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Mundial de Clubes/1981: Peu e o bigode no Japão

Mundial de Clubes/1981: Peu e o bigode no Japão

Dia de decisão do Mundial de Clubes em 2019. O Flamengo volta a campo 38 anos depois para decidir o título contra o mesmo Liverpool, em 1981.

E quando se vai falar no Flamengo de 1981, não há como dissociar das folclóricas histórias relacionadas com o atacante “Peu”. Júlio dos Santos Ângelo destacou-se como artilheiro pelo CSA, de Alagoas, chamando a atenção do Flamengo que o trouxe para a campanha de 1981 no Estadual, Brasileirão, Libertadores e Mundial de Clubes. Este mesmo “Peu” foi técnico do Força e Luz, no campeonato potiguar/2019, e agora está adotando, também, o Santos como sobrenome.

O jornalista Eduardo Monsanto, autor de “1981: o ano rubro-negro”, conta diversas passagens interessantes do bom goleador alagoano e das tantas brincadeiras que foi alvo dos seus colegas.

Diz o livro que no dia de sua apresentação ao elenco do Flamengo, Peu chegou a Gávea de sapato branco, calça amarela, cinto preto e camisa rosa, empunhando uma mala de couro. Quando a diretoria ia apresentá-lo, o ponta-direita Luis Fumanchu pediu a palavra: “Peraí, deixa que eu apresento... Pessoal, esse aqui é o Zé Bonitinho!”, em alusão o personagem do humorista Jorge Loredo, no programa “A praça é nossa”.

Mas a melhor história de Peu é a do seu bigode e a chegada no Japão para a disputa da final do Mundial Interclubes/1981, e ele mesmo conta:

Durante o voo o Júnior falou: “Ó, você vai ter problema para entrar no Japão. Por quê? Porque no passaporte você está sem bigode, e agora você está usando bigode. Vai dar problema, não vão deixar você entrar!”.

Quando já estava quase chegando ao Japão, veio o anúncio: “jogador Peu, compareça à cabine do avião”. 

“Quando eu chego na cabine, o comandante falou pra mim todo sério: ‘Olha, Peu, você tem que tirar seu bigode porque o seu nome não tá na lista de quem tem bigode. Ou você tira ou você volta comigo’”.

Então Peu falou: “Pô, fiquei o ano todinho batalhando, treinando tanto e agora, na hora boa, eu vou estar fora, é?”.

O comandante falou: “Toma aqui, Peu. Barbeador, cremezinho, vá ao banheiro e tire. Senão, você chega lá e volta”.

“Aí eu saí de lá todo triste, cabisbaixo, entrei no banheiro tirei o bigode. Aí, quando eu abri a porta, tava todo mundo me esperando. Rede Globo, os fotógrafos de O Globo, O Dia, os jogadores. Os caras fizeram a festa. Armaram legal, eu caí e tirei o meu bigode!”.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “1981: o ano rubro-negro (Eduardo Monsanto)

Há 46 anos, ABC x URSS na volta da excursão

Há 46 anos, ABC x URSS na volta da excursão

O ano de 1973 é emblemático para a história do ABC Futebol Clube. Em abril, sagrou-se campeão do 1º Torneio Início realizado no Castelão, vencendo o América, nos pênaltis. Em julho, levantou a Taça do Campeonato Estadual, transformando-se em tetracampeão. Em agosto, embarcou para a mais longeva excursão de um clube brasileiro ao exterior - 102 dias -, realizando 24 (vinte e quatro) jogos em 09 (nove) países da Europa, Ásia e África (Turquia, Grécia, Romênia, Iugoslávia, Líbano, Tanzânia, Uganda, Somália e Etiópia). No retorno, em dezembro, a direção alvinegra deu um presente à Frasqueira. A seleção soviética havia se negado a participar da repescagem para a Copa/1974, contra o Chile, no Estádio Nacional, local onde o governo do general Pinochet utilizava como campo de concentração e centro de torturas e execuções e estava excursionando pelas Américas. Havia jogado no Brasil contra o Vila Nova/GO e o Operário/MS e foi convidada para a festa do reencontro da saudosa torcida com a equipe alvinegra.

A equipe soviética tinha sido vice-campeã da Eurocopa/1972, realizada na Bélgica, perdendo a final para os alemães, que seriam campeões do mundo em julho/1974. Da equipe segunda colocada na Eurocopa, estavam na excursão Vladimir Pylgui, goleiro e medalhista de bronze na Olimpíada de Munique/1972, Viktor Matviyenko e Vladimir Kaplichnyy (defensores), Oleg Dolmatov e Anatoliy Konkov (meias) e Levon Ishtoyan, Vladimir Onishenko e Gennadiy Yevriuzhikhin (atacantes), além do treinador Aleksandr Ponomarev.

A partida foi realizada na noite de 18 de dezembro e o Castelão recebeu 27.831 pessoas. Público que ficou aquém do que a diretoria esperava. O jogo completa, nesta data, 46 anos.

Na verdade, houve uma indefinição se o jogo haveria, ou não, pois estava marcado para o primeiro dia das férias regulamentares dos atletas profissionais do país, que ia de 18.12 a 07.01 do ano seguinte. O ABC pediu ao Conselho Nacional de Desportos para promover a partida, mas não havia resposta até a interferência do Diretor de Promoções Esportivas da Caixa Econômica Federal e Conselheiro do CND, Sr. Cláudio Medeiros junto ao brigadeiro Jerônimo Bastos, que atendeu ao amigo e concedeu a licença para a realização do jogo. 

Mas outro incidente estava por vir. A chefia da delegação exigiu que antes da partida a bandeira comunista fosse hasteada e tocado o hino, “A Internacional”. O general Amadeu Martire, da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada, não quis aceitar a exigência, pois havia pedido à Junta Governativa do ABC FC que destituísse o cassado Agnelo Alves da presidência do Conselho Deliberativo, não tendo sido atendido. Nova rodada de reuniões para resolver o problema de última hora, terminando com as condições soviéticas sendo aceitas, e a banda da Polícia Militar tocando os hinos nacionais antes da partida.

O ABC entrou em campo com seu uniforme número um, em traje de gala, com meiões, calções e camisas de mangas longas brancas. A União Soviética com o tradicional uniforme de camisas e meiões vermelhos e calções brancos. Ao fim do jogo, o placar de 2x2 mostrou a qualidade do espetáculo. Alberi abriu o placar com um belo chute de fora da área, após cobrança de escanteio de Libânio. Os soviéticos empataram quando Onishenko, o grande nome da partida, passou por Sabará e cruzou para a área, tendo Fedotov se antecipado ao zagueiro Valter Cardoso e batido forte no canto direito de Erivan. Na segunda etapa, Onishenko virou o jogo e Jorge Demolidor deu números finais após lançamento de Sabará, com a Frasqueira saindo em festa do estádio.

FICHA TÉCNICA:

ABC 2x2 SELEÇÃO DA URSS

Data: 18.12.1973

Local: Castelão

Público: 27.831

Renda: Cr$ 249.007,00 (Duzentos e quarenta e nove mil e sete cruzeiros)

Árbitro: Agomar Martins/RS

Auxiliares: Afrânio Messias/RN e Luiz Meireles/RN

Gols: Gols: Alberi (12 min) e Jorge Demolidor (88 min) (ABC); Fedotov (20 min) e Onishenko (50 min) (URSS).

 ABC: Erivan; Sabará, Valter Cardoso, Telino e Anchieta; Valdecy Santana e Danilo Menezes; Libânio, Alberi, Jorge Demolidor e Morais. Técnico: Danilo Alvim

SELEÇÃO DA URSS: Pylgui; Bakievski, Kaplichny, Plasamski e Lovchev; Zanazanian e Andrassian; Ishtoyan, Fedotov, Konkov e Onishenko. Técnico: Aleksandr Ponomarev.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Diário de Natal; "45, um tempo de futebol e de um poema (Kolberg Luna Freire); La Cancha Infame (Maurício Brum)

As panteras do River/PI e a estreia do América/RN no Brasileirão/1977

As panteras do River/PI e a estreia do América/RN no Brasileirão/1977

O campeonato nacional de 1977 começou em meados de outubro daquele ano e se estendeu até março/1978, tendo, ao final, o São Paulo sendo alçado a condição de campeão após vencer o Atlético-MG, nos pênaltis, que era o favorito e terminou o campeonato invicto.

O América/RN havia sido campeão potiguar no mês anterior, naquele jogo que ficou conhecido como “a batalha campal” e que teve todos os jogadores titulares, reservas e membros das comissões técnicas de ambas as equipes expulsos após uma briga generalizada iniciada com o centroavante Anderson (ABC) correndo atrás do volante Zeca (América).

Nem tudo era expectativa para o início do Nacional. Para a sua estréia fora de casa, a direção americana, por meio do seu presidente Jussier Santos, corria atrás de repatriar o centroavante Aloísio “Guerreiro”, que após o campeonato estadual tinha retornado ao Fluminense/RJ. O ABC havia entrado na disputa pelo atleta e o presidente do alvinegro, José Nilson de Sá, estava tratando pessoalmente desse presente para a frasqueira, que no fim não vingou, com o artilheiro retornado ao lar rubro. O América estava sem ponta de lança e improvisava Marinho na frente do ataque, pois Santa Cruz havia recebido o passe livre. O meio-campo Garcia não se entendeu com o treinador Laerte Dória e reclamou ter sido deslocado para a ponta-direita, sendo afastado do treino e da delegação. Joel Natalino Santana sofreu contusão no treino de apronto e também não viajou. Alberi e Ivanildo, que foram expulsos na final do Estadual e tiveram suas penas convertidas em multas pelo TJD/RN, não tinham certeza se poderiam participar do jogo e, por precaução, já que a Confederação Brasileira de Desportos não respondeu ao questionamento da direção rubra, também não embarcaram.

O adversário do América foi o River/PI do meia atacante Sima, então artilheiro dos certames regionais de 1977, com 33 gols, à frente de goleadores que integravam a seleção brasileira de futebol como Zico, Reinaldo, Roberto “Dinamite” e Serginho “Chulapa”.  

A partida foi um dos maiores desastres da história do time da Rodrigues Alves em campeonatos nacionais. Sima partiu para cima do América e foi o principal protagonista ao impor uma derrota acachapante de 5x1, com o primeiro tempo terminando 4x0 para o River e o placar sendo fechado na etapa segunda. O artilheiro, que havia renovado no dia anterior e estava solto em campo, foi o nome do jogo marcando 4 gols.

O time piauiense não era nenhum primor, mas, diz o folclore do futebol, trouxe reforços fundamentais para esse jogo.

Os jornais da época dão conta que o hotel onde o América ficou concentrado tinha camareiras com o perfil diferente de outras hospedarias. Moças muito bonitas, risonhas e treinadas a se mostrarem aos atletas e trocar olhares convidativos. A comissão técnica demorou a perceber a disfarçada técnica de doping e a armadilha só foi assimilada quando começou a partida e o time estava “com o freio de mão puxado”.

Folclore, ou não, a estreia fez a direção executiva e a comissão técnica abrir os olhos e a cobrança em cima dos jogadores passou a ser maior nos futuros jogos fora de casa, com os atletas mostrando que eram profissionais e, ao fim do campeonato, escreveram uma das mais belas páginas de participação do clube rubro em certames nacionais, ficando em 17º lugar entre 62 (sessenta e duas) equipes. 

No jogo da volta, o América devolveu a goleada por 5x0. O River/PI, ao que parece, não repetiu a tática da estreia no decorrer do campeonato e findou em 44º lugar. 

A imagem que acompanha esta postagem mostra a gozação do irreverente “Cartão Amarelo” (Everaldo Lopes e Edmar Viana), no Diário de Natal, em razão do fato pitoresco e que ficou no folclore do futebol potiguar.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Diário de Natal. 

A marra de PC Caju e o puxão de orelhas de Renato Gaúcho

A marra de PC Caju e o puxão de orelhas de Renato Gaúcho

A marra sempre foi ingrediente presente no futebol. O jogador compõe desde equipes da elite do futebol mundial ao mais paupérrimo campeonato de bairros.

Paulo Cesar Caju é um desses jogadores. Tem diversas histórias em face de seu comportamento. É bem verdade que foi um craque nas quatro linhas. Esteve nas Copas do Mundo de 1970 e 74 e bem poderia ter ido a de 1978. Coutinho não quis.

Foi contratado pelo Grêmio para jogar a final do Campeonato Mundial de Clubes, em 1983. Conhecia bem o Olímpico. Havia ajudado o clube na conquista do Gauchão, em 1979. A torcida não levou fé. Já beirando o fim de carreira, com passagem pelo futebol francês e por ser o mais premiado integrante da delegação do tricolor gaúcho naquele mundial, eram a ele destinadas as perguntas nas entrevistas coletivas. A imprensa europeia não conhecia o time do Grêmio. Não sabia que a verdadeira estrela era outra, um genuíno gaúcho que atendia pelo nome de Renato e também sabia ser marrento quando queria.

Já em Tóquio, no último recreativo antes da partida final, numa pelada em que seu time estava perdendo de goleada, PC Caju põe a mão nas cadeiras, abandona o campo e senta ao pé da trave para descansar. Renato percebe, pega a bola com a mão e se dirige ao colega com o dedo em riste, dizendo:

- “Olha aqui, deixa eu falar uma coisa para você. Você está chegando agora, eu respeito você como homem e jogador, mas se amanhã você não correr, em cinco minutos eu te meto uma porrada no meio da cara e no vestiário eu te mato. Porque amanhã é decisão, eu sou gremista e o Grêmio precisa ser campeão”.

PC levantou-se e foi para o vestiário, cabisbaixo. No dia seguinte, os alemães que não conheciam o time brasileiro, concentraram sua marcação em cima de Paulo Cesar e deixaram o toque e a habilidade de Mario Sérgio jogar com a saúde, juventude e disposição de ganhar de Renato. Coincidência ou acaso, foi de PC Caju o passe para o mano-a-mano do ponta-direita com o lateral alemão Schroeder, no primeiro gol.

Hoje faz 36 anos da heróica conquista.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “Anjo ou Demônio. A polêmica trajetória de Renato Gaúcho (Marcos Eduardo Neves).

Uma noite de Rei

Uma noite de Rei

Moacir é um ex-jogador de futebol campeão do mundo pela seleção brasileira, em 1958. Era meio campo do Flamengo e reserva de Didi. Não jogou nenhuma partida na Copa. Sua reverência ao colega do Botafogo e titular absoluto da seleção era tanta que, na celebração da vitória, na Suécia, foi em Didi que deu o primeiro abraço após entrar em campo no apito final.

Conta Armando Nogueira que na festa da vitória, numa boate em Estocolmo, ao entrar no local viu que todos dançavam. Damas louras e cavalheiros morenos, dois a dois, num completo carnaval.

Deu de cara com o Moacir, carinha de menino triste, mas que triste não era (e nem estava). Ele pulava no salão à meia luz aos cuidados de uma loura estonteante.

O jogador, antevendo o lance e antecipando-se para que não estragassem a sua festa particular, dirigiu-se ao jornalista e pediu, entre dentes, quase em murmúrio.

- Não fala o meu nome. Me chama de Pelé...

Na imagem que ilustra a postagem, Moacir está entre Zagallo e Dida, na Suécia, em 1958.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: “O canto dos meus amores” (Armando Nogueira); Revista Placar.

1976: O goleiro Índio e a sua fantasia original

1976: O goleiro Índio e a sua fantasia original

O campeonato estadual de 1976 aumentou a interiorização do futebol do Estado, com a participação do Baraúnas de Mossoró e do Potyguar de Currais Novos, unindo-se ao Potiguar de Mossoró que iniciara em 1974. O time do Seridó tinha como goleiro um atleta conhecido como “Índio”, o qual, num jogo contra o ABC FC, em Natal, entendeu de entrar em campo a caráter fidelizando a sua alcunha.

O goleiro, então dono de vasta cabeleira, providenciou uma pena e a encaixou em suas madeixas com a ajuda de uma fita. À falta de urucum, tinta originalmente utilizada pelos indígenas para a pintura do rosto, adaptou tiras de esparadrapo com a ajuda do massagista da equipe, simulando uma “pintura de guerra”.

Antes da partida, o índio não queria apito, queria espelho, sempre atento a algum detalhe no próprio reflexo que pudesse melhor compor o seu visual. Perguntado pelos jornais da época a razão daquela aparência em um jogo de futebol, disse o arqueiro: “É uma homenagem que quero prestar aos nossos irmãos tão pouco lembrados. Eles precisam de nossa ajuda e da nossa amizade”.

O jogo se deu em 04.04.1976, um particular “Dia do Índio” (o goleiro), antecipando em uma quinzena de dias a data festiva destinada aos indígenas.

Índio, à época com 22 anos, já tinha uma carreira longa no futebol. Iniciou na base do Sport Clube Recife, de onde seguiu para o juvenil do São Paulo FC. Profissionalizou-se e foi jogar no Marília do interior paulista. De lá foi para o Umuarana/PR, retornou ao Nordeste para jogar no América/PE e, por último, estava no Treze de Campina Grande, quando foi contratado para reforçar o clube seridoense no seu primeiro estadual. Ficou conhecido não só pelo folclore de sua fantasia, mas também por ser arrojado e corajoso na defesa do time seridoense. 

A ilustração da postagem contém a foto publicada no Diário de Natal e que acompanha a reportagem sobre o jogo.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: Diário de Natal

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