Blog do Kolluna

Eles foram para o chuveiro mais cedo

Eles foram para o chuveiro mais cedo

Em toda história de participações da seleção brasileira de futebol em Copas do Mundo, 11 (onze) jogadores foram para o chuveiro mais cedo.

Há de se considerar, porém, que oficialmente os cartões amarelo e vermelho somente foram instituídos na Copa do México, em 1970, e o primeiro vermelho foi aplicado na Copa de 1974, ao chileno Caszely. Porém, desde a primeira Copa os juízes estavam autorizados a expulsar os jogadores que, de alguma forma, desrespeitassem as regras dentro das quatro linhas.

Em relação aos jogadores brasileiros, em 1938, na Copa da França, Zezé Procópio e Machado foram expulsos no empate de 1x1 contra a TchecoEslováquia na partida considerada a mais violenta das Copas (dois jogadores tchecos saíram do campo para o hospital com fraturas na clavícula e perna). Em 1954, Nilton Santos e Humberto foram eliminados do jogo contra a Hungria, na “Batalha de Berna”, quando fomos derrotados por 4x2. Em 1962, Garrincha foi expulso na semifinal contra o Chile (4x2), mas o árbitro não relatou na súmula. O zagueiro Luiz Pereira foi o primeiro brasileiro a receber o cartão vermelho, em 1974, na derrota contra a Holanda (0x2). Uma nova expulsão somente viria a ocorrer em 1990, na derrota para a Argentina (0x1), com Ricardo Gomes. Na Copa seguinte, nos EUA, o lateral-esquerdo Leonardo foi expulso no jogo contra os donos da casa e vitória brasileira por 1x0. Um novo salto na história e apenas em 2002 outro jogador brasileiro foi mandado para o chuveiro mais cedo: Ronaldinho Gaúcho, contra a Inglaterra. Em 2010, o Brasil repetiu o feito de 1938 e 1954 e teve dois jogadores expulsos numa edição de Copa do Mundo. Kaká, na vitória contra Costa do Marfim e Felipe Melo, na eliminação contra a Holanda.   

A seleção brasileira é a recordista em expulsões em Copas do Mundo, seguida das seleções argentina e uruguaia, com 10 e 9 expulsões, respectivamente. 

Na foto que ilustra a postagem, Luiz Pereira é o 1º brasileiro a receber, oficialmente, o cartão vermelho em Copas do Mundo, aplicado pelo árbitro germânico Kurt Tshensher e sob os olhares de Roberto Rivelino, Johann Cruyff, Rudd Kroll e Arie Haan, ao fundo.         

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Revista Placar e  https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_cart%C3%B5es_vermelhos_na_Copa_do_Mundo_FIFA

O último jogo do "Furacão da Copa" pelo Botafogo foi na terra da scheelita

O último jogo do "Furacão da Copa" pelo Botafogo foi na terra da scheelita

No segundo semestre do ano de 1981, Jairzinho voltou ao Botafogo/RJ, com 37 anos, após temporada na Bolívia onde foi campeão e artilheiro pelo Jorge Willsterman.  Sua reestreia ocorreu num insosso 0x0 com o América, pelo Campeonato Estadual.

O garoto que começara como gandula em General Severiano ainda em 1958, que fora tricampeão juvenil em 1961/62/63 e nesse ano ingressara no elenco profissional e lá permaneceu até 1974, quando foi vendido para o futebol francês, retornava a sua casa para encerrar a carreira como jogador profissional.

Já não tinha mais a mesma velocidade que caracterizaram suas arrancadas e os dribles rápidos, mas a maturidade do veterano que conhece os atalhos do campo, sem precisar correr mais do que a bola.

Eliminado do icônico Campeonato Carioca de 1981, decidido por Flamengo x Vasco em uma série de 03 (três) jogos logo após a morte do treinador Cláudio Coutinho e que precedeu a conquista do título mundial pelo time rubro-negro, o Botafogo/RJ fez excursão pelo Rio Grande do Norte disputando 03 (três) jogos. No elenco, jovens jogadores que sempre eram lembrados nas convocações de Telê Santana para a seleção como o goleiro Paulo Sérgio, o lateral-direito Perivaldo e o meio-campo Rocha, além do craque Mendonça que, em 1993, abrilhantou o campeonato potiguar jogando pelo América. Porém, o nome mais expressivo era o de Jairzinho, “o Furacão da Copa”.

A série de jogos do “Glorioso” no RN começou com o Baraúnas, em Mossoró, partida que terminou empatada, sem gols, no dia 1º.12.1981 (terça-feira).

O segundo jogo foi no dia 03.12.1981 (quinta-feira), quando enfrentou o América que havia acabado de conquistar o tricampeonato Estadual. Essa partida representou o encerramento da temporada de jogos em Natal, servindo também para o Botafogo pôr a faixa de campeão no América e premiar os melhores da temporada. O gaúcho Norival (AME), foi o melhor jogador do Estadual/1981 e Sandoval (AME), o artilheiro com 14 gols. A partida terminou com a vitória alvirrubra por 1x0, gol do centroavante Miltão.

Com a desistência do Ceará/CE em realizar o amistoso antes acertado, o hoje deputado Luiz Antônio “Tomba” Farias, que à época era o diretor de futebol do Potyguar, assumiu a promoção e levou o amistoso para a terra da scheelita, sendo o “Fogão” a primeira e até hoje única equipe do RJ/SP a jogar na cidade, fazendo um jogo para ficar na história.  

Assim, no dia 06.12.1981, um domingo, dia destinado ao futebol, enquanto o Brasil inteiro aguardava a Rede Globo de Televisão transmitir a terceira e última partida da final do Campeonato Carioca, vencida pelo Flamengo por 2x1, no famoso jogo em que o ladrilheiro Roberto Passos Ferreira invadiu o gramado para esfriar uma possível reação cruzmaltina, a cidade de Currais Novos parou para receber o Botafogo de Futebol e Regatas jogar amistosamente contra o Potyguar.      

Como o Estádio Coronel José Bezerra ainda não tinha refletores, a partida foi iniciada às 15h para aproveitar a iluminação natural. Jogo de casa cheia, com grande torcida do alvinegro na região, tendo a organização do evento colocado cadeiras na lateral do campo e cobrado um valor mais alto para os que podiam pagar e estar mais próximos dos jogadores.

“Foi um jogo importante para a gente e jogamos com mais cuidado, mesmo sendo festa. E para mim em especial que estava diante do time que eu torço e do meu maior ídolo, que é Jairzinho”, lembra o goleiro Souza, revelando-se botafoguense. 

E em Currais Novos ocorreu a única vitória do Botafogo na breve excursão pelo Rio Grande do Norte. O Botafogo começou ganhando logo aos 33 segundos de jogo, com Mendonça aproveitando um cruzamento da esquerda e empurrando para o gol. A equipe da casa empatou aos 5 minutos, após grande jogada de Luciano driblando Perivaldo e o goleiro Paulo Sérgio, sobrando a bola para Dedé de Dora mandar para o gol, incendiando a torcida local. Porém, o “bigodudo” Jerson fez 2x1, aos 12 minutos, dando números finais ainda no primeiro tempo, embora o jogo tenha sido muito movimentado. 

Luciano, que naquele dia jogou de ponta-esquerda, foi escolhido o melhor em campo, recebendo um cheque e um moto-rádio.

“Eu fui escolhido pela imprensa como o melhor jogador da partida. Fiquei muito satisfeito com os presentes que ganhei. O pessoal daqui diz que eu dei uma canseira em Perivaldo”, diz sorrindo o jogador Luciano, que junto com Souza, Paulo, Jorge Calaça e Dedé de Dora eram os jogadores oriundos da Região Seridó. 

Porém, todos que estavam no estádio confirmam que uma falta cobrada pelo lateral-esquerdo Dato, tipo escanteio de mangas curtas, entrou, tendo Paulo Sérgio, à época convocado para a seleção brasileira, tirado a bola depois de ter passado da linha de gol. O árbitro Antonio Lira, por não ver a bola entrar, invalidou o gol.  

Ao longo de sua história o Potyguar recebeu outros clubes do futebol brasileiro em seus domínios, mas essa partida em especial tem todo um valor, seja porque foi o primeiro dos chamados grandes e tradicionais clubes brasileiros a jogar na cidade, seja porque terminou se transformando no jogo de despedida de Jairzinho, “o Furacão da Copa”, como jogador de futebol envergando a mística camisa alvinegra da estrela solitária. Pelo Botafogo foram 413 (quatrocentos e treze) partidas e 186 (cento e oitenta e seis) gols.   

Há quem diga que a história não joga, só está nos livros. Não está certo. A história tem um peso na definição dos momentos. E coube a cidade de Currais Novos, terra dos minérios, receber aquela que foi a derradeira partida de uma pedra preciosa cunhada em General Severiano e que se tornou uma verdadeira joia do futebol brasileiro e mundial.

Quase 03 (três) meses depois, já sem clube, Jairzinho fez a sua última partida pela seleção brasileira. Em 03.03.1982, contra a Tchecoslováquia, recebeu a justa homenagem pelo que fez pelo futebol brasileiro e despediu-se jogando 11 minutos, recebendo uma miniatura da taça Jules Rimet e saiu de campo aplaudido de pé, no Morumbi. Não disputava uma partida pela seleção desde 1976, no amistoso contra o Flamengo em homenagem ao atacante Geraldo, falecido poucos dias antes.

Na foto que ilustra a postagem, as duas equipes unidas posam antes do início da partida. Em pé: Paulo, Luiz Antonio “Tomba” Farias (diretor de futebol), Souza, Lima, Ednaldo, Ademir Lobo, Sonildo, Gaúcho, Dato, Gilmar, Jorge Calaça, Perivaldo, Humberto Gama (Pte da Liga Curraisnovense de Futebol) e Iremar Alves (radialista). Agachados: Mendonça, Dedé de Dora, Gilson Lopes, Jerson, Naldo, Rocha, Paulo Sérgio, Luciano, Edson, Almir, Jairzinho e Diá (massagista)  

FICHA TÉCNICA:

Jogo: Potyguar-CN 1 x 2 Botafogo/RJ

Data: 06.12.1981

Local: Estádio Coronel José Bezerra

Público: 2 mil pessoas

Renda: Cr$ 2.000.000,00 (dois milhões de cruzeiros) (aproximadamente 170 salários mínimos da época).

Juiz: Antonio Lira

Gols: Mendonça (33 seg), Dedé de Dora (5 min) e Jerson (12 min)

POTYGUAR: Souza; Paulo, Ednaldo, Sonildo e Dato; Calaça (Gilvan), Naldo (Ramos) e Dedé de Dora; Almir (Curió), Gilson Lopes e Luciano. Técnico: Petinha

BOTAFOGO: Paulo Sérgio; Perivaldo, Gaúcho, Lima e Gilmar; Rocha, Mendonça e Ademir Lobo; Edson, Jairzinho e Jerson. Técnico: Paulinho de Almeida

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Entrevistas com Bob Gama e os jogadores do Potyguar: Souza e Luciano; Jornal dos Sports; Diário de Natal; www.mundobotafogo.blogspot.com; A foto foi gentilmente cedida por Bob Gama e Adélcio Jr.

A noite do campeão em meio à catarse

A noite do campeão em meio à catarse

16 de julho de 2020. Hoje se relembra os 70 anos do Maracanazo. Em datas como esta a decisão da Copa de 1950 volta à tona. Seja entre os jornalistas, historiadores, saudosistas, curiosos ou uma nova geração interessada em conhecer o que aconteceu naquela tarde. Como tudo hoje em dia, o assunto palpita nas redes sociais, espaço democrático onde cada um tem a sua razão e a defende com unhas e dentes. 

Houve falha do goleiro Barbosa? Obdulio Varela deu um tapa em Bigode? O treinador Flavio Costa, ao exigir disciplina do time, mudou a característica viril de alguns atletas e isso vez com que o Uruguai jogasse solto? Houve oba-oba na concentração as vésperas do jogo? Os políticos colocaram o peso da cobrança nas costas dos jogadores? O time do Uruguai era melhor ou tão bom quanto o do Brasil? Para todas essas perguntas há um rosário de respostas, cada uma com a sua interpretação.  E não há mais entre nós, para contar a história, ninguém de ambas as seleções ou o mesmo Isaías Ambrósio, o “Senhor Maracanã”, ex-funcionário do Estádio e que se tornou um guia turístico bom de prosa e que por cinco décadas contou as narrativas do “Maior do Mundo”, entre elas a mais triste: a final da Copa de 1950.

Há um lado dessa história pouco explorada. Houve comemoração dos uruguaios? Não há nos anais um registro de onde eventualmente os vencedores de 1950 tenham feito sua festa ou se foi feita. Há, porém, a notícia da noite daquele que, depois de Ghighia e Schiaffino, é considerado o nosso maior algoz: Obdulio Varela.    

El Gran Capitan não quis fazer festa. Depois da volta olímpica, de volta ao hotel, convidou o massagista para tomarem um chope num bar que conhecia e costumava freqüentar quando estava no Rio de Janeiro. Caminharam pela cidade transformada em cemitério naquela noite de luto nacional. Chegou ao bar na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. O dono do estabelecimento, velho conhecido, trouxe duas canecas de chope com colarinho. Nas raras mesas ocupadas, uma imensidão de tristeza paira no ar.

Um dos presentes, já “alto” em sua decepção, brada: “Fomos derrotados por Obdulio”, o que fez o capitão celeste se sentir o carrasco de um povo. 

O dono do bar levou o rapaz pelo braço à mesa de Obdulio e o massagista, apresentando-o, o que fez com que o jogador tivesse receio do que poderia acontecer dali adiante. O rapaz apenas pediu que Obdulio tomasse um chope com ele. Aceitou, sentou com os outros brasileiros que estavam no bar, e pensou: “Se tiver de morrer, não existe noite mais apropriada”.

E assim, o grande capitão uruguaio passou aquela noite. Esvaziando canecas de chope com aquela “alma penada” que acabara de conhecer, misturada às lagrimas da infelicidade brasileira.

Na foto da postagem, o momento antes da partida em que os capitães Augusto e Obdulio Varela trocam flâmulas, sob o olhar do árbitro inglês George Reader.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: https://historiadofutebol.com/blog/?cat=68&pa__Artigos&paged=95; https://books.google.com.br/books?id=pC0EAAAAMBAJ&pg=PT41&lpg=PT41&dq=%22trip%22+%22oswaldo+soriano%22&source=bl&ots=2F0h2uqvMI&sig=ACfU3U0HTAWzhX3Dh4JC1GWw_bOdcVeZfQ&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwj-0sagv-DoAhX9IbkGHSgjD_YQ6AEwAHoECAoQLQ#v=onepage&q=%22trip%22%20%22oswaldo%20soriano%22&f=false

Os gols do zagueiro Gito no Campeonato Brasileiro de 1997

Os gols do zagueiro Gito no Campeonato Brasileiro de 1997

Em 1997, o América-RN voltou a disputar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol após 14 anos. A incerteza no início era grande e a velha imprensa bairrista do Sul e Sudeste já apontava para o time do Rio Grande do Norte como o possível “saco de pancadas”.

O time passou a fazer uma campanha regular, conseguindo vitórias ou empates importantes enquanto jogou no Machadão, a ponto de permanecer invicto, em casa, até a última rodada, quando sucumbiu diante do São Paulo/SP, mas que naquela oportunidade já tinha a certeza da permanência na elite do futebol nacional no ano seguinte. Ao longo da jornada manteve a modéstia e utilizou-se do desdém de adversários mais famosos para beliscar pontinhos preciosos, inclusive com vitórias fora de casa contra o Guarani-SP e o Fluminense-RJ.

Um detalhe daquele elenco é que, embora contasse com alguns jogadores já conhecidos no cenário nacional como o goleiro Emerson (ex-Flamengo), o lateral-esquerdo Denys (ex-Palmeiras), o centroavante Gian (ex-Vasco) e o meio-campista Moura (Sport e futebol japonês) , a equipe manteve diversos pratas da casa, inclusive assumindo a camisa de titular como o zagueiro Gito e os meios de campo Carioca e Biro-Biro. 

O destaque da equipe naquele certame, sem dúvidas, foi o zagueiro Gito que se tornou o artilheiro com 09 (nove) gols, a maioria deles em cobranças de faltas da intermediária do campo, de onde partiram potentes chutes de sua perna esquerda.      

O zagueiro-artilheiro balançou as redes do adversário nos seguintes jogos:

 DATA

EQUIPE

PLACAR

ADVERSÁRIO

GOLS

LOCAL

09.07.1997

América-RN

1 x 1

Sport-PE

1

Ilha do Retiro

13.07.1997

América-RN

1 x 1

Bahia-BA

1

Machadão

16.07.1997

América-RN

3 x 1

União São João - SP

1

Machadão

30.07.1997

América-RN

3 x 3

Grêmio-RS

1

Machadão

27.08.1997

América-RN

1 x 0

Goiás-GO

1

Machadão

03.09.1997

América-RN

2 x 0

Athlético-PR

1

Machadão

04.10.1997

América-RN

1 x 1

Corinthians-SP

1

Machadão

21.10.1997

América-RN

2 x 3

Atlético-MG

2

Mineirão

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Jornal dos Sports; Site www.ogol.com.br; Pesquisador Renan Mateus.

Os quase gols de Pelé

Os quase gols de Pelé

Na semana da comemoração dos 50 anos da conquista do tricampeonato de futebol, várias são as lembranças de uma seleção que até hoje é lembrada como a mais perfeita de todos os tempos. As emissoras de TV reprisaram os jogos da seleção naquela Copa (para deleite de todas as gerações e amantes do futebol de todas as idades), reportagens especiais foram feitas, lances foram dissecados, depoimentos emocionados de jogadores, enfim, uma festa nostálgica.   

Félix, jogando sem luvas, contestado por muitos, mas que mostrou arrojo e segurança contra Inglaterra e Uruguai e ousou ir contra a superstição calçando luvas apenas no jogo final; Carlos Alberto, o “capita”, mostrando sua autoridade diante dos ingleses e sendo o personagem das duas páginas finais da epopeia: o quarto gol na decisão e o levantar da taça; Clodoaldo, mais jovem do elenco e mostrando maturidade tática; Gerson, o maestro, a voz do treinador dentro de campo e a virtuose de pôr a bola onde queria; Jairzinho, “o furação da Copa”, escrevendo seu nome para a história ao ser o único a fazer gol em todos os jogos; Tostão, cerebral, obediente, operário, milimétrico, visão de jogo; um mito; Rivelino, “a patada atômica”, compreendeu que mesmo deslocado na esquerda teria sua importância e cumpriu à risca; Paulo Cezar Lima, “o PC Caju”, o 12o jogador e o gingado brasileiro à frente dos zagueiros cintura dura europeus.  

E Pelé? Esse é um capítulo à parte. Era sua última Copa, digamos 100%, pois se quisesse poderia ter ido à Alemanha/1974. Depois de encantar o mundo com 17 anos, na Suécia, viu Didi ser o astro em 1958. Contundiu-se em 1962 e 1966 e praticamente não jogou, com o protagonismo sendo de Garrincha e de Eusébio. Precisava de uma Copa para chamar de sua. O México era a oportunidade de mostrar ao mundo seu valor, como se isso fosse necessário. Pelé se superou. Foi a referência do time em campo, o segundo artilheiro da equipe com quatro gols, mas, paradoxalmente, se chamarmos você, aficionado por futebol, por Copas, pelo futebol brasileiro, a contar como foram esses quatro gols, certamente você vai titubear na resposta. Porém, se eu inverter, e perguntar quais foram os três gols que Pelé não fez, a resposta será imediata.   

Os gols não feitos e protagonizados por Pelé na Copa do Mundo de 1970 tem mais visibilidade do que a maioria dos 1281 gols oficiais do “Negão” em sua carreira. O tcheco Ivo Viktor, o inglês Gordon Banks e o uruguaio Ladislao Mazurkiewicz ficaram mundialmente conhecidos como os goleiros que levaram os “quase gols” mais bonitos da história do futebol mundial.

Três lances antológicos. Contra a Tchecoslováquia, Pelé estava antes da linha do meio do campo quando o viu Viktor adiantado na entrada da área. Sua genialidade permitiu surpreender o goleiro num chute de mais de 50 metros, que passou rente a trave esquerda, enquanto o arqueiro corria desesperado sem saber se olhava para a bola ou seguia para a trave.

O episódio Pelé versus Banks é o maior duelo da história dos mundiais. Duas virtuoses sendo perfeitas no seu ofício. O lance começa com o passe de três dedos de Carlos Alberto para Jairzinho, que foi a linha de fundo e cruza certeiro para a área da Inglaterra. Pelé usa sua impulsão para cabecear, de olhos abertos, com força e para o chão. A bola quicou e subiu. Banks, com agilidade felina, conseguiu ser ainda mais genial, pulando rapidamente e esticando a mão direita para jogar a bola por cima do gol. Um lance incrível.

Contra Mazurkiewicz, que depois veio jogar no Brasil pelo Atlético-MG, Pelé foi mágico. Ao receber o passe de Tostão e perceber que o goleiro saía da área para interceptar a jogada, deixou a bola passar, surpreendendo o arqueiro. Pelé deu a volta no goleiro e foi ao encontro da bola, chutando ao gol tentando pegar no ante pé o zagueiro Ancheta (que depois jogou no Grêmio) que corria estabanado para tentar fechar o gol. A bola, caprichosamente, passou a lado da trave direita.

Pelé considera que se os lances tivessem resultado em gols não ficariam tão famosos como, de fato, ficaram.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1 (Paulo Guilherme); História das Copas 1930 - 2006 (Revista Placar).

Zico e Roberto, juntos, na seleção

Zico e Roberto, juntos, na seleção

Quando se fala em uma dupla vencedora na seleção brasileira é comum lembrarmos Pelé e Garrincha (40 jogos), que juntos nunca perderam uma partida vestindo a camisa da seleção brasileira. Outras duplas podem ser lembradas como Romário/Bebeto (22 jogos) e Romário/Ronaldo “Fenômeno” (19 jogos), porém ambas não são invictas, pois a primeira dupla tem no currículo a derrota para a URSS na final da Olimpíada de Seul, em 1988; enquanto a segunda tem duas derrotas em amistosos para a Noruega, em 1997 (2x4) e Argentina, em 1998 (0x1).

No entanto, vestindo o uniforme da seleção brasileira, Zico e Roberto “Dinamite” nunca perderam nenhuma das 26 (vinte e seis) partidas que disputaram juntos. A estreia de Roberto se deu em setembro/1975, na derrota para o Peru, pela Copa América. A de Zico, em Montevideo, na vitória contra o Uruguai pela Copa Rio Branco, em fevereiro/1976.

A parceria durou de 1976 a 1984, última convocação de Roberto, embora o último jogo junto foi em 1982. Jogaram duas Copas do Mundo e 04 (quatro) partidas, todas em 1978, pois em 1982, apesar de convocado, “Dinamite” sequer ficou no banco nas 05 (cinco) partidas disputadas. Zico ainda foi convocado em 1986.

O número de jogos dos dois craques não é maior devido ao tempo que Zico jogou internacionalmente (Itália de 1983-85) e de certa descrença de Telê Santana com o futebol do goleador do Vasco. Enquanto Zico era o dono absoluto da camisa 10, mesmo numa época em que havia maravilhosos armadores como Zenon e Pita, Roberto teve outros concorrentes além da antipatia do treinador. Alguns goleadores à altura, como Reinaldo (Atlético-MG), Careca (Guarani e São Paulo), Nunes (Flamengo) e Serginho (São Paulo), outros nem tanto como Baltazar, o “artilheiro de Deus” (Grêmio e Flamengo), César (América e Grêmio) e até um certo Roberto “Cearense” (Sport), todos esses foram testados no comando do ataque na mesma época em que Roberto “Dinamite” era explosão de gols.

Os maiores ídolos do Flamengo e do Vasco da Gama, enquanto juntos, marcaram em 08 (oito) oportunidades. Foram 20 (vinte) vitórias e 06 (seis) empates e são essas as partidas a registrar:

DATA

PLACAR

ADVERSÁRIO

COMPETIÇÃO

GOLS

LOCAL

28.04.1976

2 x 1

Uruguai

Copa Rio Branco

Rivelino e Zico

Maracanã

23.05.1976

1 x 0

Inglaterra

Torneio Bicentenário dos EUA

Roberto “Dinamite”

Los Angeles

28.05.1976

2 x 0

EUA

Torneio Bicentenário dos EUA

Gil (2)

Seattle

31.05.1976

4 x 1

Itália

Torneio Bicentenário dos EUA

Gil (2), Zico e Roberto “Dinamite”

New Haven

02.06.1976

4 x 3

UNAM/Pumas (MEX)

Amistoso

Roberto “Dinamite” (2), Zico e Gil

San Francisco

04.06.1976

3 x 0

México

Amistoso

Roberto “Dinamite” (2) e Gil

Guadalajara

09.06.1976

3 x 1

Paraguai

Taça Oswaldo Cruz

Roberto “Dinamite” (2) e Zizo

Maracanã

01.12.1976

2 x 0

URSS

Amistoso

Falcão e Zico

Maracanã

23.01.1977

1 x 0

Bulgária

Amistoso

Roberto “Dinamite”

Morumbi

06.02.1977

2 x 0

Milliionários (Colômbia)

Amistoso

Zico e Roberto “Dinamite”

Bogotá

20.02.1977

0 x 0

Colômbia

Eliminatórias da Copa/78

-

Bogotá

03.03.1977

6 x 1

Combinado Vasco/Botafogo

Amistoso

Roberto “Dinamite”, Zico, Rivelino, PC Caju. Nilson Dias e Orlando (contra) 

Maracanã

09.03.1977

6 x 0

Colômbia

Eliminatórias da Copa/78

Roberto “Dinamite” (2), Marinho Chagas (2), Zico e Rivelino

Maracanã

08.06.1977

0 x 0

Inglaterra

Amistoso

-

Maracanã

12.06.1977

2 x 1

Alemanha Ocidental

Amistoso

Rivelino (2)

Maracanã

16.06.1977

1 x 1

Sel. Paulista

Amistoso

Paulo Cezar “Caju”

Morumbi

14.07.1977

8 x 0

Bolivia

Eliminatórias da Copa/78

Zico (4), Roberto “Dinamite”, Gil, Cerezo e Marcelo

Cali

17.05.1978

2 x 0

TchecoEslováquia

Amistoso

Reinaldo e Zico

Beira Rio

11.06.1978

1 x 0

Áustria

Copa do Mundo/78

Roberto “Dinamite”

Mar Del Plata

14.06.1978

3 x 0

Peru

Copa do Mundo/78

Dirceu (2) e Zico

Mendoza

18.06.1978

0 x 0

Argentina

Copa do Mundo/78

-

Rosário

21.06.1978

3 x 1

Polônia

Copa do Mundo/78

Roberto “Dinamite” (2) e Nelinho

Mendoza

17.05.1979

6 x 0

Paraguai

Amistoso

Zico (3), Nilton Batata (2) e Eder

Maracanã

28.10.1981

3 x 0

Bulgária

Amistoso

Roberto “Dinamite”, Zico e Leandro

Olímpico

26.01.1982

3 x 1

Alemanha Oriental

Amistoso

Paulo Isidoro, Renato “Pé Murcho” e Serginho

Castelão (Natal)

03.03.1982

1 x 1

TchecoEslováquia

Amistoso

Zico

Morumbi

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