Mais explorado do que o mero passeio de Cruyff pelo Maracanã no segundo jogo foi a indignação da imprensa esportiva com o fato do combinado brasileiro ter jogado com uma réplica do uniforme oficial nacional, sem o escudo da CBD.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “O Maquinista” (Marcos Eduardo Neves); Jornal dos Sports; Jornal “O Globo”.

Algumas lembranças de Níldemes Antunes

Algumas lembranças de Níldemes Antunes

Níldemes Antunes de França nos deixou no último dia 30 de julho. Ele carregou por toda a vida o apelido de “Piolho”, pois ao tempo em que foi central de futebol de salão era considerado um marcador implacável. Foi atleta da chamada “bola pesada” numa época em que o esporte ganhou corpo em Natal e as pelejas jogadas no recém-inaugurado Palácio dos Esportes juntava gente para ver. Jogou no ABC, Bola Preta e Seleção do Rio Grande do Norte. Ainda enquanto atleta, começou o ofício de arbitrar partidas, seja na quadra, seja no campo. Como juiz de futebol e de futebol de salão apitou Jerns, Jurns, Jubs, mundial universitário em SP/1984, antigos campeonatos de praia, Copa Ruben Massud, Matutão, Copa Arizona, Campeonatos Estaduais e Brasileiros, Copa do Brasil das duas modalidades. Seu período no apito foi nas décadas de 1970 e 1980.

Como atleta, árbitro e mesmo após encerrar a carreira, gozou de grande prestígio junto à classe esportiva. Embora seja uma atividade onde tudo converge para que o juiz do jogo seja o alvo das mais severas críticas, Níldemes soube bem transitar e a lembrança que se tem dele, no mundo do esporte, era de ser um verdadeiro mediador, coerente, educado, neutro.

Contudo, não há um árbitro de futebol que não tenha se envolvido em uma polêmica. Isso é fato. Talvez a maior delas, em sua carreira, tenha sido em 25.04.1987, quando durante um ABC x Riachuelo, pelo Campeonato Estadual, acertou um soco no meio-campo Dedé de Dora (ABC). Justificou que agrediu primeiro para não ser agredido, uma vez que o atleta partiu para cima dele após ser expulso de campo. No mínimo, a situação ganhou contornos de curiosidade, haja vista que não é comum um árbitro tomar a iniciativa de iniciar um embate físico em campo.

Em outra ocasião, em 03.06.1982, às vésperas do Castelão completar seu décimo aniversário, Alecrim x Riachuelo jogaram pela abertura do 3º turno do Estadual. A imprensa da época teceu críticas por conta de dois pênaltis claros que não foram marcados contra o Alecrim. No dia seguinte, mostrando sua grandeza moral, Níldemes falou a Coluna “Numeradas”, do jornalista Everaldo Lopes (Diário de Natal), justificando o seu erro em razão da chuva intensa que caía naquela noite, o que prejudicou sua visão. “Não era o meu dia. Assumo meus erros”, disse prontamente.

Em maio/1984, expulsou de campo o lateral-direito Leandro (Flamengo), por ofensas morais, numa partida amistosa contra a Seleção do RN. O então técnico do time carioca, Cláudio Garcia, e o fisicultor José Roberto Francalacci entraram em campo para reclamar e Níldemes, incontinenti, “mandou os dois também para o chuveiro”. O Flamengo quis fazer drama e não voltar para o segundo tempo, mas, voltou, afinal, o árbitro não revolveu a sua decisão.    

No descortinar do ano de 1985, Níldemes, em atitude corajosa, enfrentou riscos e denunciou um suborno ocorrido durante um torneio interiorano promovido pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol de Salão da época, implicando na indicação de árbitros e dirigente envolvidos.

O que poucas pessoas sabem é que Níldemes Antunes de França, além de ex-jogador e árbitro de futebol de salão, também foi árbitro de basquete.

Após deixar as quadras e campos, trabalhou como administrador do Estádio Machadão e do Ginásio Palácio dos Esportes. Aliás, o ginásio “é a cara” de Níldemes.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Ribamar Cavalcante e Diário de Natal       

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