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Potiguares Olímpicos

Potiguares Olímpicos

Hoje se iniciam os Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão. A competição chega a sua 32ª edição após o adiamento do ano passado em razão da pandemia do Covid 19. O Rio Grande do Norte estará representado no surfe e no handebol feminino.  

Ítalo Ferreira, 27 anos, é natural de Baía Formosa e um dos atletas brasileiros com chances de medalha no surfe, na primeira vez que este esporte estará numa olimpíada. É o reconhecimento como esporte de alto rendimento. Foi campeão mundial em 2019 e estreará nas ondas da praia de Tsurigasaki no dia 25 de julho, em bateria que conta ainda com o francês Michel Bourez, o local Hiroro Ohhara e o argentino Leandro Usuña.  

Samara Vieira, 29 anos, nascida em Natal é uma das integrantes da equipe de handebol feminino que vai a busca do sonho da medalha olímpica. Destacou-se nos Jogos Estudantis do Rio Grande do Norte – JERNs, com 12 anos, jogando pelo Colégio Sagrada Família e atualmente é jogadora do HC Dunãrea Brãila, da Romênia, tendo antes jogado por clubes da Espanha, Hungria, Itália, Alemanha e Turquia. Samara foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima/2019. A estreia do handebol feminino será no dia 24 de julho, às 23h, contra a Rússia. 

Ítalo e Samara são nomes que se incorporam a um pequeno grupo de potiguares que participaram em uma edição dos jogos olímpicos. Como atletas, os nomes de Magnólia Figueiredo (atletismo), Vicente Lenilson (atletismo), Virna Dias (voleibol) e Oscar Schmidt (basquete) saltam aos olhos como expoentes do esporte potiguar presente em jogos olímpicos.

Magnólia, nascida em Natal, esteve nos Jogos de Seul/1988, Barcelona (1992), Atlanta (1996) e Atenas (2004), quando tornou-se a mais antiga atleta do atletismo nacional a participar dos Jogos Olímpicos, aos 41 anos.

Vicente Lenilson, potiguar de Currais Novos, integrou a equipe de revezamento 4x100 nos jogos de Sidney/2000, Atenas/2004 e Pequim/2008, ganhando uma medalha de prata em Sidney/2000 e uma de bronze em Pequim/2008.

Virna Dias, nascida em Natal, foi titular absoluta da equipe de voleibol feminino nos jogos de Atlanta/1996, Sidney/2000 e Atenas/2004, sendo bronze nessas duas últimas edições.

Oscar Schmidt também nasceu em Natal, foi para os jogos de Moscou/1980, Los Angeles/1984, Seul/1988, Barcelona/1992 e Atlanta/1996, com três 5º lugares, um 6º e um 9º.  

Franklin de Sá Bezerra foi o primeiro árbitro potiguar a participar de Jogos Olímpicos, em Moscou/1980, no voleibol. Também participou em Los Angeles/1984 e Seul/1988 e como membro da Federação Internacional em Barcelona/1992. Franklin faleceu em dezembro/2018.

Murilo Cavalcanti Cabral foi designado o primeiro árbitro de tênis de mesa da América Latina, em 1978, e esteve presente como árbitro nos Jogos Olímpicos de Seul/1988 (quando o tênis de mesa estreou em Olimpíadas), 1992 (Barcelona) e Atlanta/1996. 

Esclareço que estamos falando de potiguares de nascimento. Se fôssemos incluir os potiguares por adoção, teríamos os nomes da atleta de vôlei de praia Juliana Silva (paulista de Santos) e do nadador Bruno Fratus (carioca de Macaé), mas que residiram em Natal por algum tempo. 

Temos ainda o caso do nadador Leonardo de Deus, nascido em Campo Grande/MS, recordista Pan-Americano e que disputa a prova dos 200 metros borboleta. Vai para a sua terceira olimpíada e é filho de uma natalense.   

Entre os potiguares que não estiveram diretamente envolvidos em competições como atletas, árbitros ou não atletas podemos incluir, ainda, o jornalista e narrador Diego Dantas, que estreou no SporTV exatamente nos jogos olímpicos do Rio/2016 e narrou competições de ciclismo, esgrima, levantamento de peso, polo aquático, nado sincronizado e pentatlo moderno.

O Blog do Kolluna reconhece a expressiva participação de cada um desses potiguares olímpicos e deseja sorte e sucesso aos nossos genuínos ou adotivos competidores em Tóquio.   

A fuga de Felipão

A fuga de Felipão

Somente aqueles mais atentos a detalhes observam que no vasto e vitorioso curriculum de Luiz Felipe Scolari consta uma curiosa passagem pelo Coritiba/PR, em 1990.  Naquele ano, Felipão dirigia a Seleção do Kwait após ter sido campeão gaúcho pelo Grêmio em 1987. Seu amigo Levir Culpi indicou e o clube paranaense fez proposta para repatriá-lo. Ocorre que o time disputava a Série B, com jogadores pouco comprometidos e afundava em direção a terceira divisão do futebol nacional.

“Ele desanimou quando viu a situação. Eram jogadores acostumados a receber o bicho molhado (pagamento do prêmio em dinheiro após o jogo) que não recebiam mais e que queriam deixar o clube, serem negociados”, disse o ex-presidente João Jacob Mehl.

Na sua estreia, perdeu de 2x0 do Juventude, fora de casa. Na segunda partida, também fora, nova derrota, desta feita para o Joinville, por 4x0. No primeiro jogo em casa, a derrota mais uma vez atravessou o seu caminho: 2x0 para o mesmo Juventude.

Ao fim da partida, o treinador atravessou o campo e foi cumprimentar os adversários. E não voltou mais ao vestiário do Coritiba. Quando o pessoal do seu clube foi atrás dele descobriram que Felipão tinha entrado no ônibus do Juventude e voltado de carona para Caxias do Sul.

Não cobrou salário pelas três semanas que treinou o Coritiba, mas também nunca explicou a fuga no ônibus do adversário.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: Guia Politicamente Incorreto do Futebol (Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior)

"Rosemary", o irmão do "Wanderléa"

"Rosemary", o irmão do "Wanderléa"

Ano de 1968. O Cruzeiro estava nas cabeças como um dos maiores destaques do futebol brasileiro. Raul Plassman, no clube desde 1965, era tricampeão mineiro (1965, 1966 e 1967) e já tinha certa moral junto à diretoria.

Então, a sombra de Raul, chegou à Toca da Raposa o seu irmão Juarez Plassman, 19 anos, para treinar no juvenil.

Nem bem desembarcou e assim que a torcida atleticana descobriu passou a chamar o garoto de “Rosemary”, com a ternura típica dos gozadores que já imortalizavam o irmão famoso com o apelido de “Wanderléa”, ambas cantoras de sucesso na Jovem Guarda.

Foi muito para o jovem atleta que, achando-se surpreso com o clima antidesportivo dos mineiros, fez as malas e voltou para Curitiba, sua terra natal.  

Não quis mais saber de futebol e passou a ser adepto de outros esportes como motocross e motovelocidade, chegando a ser campeão brasileiro em 1975, e depois tornou-se ultramaratonista.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: Jornal do Brasil, de 18.07.1968, pág. 21.

O marujo, a pipa e a Copa

O marujo, a pipa e a Copa

A Copa de 1982 é, para o brasileiro, o maior exemplo do saudosismo do futebol arte, emblema da seleção nacional até o início dos anos 2000, quando passamos a copiar o futebol europeu e a transpiração passou a ser mais importante do que a inspiração.

Naquela Copa, além do belo futebol, outro espetáculo acompanhou os jogos da seleção nacional. Estava circulando pela Europa o navio Custódio de Mello, da Marinha do Brasil, cuja tripulação atracou em Barcelona e compareceu aos jogos levando o batuque e as marchinhas brasileiras a animar a torcida e contagiar todo o estádio.   

Se o futebol brasileiro e a charanga do navio eram dois espetáculos, um terceiro se fez surgir. “Birra”, um marinheiro criado em Madureira, levou também uma pipa construída com papel de seda verde-amarela, varetas de coqueiro, linha e rabiola e passou a empiná-la faceira sobre os jogadores, com loopings arrojados, rasantes aventureiros, atraindo os olhares e as câmeras e fazendo o mundo esquecer, temporariamente, o jogo.

E a evolução da pipa não se limitou ao céu espanhol. Por vezes aterrissou, atrevidamente, no gramado, e ao sentir a presença de alguém, tornava a levantar voo dando um autêntico drible, ou melhor, um “olé”, em quem tentava pegá-la. A perícia do marujo condutor arriscou até a perseguir o árbitro iugoslavo Damir Matovinovic, enquanto os espectadores, perplexos, riam das acrobacias.

A exibição se deu na última partida da fase preliminar, contra a Nova Zelândia, porém, a FIFA se incomodou com a curiosa improvisação brasileira e não permitiu que a pipa acompanhasse a seleção na segunda fase, por considerar que prejudicava o andamento do jogo, perturbando a concentração do árbitro e dos jogadores, embora, isso não constasse das normas do Regulamento da competição, nem o Comitê Organizador da XII Copa do Mundo previsse essa vedação.

A pipa verde-amarela do marujo Birra é parte do folclore das histórias das Copas e do torcedor saudoso daquele curioso episódio.   

Na foto que acompanha a postagem, Serginho corre acompanhado por três neozelandeses, enquanto a pipa prepara o seu rasante com precisão.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: Futebol e outras histórias (João Saldanha); Jornal do Brasil, de 24.06.1982, Editoria de Esportes, pág. 02.

Paulo Roberto Falcão versus Ricardo Teixeira

Paulo Roberto Falcão versus Ricardo Teixeira

A passagem de Paulo Roberto Falcão como treinador da seleção brasileira de futebol durou de setembro/1990 a julho/1991. Foram 06 vitórias, 07 empates e 03 derrotas, saindo após perder a Copa América, no Chile, para a seleção local.

Falcão substituiu Sebastião Lazaroni, após o fracasso da Copa/1990, e foi sucedido por Carlos Alberto Parreira, que conquistou o título da Copa/1994.

Ao longo dos 10 meses em que esteve à frente do escrete nacional, o treinador não seduziu a torcida, nem a imprensa nacional, embora, vaidoso e sempre bem vestido, tenha introduzido à beira do gramado o uso de paletó e gravata, situação inédita por esses trópicos e que levou a língua ferina do jornalismo esportivo dizer que tentava imitar o então treinador Franz Beckenbauer, campeão com a Alemanha no mundial da Itália e que assim trajava nos jogos de sua seleção.        

Na verdade, com o cada vez mais crescente êxodo dos jogadores brasileiros para jogar na Europa, Falcão foi obrigado a montar um time genuinamente nacional, dando oportunidade a nomes que, certamente, o torcedor nem lembra mais que um dia atuaram pela seleção, como Silvio (atacante), Gil Baiano (lateral-direito), Donizete Oliveira (volante) ou Márcio (volante). Por outro lado, deu vez a Mauro Silva e Marcio Santos, titulares na campanha do tetra em 1994, e Cafu, capitão do penta em 2002.

A oficial razão da saída do treinador foi o vice-campeonato da Copa América/1991, no entanto, a verdadeira versão é que a demissão se deu após o treinador se negar a aceitar que a lista de convocados e a escalação do time passassem pelo crivo da presidência da CBF (leia-se Ricardo Teixeira), e que os jogadores cariocas tivessem preferência sobre os paulistas.

A elegância que sobrava no treinador faltava no comando da CBF.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: Guia Politicamente Incorreto do Futebol (Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior)

Chile versus URSS. O jogo que nunca existiu

Chile versus URSS. O jogo que nunca existiu

No fim de 1973, a maioria das seleções já estavam definidas para a Copa do Mundo da Alemanha. Das 16 vagas, 15 eram ocupadas conforme a disposição da época: a anfitriã e o último campeão mundial estavam garantidos. Cabiam ainda 8 seleções europeias, 02 sulamericanas, 01 da Oceania/Asia, 01 africana e 01 da Concacaf (América do Norte e Central). A última vaga deveria ser definida numa repescagem entre a 9ª colocada do continente europeu e a 3º do continente sulamericano (*): URSS versus Chile.

Por afinidade ideológica do então presidente Salvador Allende com os soviéticos, cogitava-se que os chilenos abririam o jogo.

O golpe de Estado de 11.09.1973 mudou a história. Allende cai e o Chile passa a ser governado por Augusto Pinochet. O primeiro jogo, em Moscou, agendado para 26.09, foi realizado com os dois países rompidos diplomaticamente. Os soviéticos cancelaram as passagens aéreas da delegação chilena na Aeroflot, sendo somente resolvido com a intervenção do cônsul chileno na Alemanha. Tanto na ida, como na volta, os jogadores chilenos viajaram desgarrados, de improviso, alguns individualmente. A partida teve a arbitragem do brasileiro Armando Marques que soube conduzir um jogo sob tensão e que terminou em 0x0, em magistral apresentação da dupla de zaga Figueroa-Quintano. Sequer houve a tradicional troca de flâmulas pelos capitães.  

A segunda partida estava marcada para 21.11.1973, no Estádio Nacional, em Santiago, local que servia de prisão e execução de presos políticos pelo regime Pinochet. O governo russo, longe de ser um baluarte na defesa dos direitos humanos, avisou que:

“Por considerações morais, os esportistas soviéticos não podem jogar nesse momento no estádio de Santiago, salpicado de sangue de patriotas chilenos”.

Os soviéticos não viajaram à Santiago. O governo chileno ignorou a ausência e convidou o Santos, já sem Pelé, para garantir um espetáculo qualquer.

Sem adversário e sob o testemunho de 25 mil pessoas, o árbitro austríaco Erich Linemayr cumpriu o protocolo e apitou o início da partida com apenas os chilenos em campo, que saíram tocando bola lentamente até a área oposta, quando o capitão Francisco Valdés chutou contra o gol vazio. Fim daquele “jogo”, abrindo espaço para o outro, com o Santos, que venceu de 5x0. 

O WO da URSS foi mais ideológico do que humanitário. A FIFA homologou o resultado. Classificado o Chile para a Copa/1974.

A seleção da URSS não foi ao jogo, mas empreendeu excursão pelas Américas, concluindo contra o ABC de Natal, no antigo Castelão, em 18.12.1973 (**).     

O Chile entrou em campo com o a seguinte formação: Olivares; Machuca, Figueroa, Quintano e Arias; Rodrigues, Valdés e Reynoso; Caszely, Ahumada e Crisosto.

(*) Decidido num Chile 2x1 Peru, em campo neutro (Montevidéo/URU).

(**) No Brasil a seleção soviétiva jogou ainda com o Vila Nova-GO e o Operário-MT.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “La Cancha Infame: A história da prisão política no Estádio Nacional do Chile” (Maurício Brum); “45, um tempo de futebol e de um poema” (Kolberg Luna Freire)

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