Blog do Kolluna

Pai e filho olímpicos no hipismo

Pai e filho olímpicos no hipismo

O hipismo é esporte nobre e presente nos jogos olímpicos desde a edição de Paris/1900, embora ausente dos jogos de Saint Louis/1904 e Londres/1908 e é um dos únicos esportes olímpicos que envolve animal (o outro é o pentatlo moderno).

O Brasil tem grandes nomes entre os competidores da modalidade, porém, indubitavelmente, a família Pessoa está no topo com os cavaleiros Nelson Pessoa Filho e Rodrigo Pessoa, pai e filho. O primeiro com participação em cinco edições – Melbourne/1956, Tóquio/1964, México/1968, Munique/1972 e Barcelona/1992 -, enquanto Rodrigo, que está em sua sétima olimpíada, esteve em Barcelona/1992, Atlanta/1996, Sidney/2000, Atenas/2004, Pequim/2008, Londres/2012 (quando foi porta-bandeira da delegação brasileira na cerimônia de abertura) e está na equipe brasileira de Tóquio/2020, depois de ter ficado fora da convocação para a Rio/2016.

Se o pai, Nelson, pode dizer que é o único competidor a participar de jogos olímpicos separados por intervalo de trinta e seis anos, o filho, Rodrigo, é detentor de três medalhas olímpicas, sendo uma individual em Atenas/2004 e duas de bronze por equipe em Atlanta/1996 e Sidney/2000.

Nelson, ao ser puxado para o alto do pódio pelo filho em 2004, em toda a sua emoção como pai e cavaleiro olímpico disse exultante:

“Aqui de cima é bonito”!

Dados de Pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik)

Joaquim Cruz e a acusação de plágio

Em 1984, Joaquim Cruz venceu a prova dos 800 metros, bateu o recorde olímpico com 1min43seg e comemorou com uma bandeira brasileira nas mãos dando uma volta olímpica. Foi acusado de plágio pelo fato de o americano Carl Lewis, dias antes, ter feito o mesmo gesto.

O brasileiro se justificou dizendo que já tinha combinado com o zelador do prédio onde morava, na cidade de Eugene, no Estado americano do Oregon, que em caso de vitória o amigo passaria a bandeirinha pelo alambrado do estádio e, para tanto, comprou uma cadeira num lugar estratégico da arquibancada. Joaquim fez sua parte no trato – ganhar a corrida – e o zelador amigo retribuiu com a sua.

Uma homenagem discreta, mas sincera, ao país.    

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik)  

Irmãos medalhistas olímpicos

Irmãos medalhistas olímpicos

Disputar uma olimpíada é o sonho de qualquer atleta. Ter irmãos olímpicos não é tão comum. E quando irmãos trazem medalhas olímpicas para a família!!!

No Brasil há sete exemplos de irmãos medalhistas olímpicos. 

Em 1988, Lars colocou o nome dos irmãos Grael como os primeiros medalhistas. Foi bronze em Seul, na classe Tornado, enquanto seu irmão Torben já havia ganhado a prata na classe Soling, em Los Angeles/1984. Os irmãos detém o maior numero de medalhas: sete, sendo cinco de Torben e duas de Lars (a filha de Torben, Martine, é bicampeã olímpica).

Em Barcelona/1992, Tande Samuel foi ouro no vôlei de quadra. Sua irmã Adriana Samuel foi prata no vôlei de praia, em Atlanta/1996 e bronze, em Sidney/2000.

Também em 1996, a seleção de basquete feminina que foi medalhista de prata tinha duas duplas de irmãs: Leila e Marta Sobral; e Branca e Magic Paula.

Na mesma seleção de basquete feminina de 1996 estava Silvinha Luz, que nos jogos seguintes, em Sidney, foi bronze ao lado da irmã Helen.

Gustavo Endres foi campeão olímpico no vôlei em Atenas/2004 e vice em Pequim/2008. Nesta última, teve a companhia de seu irmão Murilo, que também viria a ser prata em Londres/2012.  

Por último, Esquiva e Yamaguchi Falcão levaram medalhas no boxe em Londres/2012.   Esquiva foi prata como peso médio, e Yamaguchi, bronze como meio-pesado.

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona), Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik); https://www.olimpiadatododia.com.br

A descrença e a homenagem do azarão

A descrença e a homenagem do azarão

O judô brasileiro chegou com muita expectativa em Barcelona/1992, depois que Aurélio Miguel havia ganhado o ouro quatro anos antes, em Seul. Mas, a esperança não estava se traduzindo em vitória ou mesmo uma boa participação.

Na zona internacional da Vila Olímpica, o treinador Paulo Wanderley, na entrevista coletiva, já mostrando uma frustração, disse para os jornalistas em relação ao dia seguinte:

“Amanhã vocês não precisam passar por lá”.

Era o penúltimo dia e o Brasil estava representado pelo santista Rogério Sampaio, irmão de Ricardo Sampaio, que havia competido no judô em Seul e tinha falecido no ano anterior aos Jogos de Barcelona.

Parecia não haver espaço para surpresas e o sorteio tinha reservado ao brasileiro uma chave difícil. Rogério era o mais alto dos competidores, com 1,78 metros e teve que cruzar com o favorito sul-coreano King Sang-Moon e com o argentino Francisco Morales, campeão dos Jogos Pan-Americanos/1991. Na semifinal venceu o alemão Udo-Gunter Quellmaz e, na final, o húngaro Josef Csak, campeão europeu. Nenhum deles foi páreo para o azarão brasileiro.

O judoca, de joelhos no tatame após a luta final, de mãos postas em direção ao céu, agradecia a Deus e ao irmão à benção dourada. Até a Rainha Sofia, da Espanha, ficou de pé para aplaudi-lo e depois foi cumprimentá-lo.

O treinador Paulo Wanderley teve dignidade ao reconhecer que errara ao não acreditar no pupilo:

“Foi a surpresa mais feliz da minha vida”.      

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik).

Último, mas orgulhoso

Último, mas orgulhoso

A frase é batida: “o importante é competir”. Atribuída ao Barão de Coubertin, na verdade é de um bispo inglês. Foi popularizada pelo lorde ao ser proferido no discurso de abertura dos jogos de 1908, em Londres.

Na Olimpíada de Los Angeles/1932, a frase foi seguida à risca pela delegação brasileira. Dos sessentas atletas que competiram, quarenta e três ficaram em último, seis em penúltimo e dois em antepenúltimo. Porém, uma participação foi especial.

Adalberto Cardoso, corredor dos dez mil metros, era marinheiro do barco Itaquicê, que levou a delegação a Los Angeles. Ocorre que, por questões profissionais, o marinheiro não pôde desembarcar na cidade olímpica e continuou no navio até San Francisco, para onde seguiu carregamento de café.

Teve que, literalmente, abandonar o barco e cruzar os seiscentos quilômetros que separam as duas cidades da forma como conseguiu, ora de trem, ora de carona. Chegou ao Estádio Olímpico dez minutos antes da sua prova. Trocou o uniforme e correu descalço.

Enquanto corria, esbaforido, sua história ia sendo contada. Caiu e levantou três vezes antes de cruzar a linha final em último lugar, empurrado pelos aplausos do público que ficou sabendo naquele instante a saga do corredor brasileiro.

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik)

A lenda, a musa e o cafezinho brasileiro

A lenda, a musa e o cafezinho brasileiro

Na Olimpíada de Roma/1960, um americano fanfarrão com uma máquina fotográfica pendurada no pescoço fazia algazarra todo o tempo na Vila Olímpica: “Let’s make picture, now!!!”, gritava o sujeito a qualquer um que passasse em sua frente.

A tal figura não era fotógrafo. Ele lutava boxe e conquistou o ouro sem maiores dificuldades: Cassius Clay, mais tarde, o lendário Muhammad Ali.     

Bem mais silenciosa e com um charme e beleza especial, a atriz Elizabeth Taylor circulou na Vila acompanhando seu irmão que competia na equipe de remo dos Estados Unidos. A estrela do cinema americano, ao passar pelo estande montado pela delegação brasileira, foi convidada a provar o cafezinho do Brasil.

Liz tomou, gostou, sorriu e elogiou. Melhor propaganda para a pátria amada, impossível.

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik)

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