Historiando

Ode à hipocrisia

Ode à hipocrisia

No início do mês passado, o ex-presidente Lula fez uma fala na mesma trilha da feita pela professora Marilena Chauí, tempos atrás, que disse, ao final de uma apresentação de 20 minutos, odiar a classe média (https://www.youtube.com/watch?v=fdDCBC4DwDg).

Mais ameno, Lula, depois de criticar asperamente a elite brasileira, a quem ele chama de escravista e que pode se mostrar “avançada em um debate em Nova Iorque, visitando Paris”, mas que “aqui no Brasil a mentalidade dela é escravista. E nós temos que ter coragem de dizer isso”, virou as baterias para a classe média e disse que ela ostenta “padrão de vida acima do necessário” (https://www.youtube.com/watch?v=wWhJiFtDPHs).

O presidenciável juntou as escovas de dentes, semana passada, com a bela Janja e fez uma recepção ao melhor estilo da classe média consumista que ele denunciara um mês e meio antes, ou como ele mesmo afirmou: “Nós temos uma classe média que ela é muito... Ela ostenta um padrão de vida que em nenhum lugar do mundo a classe média ostenta. Nós temos uma classe média que ostenta um padrão de vida que não tem na Europa, que não tem em muitos lugares. Aqui na América Latina, a chamada classe média ostenta muito um padrão de vida acima do necessário”.

Li em algum canto um desses posts idiotas dizendo que se criticava a festa do casamento de Lula pelo valor do vinho ou pela origem do buffet ou do lugar onde foi a festa, tudo porque um nordestino, de origem popular, sem diploma, não deveria desfrutar ou ocupar espaços destinados à casa-grande, pois o lugar dele é a senzala. E arrematava com o de sempre: Lula é o maior estadista da América Latina, etc, etc e etc.

Comecemos pelo fim.

A América Latina nunca foi pródiga em estadistas. Tivemos pouquíssimas espécies do tipo por aqui. E Lula não está entre eles. Mas isso não é o móvel do texto.

Expor e discutir o valor da festa de Lula é um erro. Cada um faz a festa que pode pagar. E, parece, o que foi feito no rega-bofe estava dentro dos limites financeiros do moço casadoiro. Portanto, que siga o jogo.

Mas, então, por que o assunto ficou circulando por dias e por que voltar a ele?

Por um motivo simples. A festa estava à feição da classe média consumista atacada grosseiramente por Marilena Chauí, professora da USP e portanto integrante do grupo por ela atacado, e criticada por Lula por ostentar níveis de consumo muito acima dos aceitáveis. Tivesse feito a festa que fez sem falar a bobagem que falou, as críticas feitas ao valor da festa cairiam na malha da perseguição, do preconceito e por aí vai. Como o petista criticou uma postura tradicional da classe média que ele depois reproduziu, é justo que se mostre que Lula não age de acordo com a própria pregação.

A hipocrisia do candidato do PT rivaliza com a demagogia dele. São parceiros inseparáveis.

Lá vem o Brasil descendo (ou subindo?) a ladeira – Parte 1

Lá vem o Brasil descendo (ou subindo?) a ladeira – Parte 1

Este texto será dividido em duas partes. Segue a primeira.

***

Para os incrédulos e os profetas de fancaria, o Brasil segue, devagar para quem tem pressa demais, no rumo certo, ou errado demais para quem aposta ou torce pelo desastre.

Fez-se o afastamento de uma presidente irresponsável, empresários foram encarcerados por pagarem propinas a políticos e funcionários públicos graduados, processos foram abertos contra lideranças políticas nefastas, o presidente da Câmara, depois de tripudiar da Nação durante meses, foi, por determinação judicial (de um juiz do STF!!!), afastado do cargo número 1 de uma das casas do Parlamento. Tudo isso em tempo recorde.

À época houve quem questionasse a fundamentação jurídica de Teori para afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara de Deputados. A palavra esteve com o STF, que manteve a decisão de Teori.

Ouvi durante meses análises estapafúrdias, algumas com roupagens acadêmicas, mas que pareciam feitas em mesa de botequim (que me perdoem os analistas políticos de botequins). A esmagadora maioria fugia das análises de contexto para mirar na análise de estrutura. É o de sempre, para quem não entende contexto e analisa estrutura lambendo-a. O colega e professor de Sociologia (IFRN), Roberto Moura Fonseca, citou sabiamente, num bate-papo que travamos, um autor que, ao se referir a Marilena Chauí, dizia que a professora uspiana dava vassouradas filosóficas. Pois é, ouvi e li muitas dessas vassouradas – filosóficas, jurídicas, sociológicas, históricas, etc – dela e de outras sumidades, algumas guardadas pelo silêncio misericordioso do tempo.

Estamos há quase dois séculos numa encruzilhada: o Estado brasileiro é caro, cartorial, pesado, ineficiente, ineficaz, andrajoso, etc, etc e etc. Cobra demais dos cidadãos e não oferece o necessário, entre outras coisas porque se ocupa do que não deveria, porque quer regulamentar o que não deveria e por aí vai.

A encruzilhada atualmente nos levou a um poço sem fundo, mas ela vem nos indicando caminhos alternativos que podem nos conduzir a bom termo. Depende de nossas escolhas

Estivemos, por alguns momentos, nas três últimas décadas, na trilha correta. Tudo parecia promissor. O tempo, também dentro das mesmas décadas, nos afastou da trilha correta.

É bom que atentemos: o que fazemos hoje não é certamente, nem poderia ser, a salvação do país, porque o país não foi construído em uma década e tampouco será salvo num momento de luzes. 

As escolhas corretas de hoje precisam ser confirmadas em outras sendas. Para tal, precisamos separar quem é caso de política e quem é caso de polícia.

Por ora tratamos como se fossem a mesma coisa. E isso indica um caminho nocivo.

Carta ao amigo Sérgio Trindade (Ou de como gosto do texto e desgosto da análise)

Carta ao amigo Sérgio Trindade (Ou de como gosto do texto e desgosto da análise)

O texto abaixo é do amigo Luiz Roberto, professor de Filosofia, em resposta a um texto escrito por mim (https://www.grandeponto.com.br/blog/post/farinha-do-mesmo-moinho), neste mesmo espaço.

 

Li e gostei do seu texto Farinha do mesmo moinho, mas confesso que não concordo com a análise.

Começo por Maquiavel.

Ainda que eu entenda sua pegada sobre a realpolitik de Maquiavel, a questão mais inerente à teoria maquiaveliana não é a falta de moralidade, mas um utilitarismo completo, onde os fins justificam os meios. A política maquiavélica em O Príncipe leva em consideração só a razão de Estado. Contudo, o Estado é composto por indivíduos, os quais são agentes morais.  Mas a discussão é longa, tem muita coisa e vou pular logo para o cerne de minhas discordâncias, que são outras duas, que julgo mais importantes e são as seguintes:

1 – O PT enganou as pessoas se portando como paladino da moral. O que vemos hoje é que o PT é coletivista e defende uma moralidade de acordo com estes princípios, os quais também são utilitaristas. Está mais do que provado pelos fatos do mundo real que o PT nunca almejou a liberdade individual de ninguém. Isso não faz parte do DNA do partido, e você passa longe desta discussão.

2 – O grande erro das suas análises políticas é que todas as vezes que você escreve sobre um, Lula e o PT, você escreve sobre o outro, Bolsonaro e algo que ele não tem organicamente, um partido. Esta tentativa de isenção e mediação sempre descamba em erro. Acho que você teria muito mais sucesso se os analisasse separadamente.  Tenho a impressão que você sempre quer passar a imagem de uma análise isenta, e aí mistura os dois. Acaba servindo a Deus e ao Diabo e não tem como ter dois mestres. Tente fazer só uma análise, por exemplo, de Bolsonaro; ainda que ela fosse eivada de erros, seria mais justa. Acho completamente diferentes os dois governos, de Lula/Dilma e de Bolsonaro. Você os coloca numa panela só, os mistura, e quer que os fatos do mundo se dobrem à sua análise, quando deveria ser a sua análise que deveria dobrar-se aos fatos do mundo.

Eu condeno muita coisa do governo Bolsonaro. Para mim, no que mais importava ele não fez nada, absolutamente nada. Poucas pessoas querem se ocupar sobre isso. Talvez seja um problema só para poucos. Fora outras coisas que eu discordo dele: frouxo, falador e por aí afora. Entretanto, você continua insistindo que Bolsonaro e seus apoiadores mais importantes são autoritários e, para mim, isso não tem correspondências nos fatos. É preciso que você aponte uma medida autoritária dele. Podemos discordar da forma como ele enfrenta os conflitos, mas autoritário ele jamais foi em seu governo. Aliás, essa é uma análise de viés extremamente frankfurtiano, que termina por estar relacionada diretamente, ainda que sem querer, com um meme que corre sobre O exterminador do futuro sensível, woke.

Chamar Bozo de autoritário parece ser sensibilidade tóxica, ou woke.

É isso.

 

 

Farinha do mesmo moínho

Farinha do mesmo moínho

Um fato muito comum da vida pública brasileira é que, de tempos em tempos, há certo grau de exacerbação e proliferação de movimentos políticos que se constituem sob a bandeira do moralismo, por vezes fruto de uma sadia manifestação de inconformismo que terminam por descambar para a seara e se constituem na forma mais importante de oposição ao sistema e trazem traços expostos ou latentes de autoritarismo. A antiga União Democrática Nacional (UDN), agremiação partidária nascida sobre as cinzas da ditadura estadonovista, o Partido dos Trabalhadores e o lulismo e, agora, o bolsonarismo são alguns dos exemplos mais sólidos de nossa história, mas há outros de menor envergadura, visto que mais regionalizados.

O moralismo, em política, reforça tendências autoritárias, porque qualquer moralista é um ser autoritário que não suporta ver o outro fazendo coisas reprováveis que ele também faria.

Nicolau Maquiavel é o primeiro pensador a mostrar a distinção entre moral e política, descrevendo a realpolitik, na qual se enquadra toda a atuação dos quadros políticos em qualquer época. N’O Príncipe, o filósofo florentino separa esfera política e esfera moral, invariavelmente gerando má compreensão para muitos que não o leem a sério, pois para o leitor mediano é difícil compreender como o melhor governante não é necessariamente um homem moralmente bom.

O que Maquiavel diz claramente é que a moral pertence a um campo distinto da política. Em outras palavras: o Estado não pode e não deve interferir em nossa vida privada e em nossos valores morais, pois sempre que resolveu se intrometer na vida privada dos indivíduos, para difundir valores morais e exigir adequação a eles, pavimentou o caminho para as mais variadas formas de autoritarismo.

Em tese, todo moralismo é imoral, entretanto é muito difícil argumentar que qualquer missão moralista para consertar o mundo é incompatível com os princípios democráticos. Os exemplos que a história nos oferece mostrando que o moralismo exacerbado contamina e corrompe a lógica política são múltiplos e variados.

Nos dias atuais, os neopopulismos lulista e bolsonarista são projetos políticos autoritários baseados no maquiavelismo. O lulista com tinturas gramscistas, enquanto o bolsonarista bebe num nacionalismo militarizado, esguiano.

O velho Leonel Brizola disse, durante a campanha presidencial de 1989, que os antigos serviçais do regime de 1964, naquele momento participando das eleições e defendendo a ordem democrática, eram todos filhotes da ditadura – “Não são farinha do mesmo saco, mas o são do mesmo moinho.”

PT, MDB, PSDB...Centrão e outras siglas e grupos e facções espalhadas da direita à esquerda, abrigando aliados e adversários de Lula e de Bolsonaro e de outros mais não são farinha do mesmo saco, mas o são do mesmo moínho.

O PMDB (hoje MDB) foi aliado do PSDB, entre 1995-2002, e garantiu, com o PFL (depois DEM e hoje União Brasil), estabilidade ao governo tucano. Depois, em 2003, pulou para o colo do PT, permitindo a estabilidade de que gozaram os governos petistas de Lula (dois mandatos) e de Dilma (primeiro mandato).

Era o mesmo PMDB de Sarney, Temer, Cunha, Jáder, Jucá, etc. O PT, que fazia oposição aos tucanos e a todos, vivia a maldizer o PSDB. No governo deixou de reclamar, porque precisava de apoio e votos no Congresso Nacional. Dali em diante, reconheceram os petistas, a aliança era legítima.

Quando grande parte do PMDB rompeu com os petistas, antigos aliados passaram a ser chamados de golpistas. Hoje, como o velho aliado volta à nau, descobre-se que Jucá, Sarney e outros mais... e, claro, todo o atual MDB precisam ser cortejados, em nome da ordem democrática ameaçada pelo presidente Bolsonaro e seus aliados, entre os quais antigos parceiros e colaboradores dos governos petistas.

Saindo do campo esquerdista, que se apresenta como defensor da democracia, e indo em direção à direita, apontada como liberticida, o atual presidente da república e parte de seus assessores apontavam o Centrão como um dos vilões a ser combatido, pois estava sempre a participar de arranjos visando não o bem-comum, mas interesses paroquiais e quase sempre mesquinhos. Bolsonaro e a trupe agiam assim quando se apresentaram como a reserva moral do país. E assim permaneceram até descobrirem que governar é mais do que maldizer o sistema. Resultado, Bolsonaro anda abraçado ao pessoal do “maldito Centrão”, aquele sobre o qual, cantava o general Heleno, se “gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão” (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/07/se-gritar-pega-centrao-nao-fica-um-meu-irmao-dizia-heleno-ha-3-anos-agora-centrao-ganha-espaco-com-bolsonaro.shtml).

A política do mundo real cobrou um preço a Lula e ao PT e cobra, nos dias que seguem, a Bolsonaro e seu grupo. Abraçar o MDB de Renan Calheiros, de Romero Jucá e de outros do mesmo naipe é o mesmo que abraçar o Centrão. Os dois fazem isso enquanto cantam os versos da cartilha moralista, entre os quais o mais conhecido é “Não roubar”. Falam para convencer os de fora, porque os de dentro sabem que o butim terá de ser repartido em algum momento.

O discurso real é Às favas todos os escrúpulos da consciência, frase com a qual o então ministro Jarbas Passarinho saudou o Ato Institucional 5 (AI-5), o mais duro entre todos os atos institucionais.

Mudamos para não mudarmos

Mudamos para não mudarmos

O Brasil é mesmo um país sui-generis. Muda, muda e nunca muda.

Vejamos.

Por aqui foi dado um golpe de Estado que derruba todas as teses acadêmicas sobre golpes de Estado.

Tudo foi feito às claras, com cobertura de toda a mídia, transmitido pela televisão, com a chefe de Estado e de Governo golpeada tendo direito à defesa, junto a uma comissão de um dos poderes da República, feita por advogado pago pelo Estado que, segundo os seus aliados, golpeava-a (o Estado, não o advogado), num rito estabelecido por um dos poderes da República.

Tantos dizem e disseram por tanto tempo que foi um golpe de Estado, que parece, para eles e para muitos, verdade. Ainda mais quando, dois anos após a queda da presidente – ungida pela primeira vez ao cargo, em 2010, como executiva de escol e reeleita, em 2014, num pleito duríssimo –, sentou na cadeira presidencial um deputado federal do baixo clero, odiado por praticamente toda a intelligentsia brasileira.

A turma da executiva e de seu patrocinador e o pessoal do capitão duelam pelo voto do eleitor brasileiro neste 2022 e as facções mais extremadas dos dois lados quase nada devem uma a outra, quando o assunto é seguir de forma acrítica. Cegam para os pecados dos seus lideres e maldizem qualquer um que se ponha a apontá-los.

Testemunhamos, de 2013 até os dias que seguem, no Brasil, a história em movimento frenético, como às vezes a história caminha, aos saltos, sem prestar contas ao tempo que é sua morada. Césares ultrapassam (ou vivem querendo ultrapassar) o Rubicão, para usar imagem do historiador Arnold Toynbee. No Brasil, passam em movimentos circulares, fazendo a roda do tempo carregar a história para os mesmos pontos, como se negasse a máxima do alemão Karl Marx, para quem a história só se repete como farsa.

Sou simples professor de História, sem maiores luzes e sem qualquer pretensão acadêmica superior, mas insisto em dizer a meus alunos: vacinem-se contra a desinformação. Leiam. Formem o juízo de vocês. Não sejam seguidores cegos e alucinados de ideia alguma e menos ainda de pessoas. Não venerem nada e ninguém.

Há uma passagem n'O Anticristo, de Nietzsche, fantástica.  Nela, o filósofo alemão analisa a crença cristã, mas podemos, por analogia, estendermos a sua análise a qualquer crença, inclusive a política. Diz ele que “a necessidade de crença” é uma “necessidade de fraqueza”, pois o crente “não se pertence, só pode ser meio, tem de ser consumido, necessita de quem o consuma”, razão pela qual “não está livre para ter em geral uma consciência para a questão ‘verdadeiro’ e ‘não-verdadeiro’: ser honesto nesse ponto seria desde logo sua ruína”.  Conclui o pensador germânico dizendo que “a grande atitude desses espíritos doentes (...) faz efeito sobre a grande massa – os fanáticos são pitorescos, a humanidade prefere ver gestos a ouvir razões...”.

Trocando em miúdos, o seguidor é um desmiolado, um ser que é não dotado de vontade própria, pois o seu condicionamento patológico para ver as coisas o faz fanático. Já dizia Ariano Suassuna, “o fanatismo e a inteligência não moram na mesma casa”.

Autonomia intelectual exige conhecimento

Autonomia intelectual exige conhecimento

Por duas vezes, em 2014 e 2018, fui “acusado” por colegas e amigos progressistas (seja lá o que isso queira dizer) de ser de direita ou tolerante com ideias reacionários, porque recusei, no primeiro e no segundo turno da eleição presidencial naqueles dois momentos, votar nos candidatos do PT, Dilma e Haddad. No primeiro turno votei em Marina, nas duas eleições; no segundo turno, em 2014, não estava no Brasil e, portanto, não votei e, em 2018, anulei meu voto.

Não preciso efetivamente justificar, friso, em quem votei, voto ou votarei, afinal o sigilo do voto ainda é um direito. No entanto, sempre abri meu voto sem constrangimento algum e digo, clara e abertamente, que seguirei no caminho do centro, que amigos e colegas de esquerda dizem ser o voto da direita envergonhada. Talvez até seja, não sei ao certo. Confirmo, por ora, que é o voto de quem se recusa a escolher nomes que estão claramente nos polos da geografa política, por mais que tentem, orientados por especialistas, atenuar o que pensam e defendem.

Sou leitor assíduo e voraz desde minha adolescência. Os clássicos sempre foram, para mim, o refúgio mais procurado porque é neles que encontro as respostas mais sagazes e precisas para as dúvidas que me aparecem. Leio jornais, revistas, sites, assisto a noticiários, etc, mas é nos livros que encontro o que busco.  É por meio deles que me vacino contra a manipulação e contra o radicalismo envolto com armadura pretensamente ética.

Há cinco anos, um colega de profissão veio me questionar pelo meu apoio ao impeachment de Dilma. Ora, nunca apoiei o impedimento da ex-presidente Dilma. Fui a um dos movimentos por curiosidade. Minha tese sempre foi a de deixar que o PT resolvesse a crise que criou, ali pelo final da primeira década deste século, quando o presidente da república ainda era Lula, porque, se assim não fosse, ele a transferiria, como o fez junto com seus satélites de esquerda, para o colo dos sucessores da gerentona inventada pelo demiurgo petista.

Muita gente muito boa saiu às ruas para defender o decrépito governo de Dilma. Gente muito boa ficou em casa, insatisfeita com Dilma. Gente muito boa foi às ruas contra o governo de Dilma. Gente muito boa ficou em casa, satisfeita com o governo de Dilma. Havia também os que não foram às ruas por um sem-número de motivos, pois assim se constrói a democracia, no seio da divergência e da dissidência.

Saber conviver com as divergências e as dissidências exige maturidade pessoal e política e pavimenta o caminho para uma democracia verdadeiramente plural.

Melhor do que seguir quem foi pra rua, contra ou a favor de Dilma, era ser rebelde e insatisfeito intelectualmente, estudando e procurando saber, por nós mesmos mas amparado em bons textos, primordialmente os clássicos, sobre o que ocorria e ocorre no Brasil e no mundo. Este era – e ainda é – o melhor caminho a trilhar. O resto é espuma e militância.

Deve, portanto, ser descartada.

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