Blog do Kolluna

1984: Bernard, Bernardinho & Cia no Palácio dos Esportes

1984: Bernard, Bernardinho & Cia no Palácio dos Esportes

Em 1984, o voleibol passou a ser, definitivamente, a segunda preferência esportiva brasileira, atrás somente do futebol. Num tempo em que o Brasil respirava esporte, onde Luciano do Valle estimulava todas as práticas esportivas com o seu lendário programa “Show do Esporte” (TV Bandeirantes), o voleibol masculino, que havia sido medalhista de prata na Olimpíada de Los Angeles, naquele mesmo ano, e antes vice-campeão mundial juvenil em 1981 (EUA) e adulto em 1982 (Argentina), virou febre nacional.

Assim, a Confederação Brasileira de Voleibol promoveu o VII Campeonato Brasileiro de Clubes, com diversos grupos formados pelo país, em rodadas preliminares realizadas em uma Capital, a fim de escolher os representantes para a etapa final.

Natal, Cidade do Sol, não só foi escolhida para sediar uma das chaves do Nordeste, como teve a honra de receber, como cabeça-de-chave do grupo, a Atlântica Bradesco, uma das maiores potências do esporte.

Os jogos foram realizados no Palácio dos Esportes de 08 a 12.11.1984 e contou com a participação de Atlântica Bradesco (RJ), Alecrim (RN), Santa Cruz (PE), Andreas (PI) e Associação dos Economiários – AECE (CE), tendo as delegações visitantes ficado hospedadas no Hotel dos Reis Magos. O baixo teto do ginásio frustrou os espectadores de ver o saque “Jornada das Estrelas”, de Bernard. O potiguar só pôde ver, ao vivo, o “jornada” em 03.09.1986, em partida amistosa da seleção brasileira contra a seleção da Grécia, no ginásio do Campus Universitário e com um teto propício para a jogada.  

O prestígio da equipe carioca era enorme, embora internamente estivesse passando por um momento de turbulência. No fim de outubro, a equipe havia perdido a final do 1º Mundial de Clubes, realizado em São Paulo, com derrota de 3x2 para a Pirelli, no Ginásio Ibirapuera, no tempo em que a dicotomia do vôlei brasileiro se retratava entre RJ e SP, pois o Bradesco, mesmo sendo um banco paulista, treinava no Rio; enquanto que a poderosa multinacional italiana tinha como sede a capital bandeirante. Bebeto de Freitas, que treinava a seleção, o time masculino do Bradesco e a quem é atribuído ser um dos mentores da evolução do esporte no país, tinha deixado o comando para ser o Supervisor de Esportes e em seu lugar assumiu Jorge Barros, o “Jorjão”.      

Como estratégia a levar o público aos jogos que aconteciam à noite no PE, a organização do campeonato levou as equipes para realizarem seus treinamentos nos ginásios de escolas da cidade, proporcionando às pessoas estarem mais próximos de seus ídolos e alguns causos nasceram desses encontros. Contam que em troca de uma camisa de treino da equipe carioca, um fã chegou a sugerir a cheirar os tênis usados e suados do levantador Bernardinho. Já uma garota foi à sua tradicional escola no dia seguinte devidamente vestida com a camisa recebida de souvenir, e um dos diretores apontou o dedo e passou sobre as letras da palavra BRADESCO que guardavam o busto da jovem, lendo o nome da equipe em voz alta. Lendas urbanas!!!

Ocorre que essa simpatia excessiva reconhecida como característica do natalense nem sempre foi correspondida durante aquela semana. O Diário de Natal, edição de 13.11.1984, atribuiu à equipe carioca um show de esnobação e que o ídolo nacional Bernard mostrou-se arredio e negou-se a dar autógrafos a crianças nos colégios onde seu clube treinava. Todavia, confirmou-se que o mesmo atleta doou uma camisa à equipe de esportes da Rádio Tropical para leiloar em uma campanha filantrópica.

O Alecrim, representante potiguar, foi treinado pelo saudoso Jorge Moura, que convocou os seguintes atletas: os irmãos Dadau, Alexandre “Dida” e Paulo César; Orlando “Cocão”, Fred Câncio, Eduardo, Ademir, Pacall, Serafim, Tota Farache, Jean, Cláudio, Floriswaldo e Valécio.

Já o elenco da Atlântica Bradesco, treinada pelo técnico Jorge Barros - talvez o mais simpático de todos os integrantes -, tinha: Bernard, Bernardinho, Leonídio, Rui, Erick, Suíço, Alcídio, Betinho e Luiz Alexandre, este que ainda era juvenil e namorava a Fernanda Venturini.  

Mas, se o Bradesco tinha uma constelação de prata, em outras equipes participantes havia estrelas que em breve reluziram a ouro. O Santa Cruz de Recife tinha André Falbo Ferreira, o “Pampa”, enquanto que o Economiários do Ceará tinha Antonio Carlos Gouveia, o “Carlão”, que integraram a seleção que trouxe o primeiro ouro olímpico em esportes coletivos para o Brasil, em 1992, em Barcelona.

O Alecrim, ao contrário de outras equipes, era um time amador. O meio de rede Floriswaldo era um dos mais novos do grupo e ainda juvenil em 1984 e lembra uma curiosidade sobre os treinamentos.

“O time era novo e amador. Eu, Cláudio, Eduardo e Tota éramos juvenis. Jean e Valécio infanto-juvenis. A gente treinava das 22h a meia-noite no Palácio dos Esportes, porque não dava para treinar no horário normal de expediente, uma vez que tinha a turma mais veterana que já trabalhava e outros estudavam à noite. Terminava o treino e Jorge Moura ou quem tinha carro saía distribuindo os outros jogadores de carona”.

O amadorismo fez a diferença e classificaram para a segunda etapa as equipes da Atlântica Bradesco/RJ e o Santa Cruz/PE.

Esse campeonato já foi jogado com as alterações na regra de impossibilidade de bloqueio no saque adversário e os árbitros foram orientados a serem mais permissivos com a defesa, num tempo em que os sets iam até 15 pontos e a pontuação somente ocorria quando se conseguia a vantagem consecutiva.   

Na foto que ilustra a matéria, cedida gentilmente por Floriswaldo Teixeira, vemos as duas equipes posando juntas antes da partida, mostrando ao fundo o Palácio dos Esportes completamente lotado. Em pé: Dr Roberto Vital (médico), ?, Jorge Moura (treinador do Alecrim), Jorge Barros (treinador da Atlântica Bradesco), Luiz Alexandre, Alcídio, Pacall, Floriswaldo, Jean, Rui, Orlando “Cocão” e Dida. Agachados: Dadau, Fred, Bernard, Bernardinho, Betinho, Cláudio, Erick, Leonídio, Serafim e Paulo Cesar.

Nota do Blog: A partida foi jogada na noite de 10.11.1984, portanto, há 36 anos. O blog mantém o propósito de não ter memória curta, tentando criar uma cultura de valorização dos fatos esportivos que aconteceram na cidade no passado, contando histórias com participação de senhores e senhoras que foram atletas e, por não estarem mais jogando, nem sempre são lembrados.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: Entrevistas com Orlando “Cocão” Medeiros e Floriswaldo Teixeira; Jornal Diário de Natal.

Renato 74

Renato 74

A perda do seletivo de 1974 abreviou a permanência de Erivan - o goleiro do tetra-campeonato estadual de 1970/73 -, como titular absoluto do arco alvinegro e o ABC foi buscar um novo goleiro no Paisandu/PA.

Assim chegou Renato para estrear pelo ABC, usando vistosa camisa amarela com frisos negros nos ombros e com o número 74 às costas, num tempo em que havia a disciplina numérica quase unânime de se usar de 1 a 11 entre os jogadores titulares (*).

E por que, 74? Em 1971, defendendo o Bahia, o saudoso cronista baiano França Teixeira começou uma vasta campanha para levar o goleiro à Copa do Mundo da Alemanha, em 1974, como um dos integrantes da seleção brasileira de futebol. Dizia que, naquele momento, Renato era o melhor jogador do país debaixo das traves.  E terminava sua fala, sempre, com a expressão “Pra frente, Renato 74”.

O goleiro gostou do incentivo e um dia pisou o gramado da Fonte Nova com o número 74, e os repórteres foram pra cima dele, tendo o jogador respondido cheio de marra:

- “Apenas acho que estarei entre os que irão à Copa da Alemanha, e por isso, a partir de agora, vou usar o 74 para dar sorte. Não sou melhor do que Félix ou Ado, mas também não sou pior”.

Em 1972, com a chegada do argentino Buttice à boa terra, Renato perdeu a posição de titular e deixou o tricolor pouco tempo depois.

A comissão técnica da antiga Confederação Brasileira de Desportos – CBD, não despertou à atenção para o goleiro. Para a Alemanha foram convocados o outro Renato (do Flamengo), Leão e Wendell (este sendo cortado por contusão e substituído por Waldir Peres), mas Renato manteve a tradição e continuou utilizando o número 74 às costas.

No ABC não ganhou maiores expressões, disputando com Floriano a condição de titular, uma vez que Erivan foi emprestado ao Força e Luz.

Deixou o ABC e alternou bons e maus momentos em outros clubes como o Treze de Campina Grande-PB, Ferroviário-CE, Sampaio Correia-MA, Moto Clube-MA, Volta Redonda-RJ e Campinense-PB, onde encerrou sua carreira, em 1985, aos 38 anos.  

Faleceu no ano seguinte, em Campina Grande, com 39 anos, vitimado por cirrose hepática.

Embora tendo passado pouco tempo no Mais Querido, aquela figura esguia, de cabeleira cheia, usando camisa amarela e com o número 74 às costas, ainda é lembrada pelos saudosos torcedores que acompanharam, fielmente, os jogos do ABC no antigo Castelão, no ano de 1974.

(*) Curiosamente, no mesmo ano, o goleiro do América era Ubirajara, que jogava com a camisa 77, enquanto Itamar, do Potiguar de Mossoró, usava o 78.

Programa Chico Anísio Show na concentração do Santos/SP

Programa Chico Anísio Show na concentração do Santos/SP

Na semana dos oitenta anos do "Rei" Pelé, uma história pouco conhecida, ou pelo menos, pouco contada.

O humorista Chico Anysio era um entusiasta do futebol, a ponto de ser comentarista na Rádio Guanabara entre 1948/49, fazendo dupla com o narrador Raul Longras, e depois na TV Excelsior, com Geraldo José de Almeida. Chico era palmeirense, mas transitava bem com dirigentes e jogadores das demais equipes, em especial com o Santos, de Pelé, de quem era grande amigo. Em 1963, já com o sucesso do seu programa na TV Rio, decidiram fazer uma gravação na concentração do Santos, campeão mundial de clubes. No dia combinado, às vésperas de um jogo contra o Botafogo de Ribeirão Preto, pelo campeonato paulista, a equipe de TV chega à sede do clube e não havia nenhum jogador. Ocorre que o treinador Lula não foi avisado e tinha dispensado a concentração, em razão do excesso de jogos. Chico recorreu ao amigo Pelé. As 7h40, bateu às portas da casa do “Rei”, foi atendido por Dona Celeste, a mãe de Pelé, que acordou o filho. Este disse que ia resolver. Tomou um banho, vestiu-se e saiu com Chico Anysio indo buscar os jogadores, um a um, em suas casas, inclusive o Mauro Ramos e o Gylmar, que moravam em São Paulo e foram trazidos pelo motorista de Pelé. A gravação foi feita e todos se divertiram com o humorista, que se apresentou com seus múltiplos personagens contracenando com cada um dos jogadores.

Na ultima cena, Pelé com a camisa do Santos e Chico Anysio com a do Palmeiras trocam passes de cabeça, e no final do quadro, os jogadores santistas levantavam o artista para jogá-lo na piscina. Esta cena não foi ao ar. Ficou parada no momento em que os jogadores levantaram Chico. Este, com sua verve, detalhou o momento: Era o reconhecimento dos jogadores santistas a supremacia do Palmeiras.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: História do jornalismo esportivo na TV brasileira (Alberto Léo).

 

Apelidos no futebol

Apelidos no futebol

Nos tempos de hoje, a escalação de equipes de futebol mais parecem com a chamada de uma turma de colégio feita pelo professor de matemática antes da aula começar. Jogador de futebol agora tem nome e sobrenome. A seleção brasileira, que anteontem goleou a Bolívia, é um exemplo disso. Alex Telles, Everton Ribeiro, Phillipe Coutinho, Renan Lodi, Roberto Firmino e Thiago Silva são alguns dos pomposos nomes que estiveram em campo. No banco, Bruno Guimarães, Gabriel Jesus e Rodrigo Caio.

Antes, era uma raridade chamar o jogador pelo seu nome e sobrenome. Alguns exemplos mais famosos são os casos dos dois “Santos”: Djalma e Nilton; Luiz Pereira, Dirceu Lopes, Ademir da Guia, Vilson Taddei ou Tadeu Ricci. Raríssimo era ser chamado pelo nome completo, como era o caso de Paulo César Carpegiani.     

Não se vê mais jogadores de futebol com apelidos como era comum no passado. Algumas dessas alcunhas eram trazidas de casa e permaneciam em campo, como os casos de Zico, Zito, Pelé, Didi, Vavá, Chico, Dequinha, Julinho, Toninho e outros. Também, imperou por muito tempo os diminutivos e aumentativos a definir o tamanho do jogador. Assim como diversos Zezinhos, Pedrinhos e Joãozinhos povoaram os campos de todo o país, também era comum vermos os vulgos Marcão, Paulão ou Luizão.  

Em meio aos apelidos, a família “D” do alfabeto talvez seja a mais pródiga, pois todas as variações tiveram um representante no futebol, vejamos: Dadá, Dedé, Didi, Dodô, Dudu.

Outro apelido comum e que ainda resiste bravamente nos tempos atuais são os relacionados à geografia. Quantos fulanos acresciam/acrescem ao seu nome a expressão relacionada ao seu Estado ou cidade natal! Apodi, Itaqui, Tiago Orobó, Maricá, Birigui, Edu Dracena, Junior Baiano, Juninho Pernambucano, Wellington Paulista, Ronaldinho Gaúcho, Alexandre Mineiro, Marcelinho Paraíba, Thiago Potiguar, fora os inúmeros “Cearás” que desfilaram ou desfilam nos gramados brasileiros.

A mais famosa linha de todos os tempos do Clube Náutico Capibaripe/PE foi o quarteto eternizado por Nado, Bita, Nino e Lala. A Portuguesa de Desportos/SP, nos anos 70, teve um ataque com Tatá, Dicá e Xaxá.  Sem dúvida, casos curiosos e relacionados a apelidos. 

Direcionando os olhos para o nosso Estado, alguns apelidos curiosos passaram por aqui. Como esquecer de Dedé de Dora, Cascata, Pedrada, Jangada, Hélio “Show”, Jorge “Demolidor”, Hélcio “Jacaré”, Bileu, Barata, Baíca, Saquinho, Pancinha, Biro Biro, Lúcio “Curió”, Miro “Cara de Jaca”??? Uma viagem deve ser ir buscar a origem de cada apelido desses.   

O Alecrim chegou a ter na mesma equipe um zagueiro viril chamado “Ticão” e um atacante conhecido por “Tiquinho”.   

Ainda lembrando do RN, na época em que a TV Universitária (Canal 5) transmitia os jogos do Estadual em forma de vídeo tape, o narrador era José Ary, que gostava de, se não apelidar, mas de abreviar o nome dos jogadores. Era uma diversão assistir os jogos ouvindo a narração trazer os nomes de “Baltaza” (Baltazar), “Sandova” (Sandoval), “Noriva” (Norival) ou “Mara” (Marinho Apolônio), este que também era chamado de “o Pantera”.  Já quando ia falar sobre “Dedé de Dora”, o respeito do narrador chegava ao ápice e, sabendo que o “de Dora” fazia alusão a mãe do atleta, Ary fazia questão de chamar o jogador de “Dedé de Dona Dora”.  Já em relação ao saudoso Arié, o narrador sempre completava com o bordão “o que não morre em pé”.

Também não se pode esquecer a saudosa memória de Hélio Câmara de Castro, o maior narrador esportivo de todos os tempos do rádio potiguar e que também tinha seus rompantes a “batizar” os jogadores. Baltazar virou o “Conde Drácula”, Noé Soares era o “Macunaíma”, o zagueiro Odélio tornou-se o “Pastor”, Sandoval era o “Touro Miúra”, Moura o “Príncipe Etíope” e Carioca o “ Boca Negra”. Hélio justificava dizendo que a carga de adrenalina num jogo de futebol é grande, e ele criava esses personagens para aliviar a tensão. 

Talvez a profissionalização do futebol tenha concorrido para que os jogadores prefiram ser conhecidos pelos seus próprios nomes de nascença, porém, isso fez perder um pouco o lado folclórico e engraçado do futebol.

Uma história de futebol, trama, espionagem e morte na Guerra Fria

Uma história de futebol, trama, espionagem e morte na Guerra Fria

O ano era o de 1979. Tempos de “Guerra Fria”, como era chamada a divisão entre os lados capitalistas e socialistas do mundo após a Segunda Grande Guerra. A Alemanha era dividida pelo Muro de Berlin, tendo seu lado Ocidental e Oriental. O futebol era praticado nos dois países, com prevalência e mais sucesso mundial para o oeste, vencedor da Copa de 1954 e 1974 e finalista em 1966.

A Alemanha Oriental somente tinha participado da Copa do Mundo de 1974, ao vencer o grupo 4 da eliminatória europeia derrotando Romênia, Finlândia e Albânia e predominava entre os clubes de futebol o modelo de representação de equipes relacionadas com determinada atividade, como a polícia política (Dynamo), indústria ferroviária (Lokomotive), indústria automotiva (Motor), correio e telecomunicações (Post) e outros.

Naquele ano, o Dynamo foi convidado para um jogo amistoso contra o Kaiserslautern, time do lado ocidental. O governo da Alemanha Oriental não gostava deste tipo de troca de culturas, pois, naturalmente, sabia que era tentador aos olhos dos seus jogadores.

A partida foi vencida pelo Kaiserslautern por 4x1 e um jogador chamou a atenção dos ocidentais: Lutz Eigendorf, habilidoso na armação de jogadas, bom finalizador e chamado de o “Beckenbauer do Leste”. Com 22 anos, se sentiu seduzido pela vida e novas possibilidades do outro lado da “Cortina de Ferro”. Na fuga, deixou para trás a esposa Gabrielle e a filha Sandy, esta com dois anos de idade.

A evasão foi tratada como traição e sua família sofreu represálias pelo governo oriental. Sendo Eigendorf considerado inimigo público da Alemanha Oriental, Gabrielle pediu divórcio e casou-se com um membro da polícia secreta (STASI), que passou, secretamente, a vigiar os passos do desertor.   

A FIFA lhe proibiu de atuar por um ano em face da saída intempestiva de um clube para o outro, e o futebol de Eigendorf sucumbiu em meio a tantas pressões pessoais e políticas. Após cumprir a punição, atuou pelo Kaiserlautern de 1980 a 1982, realizando 53 partidas e marcando apenas 07 gols. Foi negociado com o Eintracht Braunschweig, time pelo qual atuou apenas 8 vezes na liga entre 1982/1983.

Na noite de 05.03.1983, Eigendorf colidiu seu carro com uma árvore e ele faleceu quando tinha apenas 26 anos. Sua morte levantou suspeita sobre o acidente, mas até hoje não há provas conclusivas da participação da STASI na morte do promissor meia-atacante.

Em 2015, foi lançado o livro “Jogo livre: futebolistas da Alemanha Oriental em fuga”, de Frank Müller e Jürgen Schwarz, que relatam casos como o de Lutz Eigendorf, Norbert Nachtweih, Matthias Müller, Frank Lippmann, Falko Götz, Dirk Schlegel, Jürgen Sparwasser, Jörg Berger, dentre outros que fugiram ou tentaram viver outra vida longe da Alemanha Oriental.    

Créditos de informações e imagens para criação do texto: https://www.ludopedio.com.br/arquibancada/stasi-no-futebol-da-alemanha-oriental/; https://news.moosh.pt/vintage-moosh/lutz-eigendorf-o-traidor-que-a-stasi-nunca-perdoou/   

A falta de sorte do "Ganso"

A falta de sorte do "Ganso"

Embora o seu nome seja Carlos Roberto Gallo, em meio a boleirada é conhecido pelo apelido de ‘Ganso”. É o goleiro com maior longevidade na seleção brasileira se considerarmos o tempo na seleção de base e adulta. São 19 anos servindo à seleção, de 1974 a 1993 (*).

Chegou à seleção adulta em 1977 e somente em 1986 assumiu o posto de titular. Raro era o seu talento debaixo da baliza. De excelente estatura e capacidade física e técnica, ficou estereotipado pela falta de sorte em momentos decisivos.

Em 1977, na decisão do título paulista entre o seu time - a Ponte Preta – e o Corinthians, no primeiro dos três jogos decisivos abafou um passe dado em velocidade à Palhinha, atacante adversário, e depois da bola bater no seu corpo, voltou no rosto do atacante e dali para o gol. Gol de nariz e 1x0 pro Timão. Foi reserva de Leão no seu primeiro mundial. Com a chegada de Telê, foi alçado a condição de titular até a estreia no Mundialito /1981, no Uruguai, quando deixou o campo com uma séria lesão no ombro esquerdo. Waldir Peres assumiu a titularidade e Paulo Sérgio (Botafogo) o reserva. Foi à Copa do Mundo de 1982 como terceiro goleiro.

Na Copa de 1986, viu seu sonho se realizar e foi o titular da seleção no México, que ainda tinha Paulo Victor (Fluminense) e Leão como reservas. Mas quase o sonho vira pesadelo. No último jogo-treino antes da Copa, contra o Guadalajara, um jogador mexicano pisou, involuntariamente, na mão esquerda do goleiro. Achou que tinha quebrado a mão dado o inchaço local instantâneo. Escondeu de todos e só revelou para o médico Neylor Lasmar, mas disse que jogaria na marra. O médico foi seu cúmplice no segredo e ninguém soube da contusão. A radiografia mostrou que não havia fratura, embora a dor fosse tamanha e que o incomodou durante a estreia contra a Espanha.

Mas o grande lance de falta de sorte do goleiro foi na cobrança de pênaltis nas quartas-de-final da Copa. Após tempo normal e prorrogação empatados em 1x1, Brasil e França foram para os pênaltis. O Brasil desperdiçou as cobranças com Sócrates e Júlio Cesar. A França com o craque Platini. O francês Bruno Bellone bateu de canhota, a bola chocou-se com a trave e voltou nas costas do goleiro Carlos, indo parar mansamente no fundo do gol. França classificada para as semifinais.

Em 1988, já no Corinthians, fez um excelente campeonato paulista, mas não participou das finais ao torcer o tornozelo, sozinho, na semifinal contra o Palmeiras. Assumiu o posto o então jovem Ronaldo Giovanelli.

(*) Contando apenas a seleção adulta, Gylmar dos Santos Neves ficou 16 anos e 73 dias, seguido por Emerson Leão com 16 anos e 53 dias. Carlos está em terceiro lugar com 15 anos e 72 dias. 

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1(Paulo Guilherme).

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