P-47 Aviação e História

80 anos de criação da Base Naval de Natal

80 anos de criação da Base Naval de Natal

A Base Naval de Natal (BNN) completou 80 anos de existência, na quarta-feira, 7 de julho. Criada em plena Segunda Guerra Mundial, como ponto de apoio na defesa da costa contra os submarinos alemães, o local é repleto de história e importância para a Marinha do Brasil (MB).

A decisão de construir uma base em Natal existia desde 1922, com a publicação do Decreto Presidencial nº 15.672, que entre outras coisas, criava um sistema de defesa para o litoral da República, prevendo a instalações de unidades militares da marinha no Pará, Natal, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de um porto militar na Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro.

Entretanto, demorou mais de 20 anos para colocar o plano em prática, sendo possível apenas às vésperas da guerra começar no Brasil. Mais uma vez, merece a explicação, pois a Segunda Guerra Mundial havia começado em 1939, mas a entrada do efetivamente do Brasil ocorreu apenas no ano de 1942.

Contudo, o ano de 1941 foi decisivo para essa decisão, principalmente em Natal, onde os Estados Unidos da América estavam construindo dois aeroportos, um em Parnamirim e outro nas margens do Rio Potengi, o mesmo da Base Naval de Natal, com intuito de receber hidroaviões. Entre maio e dezembro deste ano, apenas pessoal civil era visto nestas obras, o que mudou após o ataque dos japoneses a Pearl Harbor, quando literalmente vestiram a farda e assumiram ser o Exército e a Marinha.

Neste contexto surge a nossa Base Naval, em uma área que havia pertencido a companhia aérea Air France e ainda abrigava combustível e outros suprimentos, além de poucas edificações. Graças ao empenho do almirante Ary Parreiras a obra saiu e com isso Natal pôde dar mais uma contribuição como ponto estratégico militar.

Assinatura do almirante Ary Parreira autorizando a continuidade da obra, em 1º de agosto de 1944 (Fonte: Coleção do autor)

Interessante citar que meses antes da guerra ser declarada, os americanos acompanhavam de perto e com interesse na BNN. Em 20 de agosto de 1941, pouco mais de um mês do início da obra, o vice-cônsul dos EUA, Harold Sims escreve um memorando falando do avanço das bases americanas e da demora na brasileira.

“A Marinha do Brasil continua a dormir em seu projeto de base e já se fala que ficará pronta para a III Guerra”, diz na carta.

Um importante fato ocorreu em agosto de 1944, quando o Governo Americano cumpriu a promessa de fornecer meios navais ao Brasil, e um dos primeiros foram oficialmente entregues na BNN. Os navios contratorpedeiros Pennewill e Herzog foram incorporados à Marinha do Brasil como Bertioga e Beberibe. Em 15 de agosto, outros dois foram comissionados em Natal, e ao todo foram cedidos 8 naves da mesma classe: Bracuí, Bauru, Baependi, Benevente, Bocaina, entre elas.

No site da Base Naval de Natal existe mais informações sobre sua criação (clique aqui)

Links Relacionados:

Os americanos invadiriam o nordeste na Segunda Guerra Mundial?

 

O hangar francês da guerra que não era francês nem da guerra

O hangar francês da guerra que não era francês nem da guerra

Foto da capa: Imagem de meados dos anos 1940, pós-guerra, com aviões da FAB em destaque (Foto: Acervo do autor)

Dentro da Base Aérea de Natal (Bant) existe uma construção em forma triangular que chama muita atenção e é associada por quase todos por “hangar francês do tempo da guerra”. Essa afirmação possui duas incoerências, o hangar não era francês e muito menos foi feito para a guerra.

O erro é comum pois a base em questão esteve diretamente ligada à Segunda Guerra Mundial e também possuiu um campo de aviação da Air Frances nos anos anteriores. O que muitos não sabem é que além dos franceses, quase que no mesmo local também operou uma empresa italiana, a Linne Aeree Transcontinentali Italiane (LATI S.A.).

Vamos tentar traçar uma linha temporal para melhor explicar como essas incoerências surgiram.

Entre os anos de 1939 e 1941, a empresa LATI operou no Brasil e boa parte deste tempo teve base em Natal, principalmente para realizar os voos sobre o Atlântico, em direção a Roma. Neste mesmo período, eles dividiram quase que o mesmo espaço com os franceses, que estava em Parnamirim desde 1927, e até mesmo os americanos, a contar de 1941. É verdade que no ano de 1940, com a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial, eles literalmente conviviam com o inimigo, a poucos metros e essa proximidade gerou inúmeras confusões de datas e fatos.

Imagem da revista Life de 1941 que mostra ao fundo o hangar da LATI (Foto: Getty Imagem)

Pois bem, o hangar e outro prédio da LATI ainda existem nos dias atuais, no setor oeste da Base Aérea de Natal, o primeiro agora faz parte do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), da Secretaria de Estado da Segurança Pública do RN (Sesed), enquanto que o antigo hotel de trânsito dos italianos permanece com a Força Aérea Brasileira.

Durante anos, associou-se que aquele abrigo de aeronaves era remanescente da Air France e muitas pessoas ainda se referem a ele, como do “tempo da guerra”. Contudo, já ficou esclarecido que dos franceses resta algumas casas e galpões – o que merece um post futuro -, quando os dois hangares foram desmontados entre as décadas de 1950 e 1970.

A construção do hangar remonta ao início da década de 1940, com o auge dos voos entre o Brasil e a Ilha do Sal, na costa africana, que tinha Natal como ponto de partida com as malas postais e eventuais passageiros. Um dado curioso é que no caminho de volta, o avião pousava em Recife, no Pernambuco. De acordo com dados da época, a primeira pista era mais longa, o que garantia um decolagem mais segura para a aeronave carregada.

Em maio de 1940, a Itália entra na Segunda Guerra Mundial, o que dificultou um pouco a operacionalidade da empresa LATI, porém, ela se mantém ativa até o fim de 1941, quando os Estados Unidos entram no conflito. Como o principal fornecedor de combustível de aviões no Brasil, o fato prejudicou e muito as operações aéreas do país inimigo.

A LATI então abandona o campo de pouso, deixando para trás cerca de três aviões e demais equipamentos usados em Natal. O hangar passa a ser ocupado, temporariamente, pelo Exército Brasileiro que por sua vez vigiava a movimentação americana no campo dos franceses, meses antes de se mudarem definitivamente para o outro lado, onde era construída Parnamirim Field.

Soldados do Exército Brasileiro ocupando a área, ao fundo os edifíceis italianos e ao lado direito os franceses (Foto: Acervo do autor)

No fim da guerra, ainda era possível identificar o nome "LATI S.A." na fachada do prédio, mais o nome de um “Capitão Cézar”. Acontece que em determinado momento, que não se sabe ao certo quando, apagaram os nomes e batizaram de “Tenente França”, um piloto da FAB que morreu em um acidente aéreo, mas que ainda será contado aqui neste blog. Surge então a grande confusão, quando as pessoas associam o nome do militar a Air France, quando na verdade o local era dos italianos.

Imagem de 2009 do hangar, que hoje está recuperado e servindo ao Ciopaer (Foto: Leonardo Dantas)

 

Em azul local atual do hangar e em vermelho onde ficavam os franceses, mostrando como os "inimigos" estavam perto.

 

Nota do editor: No vídeo em anexo a este post é possível ver um C-47 pousando em Parnamirim Field e ao fundo os hangares da Ai France e da LATI.

 

 

Helicóptero esquilo do Rio Grande do Norte está de volta a ativa

Helicóptero esquilo do  Rio Grande do Norte está de volta a ativa

Potiguar 01 em seu retorno à Sesed (Foto: Pedro Vitorino)

O helicóptero do Governo do Rio Grande do Norte, integrado a Secretaria de Estado da Defesa Social e Segurança Pública (Sesed), o Potiguar 01 (Prefixo PR-YFF) está de volta às operações oficialmente. O aparelho foi reintegrado e apresentado à imprensa, na manhã desta sexta-feira, 11, em solenidade no Centro Administrativo de Natal, após quase dois anos ausente.

Ele estava em Fortaleza, no Ceará, cumprindo a revisão obrigatória de 144 meses de uso, ou seja, o equivalente há 12 anos. De acordo com o Governo do RN, o processo de revisão consiste em trabalho minucioso, sendo necessário desmontar e remontar todos as peças da aeronave, testando todos os seus componentes mecânicos, elétricos e eletrônicos. Somente na manutenção e reposição de componentes, segundo a Sesed, foram investidos cerca de R$ 2,9 milhões, com mais R$ 400 mil do seguro, que também é obrigatório.

O Potiguar 1 chegou ao estado na tarde da sexta-feira passada, dia 4, - como foi postado aqui -  e ficou na Base Aérea de Natal, em Parnamirim, para os últimos testes e calibragem de alguns componentes. A partir de 2021, o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) ocupará o hangar da setor Oeste da Bant, histórico e récem recuperado.

(Foto: Pedro Vitorino)

Ficha Técnica da aeronave:

Nome para a Sesed/RN: Potiguar 01

Fabricante: Eurocopter Ecureuil / Airbus Helicpters / Helibras (Brasil)

Modelo: AS 350 B2

Prefixo: PR-YFF

Autonomia: 662 km

Velocidade cruzeiro: 240/km/h a 280 km/h

Peso Vazio: 1.174 kg

Paso Máximo para Decolagem: 2.250 kg

Capacidade: 06 passageiros

Comprimento: 10,91 m

Diâmetro do Rotor: 10,7 m

(Foto: Pedro Vitorino)

 

Link Relacionaldo:

"Potiguar 01" retorna ao RN neste fim de semana

Dia D: A relação de Natal com a "Operação Overlord"

Dia D: A relação de Natal com a "Operação Overlord"

Muitas pessoas não fazem ideia de como a cidade de Natal, na costa leste do nordeste do Brasil, foi relevante para o esforço aliado durante a Segunda Guerra Mundial. A tomada da Normandia, na França, em 1944, é um dos fatos que estreita essa relação de importância da base aérea de Natal, também conhecida por Parnamirim Field.

O desembarque das tropas aliadas, em 6 de junho de 1944, é considerado um dos episódios mais importantes do período e resultou na libertação da Europa que estava ocupada pelo regime nazista de Adolf Hitler. Para compreender esta afirmação, podemos exemplificar com números de meios e recursos humanos nesta operação, que recebeu o codinome de “Overlord”:

  • Mais de 7.000 navios, sendo 1.213 naus de guerra e mais de 4.000 de desembarque;
  • 132 mil homens desembarcaram nas praias;
  • 24 mil paraquedistas;
  • 10.000 veículos terrestres transportados;
  • 4.000 mortos entre os aliados, apenas no Dia D;
  • 9.000 feridos ou desaparecidos;
  • 12.000 aeronaves utilizadas entre aviões de carga e combate.

Para esse post, o que interessa é justamente o último item, pois Parnamirim Field foi amplamente utilizada, principalmente nos meses que antecederam o Dia D, no transporte de pessoal, mantimentos e aviões, sobretudo os de carga. Dezenas de esquadrões, ligados a 8ª e 9ª Força Aérea do Exército dos Estados Unidos tiveram que descer até a América do Sul, cruzar o Atlântico até a África e seguir para Inglaterra. Podemos citar os 437th Troop Carrier e 454th Bomb Group, que operavam principalmente os C-47. Estes grupos agiram no dia 6 de junho de 1944, atuando em mais de uma surtida, e seguiram na Europa com o avanço da guerra.

Correspondência de militar americano do 437th Troop Carrier (Group) enviado a partir de Natal (APO604) em janeiro de 1944 (Foto: Acervo do Centro Cultural Trampolim da Vitória/CCTV)

O Dia D começou a ser planejado ainda no primeiro semestre de 1943 e por conta do mau tempo que obrigava o fechamento da rota norte, que saía dos EUA direto para a Inglaterra, a rota do sul passou a ser vital. Uma correspondência do Exército americano, endereçada ao alto comando a pedido do General “George”, comandante do Air Transport Command (ATC), alertava para esta necessidade de mudança de rota já em outubro de 1943.

Trecho do documento: On 1 october, all tactical aircraf now going over the North Atlantic will be ruted over the South Atlantic, with the exception of three hundred (300) heavy bombardment per moth. Consequently, the figures supplies have deducetd all of the B-17´s and some of the B-24´s to a total of three hundred per month allocated to the Eigth Air Force. 

Os números são impressionantes, uma vez que a 8ª Força Aérea receberia 825 aeronaves, entre outubro e dezembro daquele ano. Enquanto que a 9ª Força Aérea, tinha previsão de outros 130. Ou seja, seriam quase mil aeronaves para esquadrões que operavam a partir da Inglaterra e estariam envolvidos na operação futura. Não contabilizamos os meios entregues à 20ª e 40ª Forças Aéreas do Exército, nem as fornecidas aos britânicos, chineses e russos, que também passaram por Natal ao mesmo tempo.

Documento do Exército alertando para o fechamento da rota Norte (acervo do autor)

Referências:

 

"Potiguar 01" retorna ao RN neste fim de semana

"Potiguar 01" retorna ao RN neste fim de semana

O helicóptero da Secretaria de Estado da Defesa Social e Segurança Pública do Rio Grande do Norte (Sesed RN), o "Potiguar 01", chega nesta sexta-feira, 4, em Natal, após cerca de 25 meses de ausência.

O equipamento encontrava-se em manutenção no Ceará e ao que parece recebeu algumas melhorias que auxiliarão no trabalho da segurança pública. Uma das mudanças visíveis será a cor, pois a aeronave foi repintada em um tom preto fosco.

Aguardar o anúncio oficial do Governo do RN para ter acesso às imagens atuais.

Novo esquema de cores da aeronave (imagem: Cedida)

 

Links Relacionados:

Potiguar 01 permanece em manutenção

*Atualizado, 4 de junho de 2021, às 16h00.

 

(Fotos) Dia da Aviação de Caça

(Fotos) Dia da Aviação de Caça

O dia 22 de abril é celebrado na Força Aérea Brasileira (FAB) como o Dia da Aviação de Caça, em homenagem aos pilotos do 1º Grupo de Caça, o Senta a Pua, que atuaram na Itália durante a segunda guerra mundial. Essa história pode ser conhecida clicando aqui.

Este ano, o blog prestará sua homenagem com fotos de aviões utilizados pela caça da FAB, nos anos 2000.

F-5 do "Senta a Pua" realizando abastecimento em vôo sobre o nordeste brasileiro. (Foto: Leonardo Dantas - 2007)

AT-26 "Xavante" que durante anos serviu na formação dos pilotos (Foto: Sgt Jhonson / FAB)

F-2000, mais conhecido como Mirage, do esquadrão Jaguar, na Cruzex 2010 (Foto: Leonardo Dantas).

Pouso de F-5 na Base Aérea de Natal, na Cruzex 2018 (Foto: Leonardo Dantas).

A-4 do VF1 da Marinha do Brasil que opera em parceria com a FAB (Foto: Leonardo Dantas - 2020)

Aeronave A-29 "Super Tucano" utilizada amplamente na formação dos pilotos da caça (Foto: Leonardo Dantas - 2018)

A-1 "AMX um importante avião na história da aviação da FAB, fabricado em parceria com a Itália (Foto: Leonardo Dantas - 2018)

F-39 "Gripen" o mais novo caça da FAB (Foto: Sgt Bianca / Força Aérea Brasileira)

 

Links Relacionados:

O Dia da Aviação de Caça

 

 

Blogs


Clique aqui e receba nossas notícias gratuitamente!