Blog do Kolluna

1982 - O Primeiro Mundial de Futebol de Salão

1982 - O Primeiro Mundial de Futebol de Salão

No ano de 1982, a Federação Internacional de Futebol de Salão – FIFUSA, promoveu o 1º Campeonato Mundial de Futebol de Salão, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, em meio a uma briga política já que a FIFA ameaçava agregar também o futebol de salão. O curioso é que os presidentes das duas entidades – FIFUSA e FIFA – ambos eram brasileiros.

Naquele tempo, o esporte tinha regras bem diferentes do que hoje se tornou o futsal. Goleiro só usava às mãos e não podia sair da área, onde era soberano. Para lançar a bola a um jogador no campo adversário, a pelota tinha que primeiro bater no seu próprio campo. Não podia gol dentro da área. O lateral e o escanteio eram batidos com as mãos e havia um árbitro e dois bandeirinhas. Isso sem falar no peso da bola, o que fazia com que a modalidade fosse chamada de “esporte da bola pesada”.  

Foram dez os países participantes daquele Mundial, divididos em dois grupos de cinco, classificando-se os dois primeiros, fazendo o cruzamento olímpico e a final sendo disputada entre os vencedores das semifinais.

As transmissões foram feitas pela Rede Globo, que passava os jogos sempre no fim da noite, após o Jornal da Globo, com a locução de Luciano do Valle e reportagens de Gilson Ribeiro. Para os brasileiros, foi uma espécie de “aperitivo” para a Copa do Mundo da Espanha que iniciou sete dias após o fim do Mundial de Futebol de Salão.

Participaram desse Mundial as seguintes seleções: Argentina, Brasil, Colômbia,  Costa Rica, Holanda, Itália, Japão, Paraguai, Uruguai e Tchecoslováquia.

A campanha do Brasil na primeira fase foi: Brasil 5 x 0 Argentina, Brasil 14 x 0 Costa Rica, Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia e Brasil 5 x 1 Uruguai. Na semifinal, cruzamos com a Colômbia e o placar foi 4 x 1. A final foi contra os paraguaios, que também chegaram à final de forma invicta.

A decisão foi realizada no dia 06.06.1982, ao meio-dia, com transmissão ao vivo e o ginásio do Ibirapuera totalmente lotado, com cerca de quinze mil pessoas que ajudaram a escrever a história daquele dia e, numa partida duríssima, o Brasil foi campeão com um gol de Jackson (1x0), escolhido o melhor jogador do Mundial.  A seleção titular era formada por Beto, Walmir, Cacá, Douglas e Jackson.

Os jogadores da seleção brasileira e seus respectivos clubes, è época, eram:

Nome

Apelido

Camisa

posição

Clube

José Roberto Coelho Santana

Beto

19

goleiro

Sumov-CE

Marcelo Pazzini

Pança

20

goleiro

Gercan-SP

Alexandre Zilles

Barata

1

goleiro

Grêmio-RS

Walmir José de Almeida

Walmir

5

Central

Huracan-MG

Paulo Ladislau Rosas

Paulinho

2

Central

Gercan-SP

Paulo Cesar C. de Souza

Paulo Cesar

4

Central

América-RJ

Luiz Carlos Bezerra

Cacá

9

Ala

Sumov-CE

Jackson J.B.M. dos Santos

Jackson

12

Ala

Olympico-MG

Leonel P. de Alencar Neto

Leonel

3

Ala

Sumov-CE

Carlos Alberto Felippsen

Branquinho

8

Ala

Sumov-CE

Paulo M.S.F. Bonfim

Paulo Bonfim

10

Ala

Olympico-MG

Jorge E.F. Pinheiro

Jorginho

11

Ala

Atlântica Boa Vista-RJ

Douglas Pierroti

Douglas

13

Pivô

Gercan-SP

Carlos Alberto C. Garcia

Carlos Alberto

6

Pivô

América-RJ

Almir Franco de Lima

Miral

7

Pivô

Residência-SP

Julio Cesar Vieira Lima

Cesar Vieira

 

Treinador

 

  

Os jogadores, naquele tempo, eram semiamadores. Jackson e Walmir eram bancários, Cacá e Beto, administradores de empresas e Douglas, funcionário de um cartório. Vários desses nomes estiveram presentes em Natal na Taça Brasil de Clubes, realizada no ano de 1980 (final entre Sumov-CE x Monte Sinai-SP), bem como nos Jogos Universitários Brasileiros – JUBs, em 1984 (final entre MG x RN).

Na foto da postagem, a equipe considerada titular. Em pé: Walmir (de barba), Beto e Douglas. Agachados: Jackson e Cacá (de bigode).

Créditos de informações e imagens para criação do texto:  http://futsalclassico.blogspot.com/2013/08/i-campeonato-mundial-de-futebol-de.html; Placar Magazine.

A primeira vítima de Pelé na Seleção

A primeira vítima de Pelé na Seleção

Pelé estreou na seleção brasileira na Copa Roca de 1957 (atual Superclássico das Américas), no Maracanã, contra a Argentina. E foi neste jogo o seu primeiro gol pela seleção, batendo o goleiro Carrizo, a lenda portenha.

Amadeo Carrizo foi eleito pela Federação de História e Estatística de Futebol (IFHHS), o melhor goleiro da história da América do Sul no Século 20. Tinha uma forma peculiar de jogar, já nos anos 50, gostando de sair jogando. “Meu local de trabalho não é apenas a pequena área”, costumava dizer o arqueiro que foi o precursor do estilo de outros que o sucederam como os argentinos Hugo Gatti e Ubaldo Fillol, o colombiano René Higuita, o paraguaio José Luis Chilavert e o alemão Manuel Neuer.

Embora ídolo em seu país natal, sofreu revés ao retornar a capital argentina após a derrota de 6x1 para a Tchecoslováquia, na primeira fase da Copa do Mundo/1958 e que determinou a volta para casa mais cedo. A delegação foi recebida no aeroporto de Ezeiza com moedas e pedras lançadas pelos torcedores, e acusações de falta de empenho e badalações noturnas.

Ao chegar a sua casa, encontrou-a pichada com palavras ofensivas como traidor e mercenário. O respeito que havia construído fora esquecido. Decidiu nunca mais jogar pela seleção albiceleste.

Carrizo faleceu aos 93 anos, em 20.03.2020, trinta anos após a morte de Lev Yashin, outra lenda das balizas mundiais.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1  (Paulo Guilherme); https://veja.abril.com.br/placar/ha-60-anos-a-estreia-de-um-tal-pele-na-selecao-brasileira/

Dr Zaluar, advogado e goleiro

Dr Zaluar, advogado e goleiro

No ano passado, o milésimo gol de Pelé fez 50 anos. Em 19.11.1969, durante o jogo Vasco x Santos, pela Taça Brasil, no Maracanã, o camisa 10 do “Peixe” fez o seu milésimo gol, de pênalti, e, por tabela, colocou o nome do goleiro argentino Andrada (Vasco) no cenário mundial.

E Zaluar? Você conhece? Sabe quem foi? Pois bem! Zaluar foi  goleiro a levar o primeiro gol de Pelé. O jogo foi um amistoso em 07.09.1956, no Estádio Américo Guazelli, no ABC paulista, entre o Corinthians de Santo André e o Santos e terminou 7x1 para o “Peixe”. Zaluar havia substituído Antoninho no intervalo. O gol se deu aos 81 minutos, quando Pelé, com 15 anos e que substituiu Del Vecchio, recebeu lançamento de Raimundinho e, entre dois zagueiros, chutou forte por baixo do goleiro.

Zaluar, após encerrar a carreira, passou a atuar como advogado e, no seu cartão de visitas se apresentava, orgulhoso: Zaluar Torres Rodrigues, goleiro do 1º gol de Pelé (07.09.1956).   

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1 (Paulo Guilherme); https://terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/zaluar-1664

O goleiro que veio do frio

O goleiro que veio do frio

Lev Ivanovish Yashin começou sua vida esportiva como goleiro de hóquei no gelo dividindo sua atividade como metalúrgico. Iniciou no futebol em 1950, no Dínamo de Moscou, onde permaneceu por 20 anos e foi a única equipe que defendeu na sua vida profissional (além a seleção da União Soviética). Em 1956, foi campeão olímpico em Melbourne, a primeira grande conquista da seleção soviética. Em 1958, a URSS participou de sua primeira Copa do Mundo e quis o destino que caísse no grupo do Brasil (mais Inglaterra e Áustria). O acaso foi mais cruel com Yashin, que já se consagrava como um grande goalkeeper, ágil, com habilidade nos pés e rápido nas saídas de bola. Foi justamente contra a URSS que estrearam Pelé e Garrincha em Copas do Mundo. Em sua biografia, o goleiro disse que de todas as 438 partidas que disputou o jogo contra o Brasil, em Gotemburgo, foi o que mais lhe marcou.

Em 1960, em pleno auge da guerra fria, a URSS foi a primeira vencedora do Campeonato Europeu de Seleções, mais tarde popularizado como Eurocopa, tendo os comunistas utilizado o evento para demonstrar a força da “Cortina de Ferro”.

Yashin jogava com um uniforme todo preto, e em razão de sua agilidade passou a ser chamado de “o aranha negra”. Costumava dizer que o goleiro para ser frio e eficiente deveria, antes de cada partida, fumar um cigarro e tomar uma dose de vodka para acalmar os nervos e tonificar os músculos.

Em 1963, ganhou a “Bola de Ouro”, oferecida pela revista France Football, sendo o único goleiro até hoje a ganhar este prêmio. Em 1966, a URSS fez sua melhor apresentação em Copas ficando em quarto lugar. Esteve no México, em 1970, mas não jogou por estar machucado. Despediu-se do futebol em 27.05.1971, com a sua indumentária negra a defender o gol do Dínamo contra uma seleção do mundo que contava com Eusébio, Gerd Muller e Bobby Charlton.   

Morreu em 1990, foi enterrado com honras de chefe de Estado (Há controvérsia sobre a data da morte, se 20 ou 21 de março).

No ano de 2000, a FIFA elegeu Yashin, o “Aranha Negra”, o goleiro do Século 20.  

Marinho Chagas humilha o goleiro tcheco

Marinho Chagas humilha o goleiro tcheco

Em julho/1977, o Fluminense rumou a Europa para disputar partidas amistosas na França e o tradicional Torneio Teresa Herrera, em La Coruña/ESP. Na estreia em Paris, uma boa partida com o PSG que terminou em 1x1, com gol e uma aula de bola de Marinho. Em Nice, a “Bruxa” jogou tênis com o prefeito da cidade e depois venceram o Olympique, por 2x1, gols de Marinho e Doval. Por último, o Ajaccio foi goleado por 5x2. Seguiram para a Espanha e, em pleno verão europeu, estrearam no torneio vencendo o Feyenoord/HOL por 2x0, gols de Luiz Carlos e Doval. Credenciados à final, enfrentaram o Dukla de Praga, com seis integrantes da seleção da Tchecolosváquia, campeã europeia no ano anterior e que havia eliminado o Real Madri. Outro passeio tricolor. Luiz Carlos abriu o placar, Doval fez o segundo, Zezé o terceiro. O Dukla fez o seu de honra, de pênalti. Então o espetáculo virou show de humor. Kleber foi derrubado na área, pênalti para o Flu. Marinho se habilita para cobrar. Correu para a bola e, fez a paradinha, enquanto o goleiro se jogava num canto. Com calma, o lateral fez que ia cobrar o lado oposto, e o goleiro, numa grande recuperação, levantou-se o pulou como um gato na outra direção. Marinho novamente brecou e tocou mansa para o lado inteiramente livre.  O juiz anulou, enquanto o estádio era só sorriso. Marinho ajeita a bola outra vez, corre para a bola e na hora de chutar, chuta o ar e faz um giro sobre ele mesmo, deixando o goleiro incrédulo e estático, e ao fazer 360 graus, toca para o gol. Novos risos e nova anulação do gol. O goleiro, então, passou a xingar a “Bruxa” em sua língua natal, o que fez Marinho, na terceira cobrança, chutar um foguete, sem que o arqueiro esboçasse reação. Fluminense 4x1, campeão do Teresa Herrera/1977, com uma exibição de gala da máquina tricolor.

Na foto que ilustra a postagem, o Fluminense de 1977. Em pé: Wendell, Miranda, Miguel, Edinho, Pintinho e Marinho. Agachados: Luiz Carlos, Doval, Rivelino, Rubens Galaxie e Zezé.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “O Maquinista” (Marcos Eduardo Neves); “A Bruxa e as vidas de Marinho Chagas (Luan Xavier)

Oswaldo Brandão justifica a barração de Raul

Oswaldo Brandão justifica a barração de Raul

Para a disputa da Copa América de 1975 - que não era jogada nos moldes atuais, mas ainda com jogos de ida e volta -, a velha Confederação Brasileira de Desportos montou uma seleção formada por jogadores de clubes de Minas Gerais, contando com o goleiro Raul, o lateral Nelinho, o tricampeão mundial Wilson Piazza, o atacante Palhinha e o experiente Dirceu Lopes, mais os reforços de Luis Pereira, zagueiro do Palmeiras; Amaral, zagueiro do Guarani de Campinas; o meia Geraldo, do Flamengo, e o atacante Roberto “Dinamite”, do Vasco. O técnico era Oswaldo Brandão.

Na primeira fase, quatro vitórias da seleção mineira/nacional contra Argentina (2x1 e 1x0, Mineirão e Rosário) e Venezuela (4x0 e 6x0, Caracas e Mineirão).

Na segunda fase, o Brasil enfrentou o Peru, com o primeiro jogo no Mineirão. O dia foi feliz para a seleção de Cubillas, Oblitas e Chumpitaz que venceu o jogo por 3x1. Em contraponto, Raul fez aquela que talvez tenha sido sua partida mais desastrosa com a camisa da seleção, tendo falhado nos três gols peruanos.

Para o jogo em Lima/Peru, Oswaldo Brandão convocou o Waldir Peres, goleiro do São Paulo. Raul sentiu que havia perdido a condição de titular, mas, como bom profissional, se manteve lúcido e acompanhou o grupo sem demonstrar insatisfação.

Na véspera do jogo, após o jantar no próprio hotel onde estava hospedada a seleção, o goleiro Raul estava no quarto quando chegou o massagista Nocaute Jack com o seguinte recado: “Raul, Seu Brandão quer falar com você lá no quarto dele”.

Raul seguiu até lá com a certeza de que levaria uma bronca e a comunicação de que estaria barrado.

Ao chegar, foi recebido com simpatia pelo treinador que fecha a porta e pega uma garrafa de whisky escocês e dois copos. Brandão era, reconhecidamente, um apreciador de um puro malte sem gelo. O goleiro agradeceu a oferta, mas o treinador foi taxativo: “Deixa disso, o chefe aqui sou eu, não tem problema, você é um bom rapaz”.

A bebida foi sendo consumida enquanto a noite passava e a conversa seguia entre os dois sobre vários assuntos, como duas pessoas inteligentes e cultas. O amanhã, que era o dia do jogo, estava aparentemente esquecido.

Após algum tempo, Raul preocupado com o dia seguinte, já pensava que toda aquela cena servia para distraí-lo, fez menção de despedir-se do treinador e seguir ao seu quarto para o descanso. Agradeceu as generosas doses da bebida e o bom papo, apertaram as mãos, trocaram um abraço e dirigiu-se para a porta. Ao abrir maçaneta, ouviu o treinador falar com sua voz de trovão:

“Meu goleiro, você bebeu a noite inteira. Assim não tem condição. Quem joga amanhã é o Waldir”. E deu um breve aceno com a cabeça.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “Histórias de um goleiro” (Raul Plassman e Renato Nogueira); https://youtu.be/2E35CvR10Mc.

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