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A agonia de Gustavo Borges

A agonia de Gustavo Borges

Em Barcelona/1992, antes da prova dos 100 metros nado livre, a mais tradicional prova da natação, a expectativa era para saber quem ficaria com a prata e o bronze. O ouro já era certo como do americano Matt Biondi, que detinha os recordes mundial e olímpico da prova e era chamado de “Peixe Voador”. Os especialistas diziam que o pódio seria dividido com o russo Alexander Popov, o francês Stephan Caron e o americano Jon Olsen.

O Brasil tinha um representante naquela prova: Gustavo Borges, 19 anos e 2,03 metros era o detentor de três recordes sul-americanos, nos 50, 100 e 200 metros e que chegou aquela final com o segundo melhor tempo de todas as séries.

A chegada foi emocionante e os brasileiros festejavam uma prata ou um bronze. Porém, ao ser anunciado o resultado no placar eletrônico, Gustavo Borges estava com a sigla DQ (desclassificação). Todos ainda sem entender, o placar mostrou a marca de 1min02s04, deixando Gustavo em último. Mas não foi isso que se viu ao fim da prova.

Gustavo saiu da piscina, se encostou numa parede e começou a chorar como um menino decepcionado. Não entendia o que se passava. Então surgiu a figura de Coaracy Nunes, presidente da Federação Brasileira de Desportos Aquáticos. Ele desceu da arquibancada, dirigiu-se ao árbitro geral Sebastián Salinas, do Peru e protestou, exigindo a revisão.

Após a checagem das planilhas dos juízes com os tempos da cronometragem manual, surgiu no placar uma nova marca para Gustavo. Com 49s53 ele ficara empatado em quarto lugar justamente com Matt Biondi, o tal bicho-papão.

Coaracy Nunes bateu o pé e disse que estava tudo errado, exigindo nova revisão. As dúvidas persistiam e o resultado não foi homologado. Os juízes se reuniram para assistir o teipe de toda a prova, com ênfase para a chegada, que foi passada quadro a quadro, quando então se corrigiu o tempo de Gustavo para 49s43, o que lhe garantiu a medalha de prata, um novo recorde sul-americano e o pódio garantido.

O ouro ficou para o russo Alexander Popov (49s02) e o bronze para o francês Stephan Caron (49s50).

Pela primeira vez na história das Olimpíadas – à exceção do boicote em 1980 – os Estados Unidos ficaram de fora do pódio nos 100 metros livre.

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik)

O primeiro ouro feminino brasileiro veio com a prata junto

O primeiro ouro feminino brasileiro veio com a prata junto

Jaqueline era a grande estrela do voleibol feminino em 1984, junto com Isabel. Era rebelde, desentendeu-se com o comando da Confederação Brasileira de Voleibol e foi morar nos Estados Unidos, tornando-se uma das pioneiras no vôlei de praia, que então estava engatinhando.

Aproveitando-se do profissionalismo americano, enquanto que no Brasil o vôlei de praia ainda era uma diversão para banhistas, passou a reinar na Califórnia. Fez dupla com Sandra Pires, com quem tanto venceu como brigou.

Em Atlanta/1996, depois de sessenta e quatro anos, o feminino conseguia uma conquista olímpica com o ouro da dupla Jackie Silva/Sandra. E para melhor coroar, a final foi contra outra dupla brasileira, Mônica e Adriana Samuel. Pela primeira e única vez na história, os dois primeiros lugares do pódio eram ocupados por brasileiros (ou brasileiras).   

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik)   

 

Final do basquete masculino em 1972 e um brasileiro em meio à polêmica

Final do basquete masculino em 1972  e um brasileiro em meio à polêmica

O dream team de basquete masculino americano ganhou fama no ano de 1992, nos jogos de Barcelona, uma vez que tinha Michael Jordan, Magic Johnson, Scottie Pipen, Pat Ewing e outros. Mas, na verdade, sempre os americanos tiveram time dos sonhos em olimpíadas e até os jogos de Munique/1972, ganharam medalhas de ouro em todas as sete edições anteriores. Na Alemanha, perderam a hegemonia da modalidade para a União Soviética numa decisão polêmica e, no centro de tudo, um brasileiro: o árbitro Renato Righetto.

Os americanos perdiam por 49 x 48 faltando seis segundos para o fim do jogo. Doug Collins seguia para a bandeja quando foi interceptado com falta. Com a conversão dos dois lances livres, os americanos viraram o jogo e restavam três segundos para término da partida.

No recomeço do jogo, os americanos obtêm a posse da bola faltando um segundo. Porém, o treinador soviético Vladimir Kondrashin gesticulava desesperadamente em direção ao árbitro brasileiro e ao cronometrista. Um intérprete explicou que o treinador alegava que pedira tempo logo após o segundo lance livre de Collins e a mesa não paralisou o jogo.

Após muita discussão, o árbitro brasileiro e o cronometrista decidiram que o jogo seguiria com o tempo que restava, ou seja, a um segundo do encerramento.

Foi nessa hora que surgiu das arquibancadas o inglês William Jones, presidente da Federação Internacional de Basquete e ordena que o cronômetro volte três segundos.

Os dois segundos a mais foi o suficiente para que a lenda Sasha Belov virasse o jogo, desta vez para os soviéticos, terminando a decisão em 51 x 50.

Em protesto pela decisão do cartola da FIBA, o brasileiro Renato Riguetto se negou a assinar a súmula e, com isso, a partida nunca teve um fim oficial.

As medalhas de prata jamais foram aceitas pela delegação americana.       

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona), Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik)

A troca de medalhas

A troca de medalhas

Aurélio Miguel Fernandez começou a lutar judô aos três anos de idade. Sempre levou a sério o propósito de ser um judoca e fez vários estágios no Japão, berço do esporte.   

É paulista e, como o sobrenome sugere, filho de espanhóis. Poucos meses antes da Olimpíada de Seul/1988, um emissário espanhol fez a proposta de 5 mil dólares mais casa, comida e quimono lavado para que lutasse defendendo a terra dos pais. Decidiu abdicar dos dólares espanhóis para ficar com o ouro para o Brasil na categoria pesado.

Nem por isso deixou de fazer homenagem aos pais. No seu quimono, na parte de cima estava bordado “Aurélio Miguel”, quase o nome de seu pai – Aurélio Miguel Marin. Na calça, tinha “Aurélio Fernandez”, nome da mãe – Maria Catalina Fernandez – que havia falecido dois anos antes. Foi a ela que Aurélio Miguel dedicou a medalha.

Em 1996, em Atlanta, o ouro não se repetiu. Subiu ao pódio desta vez para receber o bronze na categoria meio-pesado. Após a festividade de premiação, acariciando sua conquista, Aurélio observou a inscrição half-heavy-weight, nome de sua categoria em inglês. Ao lado, porém, o peso denunciava o engano: 72kg, que é o  limite para a categoria feminino. A medalha masculina deveria ter 95kg.

Esperou que o Comitê Organizador reparasse o engano. Como isso não se resolveu, tratou pessoalmente de receber o que lhe era por direito e procurou na Vila Olímpica a italiana Yelena Scapin, que estava de posse da medalha de bronze masculina e fizeram a troca.

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik)

A prata e a decepção

A prata e a decepção

O segundo lugar no voleibol masculino, em Los Angeles/1984, batizou, para sempre, uma geração como sendo “de prata”. Se, por um lado, era positivo ver o resultado de um país que nunca tinha ido tão longe no vôlei, por outro, era a sensação do brasileiro de que o segundo lugar é o “primeiro dos últimos”.

Quem incorporou a primeira tendência foi Bernard, que no pódio balançava a bandeira brasileira enquanto era tocado o hino americano, país que venceu o ouro olímpico naquela categoria.

Já o semblante de insatisfação era todo o de Badalhoca. Mostrou-se arrasado com a derrota. Ao receber sua medalha, retirou-a do pescoço e enfiou no bolso do agasalho, sem nem ao menos olhar para ela.  

Dados de pesquisa: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik)

Potiguares Olímpicos (2) / Polo Aquático na Antuérpia

Potiguares Olímpicos (2) / Polo Aquático na Antuérpia

O trabalho de pesquisa pode provocar falha, em especial quando não esgota completamente um determinado tema ocasionado por um erro não intencional. Muito embora o responsável por este Blog tenha feito exaustivas pesquisas orais e documentais, porém, infelizmente, dois nomes não compuseram o elenco de atletas potiguares olímpicos citados na postagem de ontem. Tão logo esses nomes foram revelados após a divulgação da postagem original, por dever de justiça, na primeira oportunidade imediata trazemos a necessária correção.

Além dos nomes referidos ontem, o Rio Grande do Norte colaborou com mais dois de seus filhos como atletas e partícipes de Jogos Olímpicos. Suzana Silva, nascida na praia da Redinha, em Natal, fez parte da seleção brasileira feminina que disputou as Olimpíadas de Sidney/2000, e que terminou o torneio em quarto lugar.

O outro potiguar olímpico é o natalense Marcos Macedo, que focou a classificação para uma final olímpica nos 100m borboleta na Rio/2016, a ponto de trancar a faculdade de medicina na UFRN. Uma infecção atrapalhou os planos e o ritmo dos treinamentos, mas ele esteve na piscina olímpica.

Feito o registro, reparado está o vício involuntário, com as escusas do Blog do Kolluna para com os dois personagens e os leitores do Blog.

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Na Olimpíada/1920, portanto, há 101 anos, o Brasil levou um selecionado de jogadores de pólo aquático para participar dos jogos na Bélgica e que era representado pela elite de nadadores cariocas, tendo o Jornal do Brasil, à época, considerado que não era temeridade ou exagero afirmar que dificilmente seria batido. 

Ocorre que, ufanismo à parte, nossa primeira partida internacional somente foi jogada a caminho da Olimpíada, quando o navio que levava a delegação atracou na Ilha da Madeira e, contra um time local, o Brasil venceu por 12x0. Em Lisboa, uma nova partida amistosa e o placar se repetiu em favor do grupo verde-amarelo. Já na Bélgica, 5x1 contra uma equipe da casa e 3x2 contra a Grécia, antes da estréia.

A competição foi iniciada contra a França, em uma piscina a três graus, que os irreverentes brasileiros chamaram de “geladeira”. A partida terminou empatada no tempo normal, e pelo regulamento, teve uma prorrogação para definir o vencedor. Mesmo com os jogadores exaustos e num frio que nunca antes tinham sentido, foram heróis e venceram por 5x1.

No dia seguinte, com os jogadores esgotados, a equipe brasileira sucumbiu diante da Suécia por 7x3, indo por água abaixo as pretensões do water polo nacional.

Dados de pesquisa para a segunda parte da postagem: Brasileiros Olímpicos (Lédio Carmona, Jorge Luiz Rodrigues e Tiago Petrik).

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