Blog do Kolluna

A curiosa numeração da seleção na Copa de 1958 e o incógnito benfeitor

A curiosa numeração da seleção na Copa de 1958 e o incógnito benfeitor

Àqueles mais observadores já notaram, nas turvas imagens em preto e branco dos jogos da Copa de 1958, a curiosa numeração das camisas dos atletas e que não são compatíveis com a posição que cada um exercia em campo.   

Garrincha com a camisa 11? Zagallo com a camisa 7? Didi, que no Botafogo usava a 8, vestiu a 6. Gilmar, na época do Corinthians, ganhou o número 3 na sua camisa de goleiro! O alvinegro Nilton Santos ficou com a 12.

O quarto-zagueiro Orlando, do Vasco, vestiu a 15, enquanto seu reserva, Zózimo, do Bangu, ficou com a 9, tradicionalmente usada pelos centroavantes, que em 1958 foram o vascaíno Vavá (20) e o palmeirense Mazzola (18).

Qual a razão dessa numeração ser diferente da convencional?

Zagallo não garante, mas tem uma explicação para a numeração dada às camisas na Copa da Suécia.

– Havia uma numeração nas malas com que viajamos. Lembro que me deram a mala com o número 7. A do Pelé era a 10. Os números das camisas seguiram os números das malas.

Por décadas, a antiga CBD manteve a versão de que a FIFA havia feito a imposição daquela esdrúxula numeração.    

A verdade é que coube a um uruguaio o enigma da numeração diferente: O Sr. Lorenzo J. Vilizio, então representante da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) no comitê organizador da FIFA.

A ficha de inscrição da seleção brasileira chegou incompleta ao comitê organizador, sem constar a numeração das camisas que os atletas usariam em campo, e aquilo poderia custar, pasmem, a eliminação da seleção antes mesmo da Copa começar.

Então o Sr Vilizio, em um gesto solidário com os irmãos sul-americanos, pegou sua caneta e saiu numerando os jogadores a sua maneira, sem usar qualquer critério. A rigor, só acertou dois números. Dino Sani (volante) com a 5 e Pepe (ponta-esquerda reserva) com a 22, pois embora Castilho usasse a numero 1, não foi o goleiro titular. Por outro lado, sem querer, ajudou a eternizar a mística da camisa 10.      

Segue o elenco campeão de 1958 e a diferente numeração de cada um:

Castilho (Fluminense) - Goleiro - 01

Bellini (Vasco) – Zagueiro – 02

Gilmar (Corinthians) – Goleiro – 03

Djalma Santos (Portuguesa) – Lateral – 04

Dino Sani (São Paulo) – Volante – 05

Didi (Botafogo) – Meia – 06

Zagallo (Flamengo) – Atacante – 07

Oreco (Corinthians) – Lateral – 08

Zózimo (Bangu) – Zagueiro – 09

Pelé (Santos) – Atacante – 10

Garrincha (Botafogo) – Atacante – 11

Nilton Santos (Botafogo) – Lateral – 12

Moacir (Flamengo) – Meia – 13

De Sordi (São Paulo) – Lateral – 14

Orlando (Vasco) – Zagueiro – 15

Mauro (São Paulo) – Lateral – 16

Joel (Flamengo) – Atacante – 17

Mazolla (Palmeiras) – Atacante – 18

Zito (Santos) – Volante – 19

Vavá (Vasco) – Atacante – 20

Dida (Flamengo) – Atacante – 21

Pepe (Santos) – Atacante - 22  

Créditos de informações e imagens para criação do texto: www.cbf.com.br; www.sambafoot.com; https://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/fj2906200827.htm

A exibição de Cruyff no Brasil em 1976

A exibição de Cruyff no Brasil em 1976

Em 1976, o Fluminense tinha como presidente o Juiz de Direito Francisco Horta, motivando o futebol carioca com o troca-troca entre jogadores com Flamengo, Vasco e Botafogo e criando uma nova forma de negociação entre as equipes.

Entretanto, em campo o Flu foi eliminado das finais da Taça Guanabara. Fora do primeiro turno do Carioca, Horta tratou de manter a animação do futebol cuidando de trazer o astro Johan Cruyff, então no Barcelona/ESP, para dois jogos de exibição no eixo Rio-São Paulo. A ideia eram dois amistosos entre combinados brasileiros e estrangeiros.

Feita a proposta ao holandês, este aceitou, mas fez exigências. Vinha com a esposa e mais três casais de amigos e de Concorde, última geração de aviões da Air France. O Fluminense era chamado de “A Máquina”, pelo belíssimo futebol apresentado e as estrelas no seu elenco. Horta foi à companhia aérea francesa e sugeriu a propaganda gratuita: "Viaje pela Air France: a máquina”. Recebeu os oito bilhetes de vinda e volta. Ligou para o proprietário do Hotel Nacional e conseguiu a cortesia para o casal Cruyff e 50% para os amigos.

Após a chegada, no comboio que levava as oito pessoas e mais os dirigentes que foram buscar o astro holandês, se percebeu que simpatia não seria o forte do casal durante a estada no país. A modelo internacional Tina, esposa de Cruyff, reclamou da favela da Maré ao deixar o Galeão. Já no Hotel Nacional, embora hospedados na melhor suíte, não gostaram dos aposentos, pois não tinha banheira. Exigiram ir para Copacabana e Horta teve que negociar com o Hotel Meridien para receber os holandeses.

O Brasil participava do Torneio Bicentenário dos EUA e as principais peças estavam a serviço da seleção. Os jogadores convocados para os jogos de exibição receberam um cachê bem inferior ao destinado a Johann Cruyff. Carlos Alberto Torres se negou a jogar na seleção Rio-São Paulo em face do valor a ser pago aos brasileiros, inferior aos estrangeiros. Justificou dizendo que o futebol brasileiro era o único tricampeão mundial e o jogador deveria valorizar-se.   

Na primeira partida (02.06), no Morumbi, Cruyff comandou o time de estrangeiros e abriu o placar com um chute da intermediária. A partida terminou em 1x1. Na segunda apresentação (06.06), no Maracanã, vitória dos brasileiros por 2x1 com gols de Rodrigues Neto e Ziza, enquanto Doval descontou para os de fora. Neste jogo, o holandês jogou somente o primeiro tempo e, no intervalo, correu para o Galeão para pegar o Concorde de volta. Foram 11 dias no Brasil, trinta mil dólares na bagagem e quase nenhum futebol a ser mostrado.

Mais explorado do que o mero passeio de Cruyff pelo Maracanã no segundo jogo foi a indignação da imprensa esportiva com o fato do combinado brasileiro ter jogado com uma réplica do uniforme oficial nacional, sem o escudo da CBD.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “O Maquinista” (Marcos Eduardo Neves); Jornal dos Sports; Jornal “O Globo”.

Algumas lembranças de Níldemes Antunes

Algumas lembranças de Níldemes Antunes

Níldemes Antunes de França nos deixou no último dia 30 de julho. Ele carregou por toda a vida o apelido de “Piolho”, pois ao tempo em que foi central de futebol de salão era considerado um marcador implacável. Foi atleta da chamada “bola pesada” numa época em que o esporte ganhou corpo em Natal e as pelejas jogadas no recém-inaugurado Palácio dos Esportes juntava gente para ver. Jogou no ABC, Bola Preta e Seleção do Rio Grande do Norte. Ainda enquanto atleta, começou o ofício de arbitrar partidas, seja na quadra, seja no campo. Como juiz de futebol e de futebol de salão apitou Jerns, Jurns, Jubs, mundial universitário em SP/1984, antigos campeonatos de praia, Copa Ruben Massud, Matutão, Copa Arizona, Campeonatos Estaduais e Brasileiros, Copa do Brasil das duas modalidades. Seu período no apito foi nas décadas de 1970 e 1980.

Como atleta, árbitro e mesmo após encerrar a carreira, gozou de grande prestígio junto à classe esportiva. Embora seja uma atividade onde tudo converge para que o juiz do jogo seja o alvo das mais severas críticas, Níldemes soube bem transitar e a lembrança que se tem dele, no mundo do esporte, era de ser um verdadeiro mediador, coerente, educado, neutro.

Contudo, não há um árbitro de futebol que não tenha se envolvido em uma polêmica. Isso é fato. Talvez a maior delas, em sua carreira, tenha sido em 25.04.1987, quando durante um ABC x Riachuelo, pelo Campeonato Estadual, acertou um soco no meio-campo Dedé de Dora (ABC). Justificou que agrediu primeiro para não ser agredido, uma vez que o atleta partiu para cima dele após ser expulso de campo. No mínimo, a situação ganhou contornos de curiosidade, haja vista que não é comum um árbitro tomar a iniciativa de iniciar um embate físico em campo.

Em outra ocasião, em 03.06.1982, às vésperas do Castelão completar seu décimo aniversário, Alecrim x Riachuelo jogaram pela abertura do 3º turno do Estadual. A imprensa da época teceu críticas por conta de dois pênaltis claros que não foram marcados contra o Alecrim. No dia seguinte, mostrando sua grandeza moral, Níldemes falou a Coluna “Numeradas”, do jornalista Everaldo Lopes (Diário de Natal), justificando o seu erro em razão da chuva intensa que caía naquela noite, o que prejudicou sua visão. “Não era o meu dia. Assumo meus erros”, disse prontamente.

Em maio/1984, expulsou de campo o lateral-direito Leandro (Flamengo), por ofensas morais, numa partida amistosa contra a Seleção do RN. O então técnico do time carioca, Cláudio Garcia, e o fisicultor José Roberto Francalacci entraram em campo para reclamar e Níldemes, incontinenti, “mandou os dois também para o chuveiro”. O Flamengo quis fazer drama e não voltar para o segundo tempo, mas, voltou, afinal, o árbitro não revolveu a sua decisão.    

No descortinar do ano de 1985, Níldemes, em atitude corajosa, enfrentou riscos e denunciou um suborno ocorrido durante um torneio interiorano promovido pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol de Salão da época, implicando na indicação de árbitros e dirigente envolvidos.

O que poucas pessoas sabem é que Níldemes Antunes de França, além de ex-jogador e árbitro de futebol de salão, também foi árbitro de basquete.

Após deixar as quadras e campos, trabalhou como administrador do Estádio Machadão e do Ginásio Palácio dos Esportes. Aliás, o ginásio “é a cara” de Níldemes.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Ribamar Cavalcante e Diário de Natal       

Eles foram para o chuveiro mais cedo

Eles foram para o chuveiro mais cedo

Em toda história de participações da seleção brasileira de futebol em Copas do Mundo, 11 (onze) jogadores foram para o chuveiro mais cedo.

Há de se considerar, porém, que oficialmente os cartões amarelo e vermelho somente foram instituídos na Copa do México, em 1970, e o primeiro vermelho foi aplicado na Copa de 1974, ao chileno Caszely. Porém, desde a primeira Copa os juízes estavam autorizados a expulsar os jogadores que, de alguma forma, desrespeitassem as regras dentro das quatro linhas.

Em relação aos jogadores brasileiros, em 1938, na Copa da França, Zezé Procópio e Machado foram expulsos no empate de 1x1 contra a TchecoEslováquia na partida considerada a mais violenta das Copas (dois jogadores tchecos saíram do campo para o hospital com fraturas na clavícula e perna). Em 1954, Nilton Santos e Humberto foram eliminados do jogo contra a Hungria, na “Batalha de Berna”, quando fomos derrotados por 4x2. Em 1962, Garrincha foi expulso na semifinal contra o Chile (4x2), mas o árbitro não relatou na súmula. O zagueiro Luiz Pereira foi o primeiro brasileiro a receber o cartão vermelho, em 1974, na derrota contra a Holanda (0x2). Uma nova expulsão somente viria a ocorrer em 1990, na derrota para a Argentina (0x1), com Ricardo Gomes. Na Copa seguinte, nos EUA, o lateral-esquerdo Leonardo foi expulso no jogo contra os donos da casa e vitória brasileira por 1x0. Um novo salto na história e apenas em 2002 outro jogador brasileiro foi mandado para o chuveiro mais cedo: Ronaldinho Gaúcho, contra a Inglaterra. Em 2010, o Brasil repetiu o feito de 1938 e 1954 e teve dois jogadores expulsos numa edição de Copa do Mundo. Kaká, na vitória contra Costa do Marfim e Felipe Melo, na eliminação contra a Holanda.   

A seleção brasileira é a recordista em expulsões em Copas do Mundo, seguida das seleções argentina e uruguaia, com 10 e 9 expulsões, respectivamente. 

Na foto que ilustra a postagem, Luiz Pereira é o 1º brasileiro a receber, oficialmente, o cartão vermelho em Copas do Mundo, aplicado pelo árbitro germânico Kurt Tshensher e sob os olhares de Roberto Rivelino, Johann Cruyff, Rudd Kroll e Arie Haan, ao fundo.         

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Revista Placar e  https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_cart%C3%B5es_vermelhos_na_Copa_do_Mundo_FIFA

O último jogo do "Furacão da Copa" pelo Botafogo foi na terra da scheelita

O último jogo do "Furacão da Copa" pelo Botafogo foi na terra da scheelita

No segundo semestre do ano de 1981, Jairzinho voltou ao Botafogo/RJ, com 37 anos, após temporada na Bolívia onde foi campeão e artilheiro pelo Jorge Willsterman.  Sua reestreia ocorreu num insosso 0x0 com o América, pelo Campeonato Estadual.

O garoto que começara como gandula em General Severiano ainda em 1958, que fora tricampeão juvenil em 1961/62/63 e nesse ano ingressara no elenco profissional e lá permaneceu até 1974, quando foi vendido para o futebol francês, retornava a sua casa para encerrar a carreira como jogador profissional.

Já não tinha mais a mesma velocidade que caracterizaram suas arrancadas e os dribles rápidos, mas a maturidade do veterano que conhece os atalhos do campo, sem precisar correr mais do que a bola.

Eliminado do icônico Campeonato Carioca de 1981, decidido por Flamengo x Vasco em uma série de 03 (três) jogos logo após a morte do treinador Cláudio Coutinho e que precedeu a conquista do título mundial pelo time rubro-negro, o Botafogo/RJ fez excursão pelo Rio Grande do Norte disputando 03 (três) jogos. No elenco, jovens jogadores que sempre eram lembrados nas convocações de Telê Santana para a seleção como o goleiro Paulo Sérgio, o lateral-direito Perivaldo e o meio-campo Rocha, além do craque Mendonça que, em 1993, abrilhantou o campeonato potiguar jogando pelo América. Porém, o nome mais expressivo era o de Jairzinho, “o Furacão da Copa”.

A série de jogos do “Glorioso” no RN começou com o Baraúnas, em Mossoró, partida que terminou empatada, sem gols, no dia 1º.12.1981 (terça-feira).

O segundo jogo foi no dia 03.12.1981 (quinta-feira), quando enfrentou o América que havia acabado de conquistar o tricampeonato Estadual. Essa partida representou o encerramento da temporada de jogos em Natal, servindo também para o Botafogo pôr a faixa de campeão no América e premiar os melhores da temporada. O gaúcho Norival (AME), foi o melhor jogador do Estadual/1981 e Sandoval (AME), o artilheiro com 14 gols. A partida terminou com a vitória alvirrubra por 1x0, gol do centroavante Miltão.

Com a desistência do Ceará/CE em realizar o amistoso antes acertado, o hoje deputado Luiz Antônio “Tomba” Farias, que à época era o diretor de futebol do Potyguar, assumiu a promoção e levou o amistoso para a terra da scheelita, sendo o “Fogão” a primeira e até hoje única equipe do RJ/SP a jogar na cidade, fazendo um jogo para ficar na história.  

Assim, no dia 06.12.1981, um domingo, dia destinado ao futebol, enquanto o Brasil inteiro aguardava a Rede Globo de Televisão transmitir a terceira e última partida da final do Campeonato Carioca, vencida pelo Flamengo por 2x1, no famoso jogo em que o ladrilheiro Roberto Passos Ferreira invadiu o gramado para esfriar uma possível reação cruzmaltina, a cidade de Currais Novos parou para receber o Botafogo de Futebol e Regatas jogar amistosamente contra o Potyguar.      

Como o Estádio Coronel José Bezerra ainda não tinha refletores, a partida foi iniciada às 15h para aproveitar a iluminação natural. Jogo de casa cheia, com grande torcida do alvinegro na região, tendo a organização do evento colocado cadeiras na lateral do campo e cobrado um valor mais alto para os que podiam pagar e estar mais próximos dos jogadores.

“Foi um jogo importante para a gente e jogamos com mais cuidado, mesmo sendo festa. E para mim em especial que estava diante do time que eu torço e do meu maior ídolo, que é Jairzinho”, lembra o goleiro Souza, revelando-se botafoguense. 

E em Currais Novos ocorreu a única vitória do Botafogo na breve excursão pelo Rio Grande do Norte. O Botafogo começou ganhando logo aos 33 segundos de jogo, com Mendonça aproveitando um cruzamento da esquerda e empurrando para o gol. A equipe da casa empatou aos 5 minutos, após grande jogada de Luciano driblando Perivaldo e o goleiro Paulo Sérgio, sobrando a bola para Dedé de Dora mandar para o gol, incendiando a torcida local. Porém, o “bigodudo” Jerson fez 2x1, aos 12 minutos, dando números finais ainda no primeiro tempo, embora o jogo tenha sido muito movimentado. 

Luciano, que naquele dia jogou de ponta-esquerda, foi escolhido o melhor em campo, recebendo um cheque e um moto-rádio.

“Eu fui escolhido pela imprensa como o melhor jogador da partida. Fiquei muito satisfeito com os presentes que ganhei. O pessoal daqui diz que eu dei uma canseira em Perivaldo”, diz sorrindo o jogador Luciano, que junto com Souza, Paulo, Jorge Calaça e Dedé de Dora eram os jogadores oriundos da Região Seridó. 

Porém, todos que estavam no estádio confirmam que uma falta cobrada pelo lateral-esquerdo Dato, tipo escanteio de mangas curtas, entrou, tendo Paulo Sérgio, à época convocado para a seleção brasileira, tirado a bola depois de ter passado da linha de gol. O árbitro Antonio Lira, por não ver a bola entrar, invalidou o gol.  

Ao longo de sua história o Potyguar recebeu outros clubes do futebol brasileiro em seus domínios, mas essa partida em especial tem todo um valor, seja porque foi o primeiro dos chamados grandes e tradicionais clubes brasileiros a jogar na cidade, seja porque terminou se transformando no jogo de despedida de Jairzinho, “o Furacão da Copa”, como jogador de futebol envergando a mística camisa alvinegra da estrela solitária. Pelo Botafogo foram 413 (quatrocentos e treze) partidas e 186 (cento e oitenta e seis) gols.   

Há quem diga que a história não joga, só está nos livros. Não está certo. A história tem um peso na definição dos momentos. E coube a cidade de Currais Novos, terra dos minérios, receber aquela que foi a derradeira partida de uma pedra preciosa cunhada em General Severiano e que se tornou uma verdadeira joia do futebol brasileiro e mundial.

Quase 03 (três) meses depois, já sem clube, Jairzinho fez a sua última partida pela seleção brasileira. Em 03.03.1982, contra a Tchecoslováquia, recebeu a justa homenagem pelo que fez pelo futebol brasileiro e despediu-se jogando 11 minutos, recebendo uma miniatura da taça Jules Rimet e saiu de campo aplaudido de pé, no Morumbi. Não disputava uma partida pela seleção desde 1976, no amistoso contra o Flamengo em homenagem ao atacante Geraldo, falecido poucos dias antes.

Na foto que ilustra a postagem, as duas equipes unidas posam antes do início da partida. Em pé: Paulo, Luiz Antonio “Tomba” Farias (diretor de futebol), Souza, Lima, Ednaldo, Ademir Lobo, Sonildo, Gaúcho, Dato, Gilmar, Jorge Calaça, Perivaldo, Humberto Gama (Pte da Liga Curraisnovense de Futebol) e Iremar Alves (radialista). Agachados: Mendonça, Dedé de Dora, Gilson Lopes, Jerson, Naldo, Rocha, Paulo Sérgio, Luciano, Edson, Almir, Jairzinho e Diá (massagista)  

FICHA TÉCNICA:

Jogo: Potyguar-CN 1 x 2 Botafogo/RJ

Data: 06.12.1981

Local: Estádio Coronel José Bezerra

Público: 2 mil pessoas

Renda: Cr$ 2.000.000,00 (dois milhões de cruzeiros) (aproximadamente 170 salários mínimos da época).

Juiz: Antonio Lira

Gols: Mendonça (33 seg), Dedé de Dora (5 min) e Jerson (12 min)

POTYGUAR: Souza; Paulo, Ednaldo, Sonildo e Dato; Calaça (Gilvan), Naldo (Ramos) e Dedé de Dora; Almir (Curió), Gilson Lopes e Luciano. Técnico: Petinha

BOTAFOGO: Paulo Sérgio; Perivaldo, Gaúcho, Lima e Gilmar; Rocha, Mendonça e Ademir Lobo; Edson, Jairzinho e Jerson. Técnico: Paulinho de Almeida

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Entrevistas com Bob Gama e os jogadores do Potyguar: Souza e Luciano; Jornal dos Sports; Diário de Natal; www.mundobotafogo.blogspot.com; A foto foi gentilmente cedida por Bob Gama e Adélcio Jr.

A noite do campeão em meio à catarse

A noite do campeão em meio à catarse

16 de julho de 2020. Hoje se relembra os 70 anos do Maracanazo. Em datas como esta a decisão da Copa de 1950 volta à tona. Seja entre os jornalistas, historiadores, saudosistas, curiosos ou uma nova geração interessada em conhecer o que aconteceu naquela tarde. Como tudo hoje em dia, o assunto palpita nas redes sociais, espaço democrático onde cada um tem a sua razão e a defende com unhas e dentes. 

Houve falha do goleiro Barbosa? Obdulio Varela deu um tapa em Bigode? O treinador Flavio Costa, ao exigir disciplina do time, mudou a característica viril de alguns atletas e isso vez com que o Uruguai jogasse solto? Houve oba-oba na concentração as vésperas do jogo? Os políticos colocaram o peso da cobrança nas costas dos jogadores? O time do Uruguai era melhor ou tão bom quanto o do Brasil? Para todas essas perguntas há um rosário de respostas, cada uma com a sua interpretação.  E não há mais entre nós, para contar a história, ninguém de ambas as seleções ou o mesmo Isaías Ambrósio, o “Senhor Maracanã”, ex-funcionário do Estádio e que se tornou um guia turístico bom de prosa e que por cinco décadas contou as narrativas do “Maior do Mundo”, entre elas a mais triste: a final da Copa de 1950.

Há um lado dessa história pouco explorada. Houve comemoração dos uruguaios? Não há nos anais um registro de onde eventualmente os vencedores de 1950 tenham feito sua festa ou se foi feita. Há, porém, a notícia da noite daquele que, depois de Ghighia e Schiaffino, é considerado o nosso maior algoz: Obdulio Varela.    

El Gran Capitan não quis fazer festa. Depois da volta olímpica, de volta ao hotel, convidou o massagista para tomarem um chope num bar que conhecia e costumava freqüentar quando estava no Rio de Janeiro. Caminharam pela cidade transformada em cemitério naquela noite de luto nacional. Chegou ao bar na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. O dono do estabelecimento, velho conhecido, trouxe duas canecas de chope com colarinho. Nas raras mesas ocupadas, uma imensidão de tristeza paira no ar.

Um dos presentes, já “alto” em sua decepção, brada: “Fomos derrotados por Obdulio”, o que fez o capitão celeste se sentir o carrasco de um povo. 

O dono do bar levou o rapaz pelo braço à mesa de Obdulio e o massagista, apresentando-o, o que fez com que o jogador tivesse receio do que poderia acontecer dali adiante. O rapaz apenas pediu que Obdulio tomasse um chope com ele. Aceitou, sentou com os outros brasileiros que estavam no bar, e pensou: “Se tiver de morrer, não existe noite mais apropriada”.

E assim, o grande capitão uruguaio passou aquela noite. Esvaziando canecas de chope com aquela “alma penada” que acabara de conhecer, misturada às lagrimas da infelicidade brasileira.

Na foto da postagem, o momento antes da partida em que os capitães Augusto e Obdulio Varela trocam flâmulas, sob o olhar do árbitro inglês George Reader.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: https://historiadofutebol.com/blog/?cat=68&pa__Artigos&paged=95; https://books.google.com.br/books?id=pC0EAAAAMBAJ&pg=PT41&lpg=PT41&dq=%22trip%22+%22oswaldo+soriano%22&source=bl&ots=2F0h2uqvMI&sig=ACfU3U0HTAWzhX3Dh4JC1GWw_bOdcVeZfQ&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwj-0sagv-DoAhX9IbkGHSgjD_YQ6AEwAHoECAoQLQ#v=onepage&q=%22trip%22%20%22oswaldo%20soriano%22&f=false

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