P-47 Aviação e História

(Áudio) Piloto comunica controle aéreo sobre ejeção de tripulante em 2020

(Áudio) Piloto comunica controle aéreo sobre ejeção de tripulante em 2020

Em 3 de março de 2020, o tripulante de um A-29 “Super Tucano” do esqudrão Joker, sediado na Base Aérea de Natal (Bant), se ejetou sobre o litoral norte do Rio Grande do Norte, na praia de Genipabu, a 20 km da capital. Momentos após, o fato ganhou espaço nas redes sociais e se tornou assunto na mídia, tendo sido publicado aqui.

Passado um ano, o episódio nunca foi devidamente esclarecido pela Força Aérea Brasileira (FAB), um fato pitoresco tendo em vista que houve a ejeção e a aeronave permaneceu em vôo, com o piloto pousando a mesma em segurança, mesmo sem parte do canopi.

Com exclusividade, o blog teve acesso ao diálogo mantido entre o piloto e o controle aéreo, bem como o resgate que se deu em seguida. A princípio, o piloto da aeronave ejetora continuou o vôo, informando a situação de emergência, altitude e posição. Diante da situação, o controle libera o espaço aéreo, redirecionando um C-95 que estava na área.

Pede ainda que a outra aeronave A-29, que vinha de ala, continue no local na tentativa de avistar o paraquedas no ar ou na água. O piloto obedece e informa ter visual do militar na água a 20 metros da praia, momentos antes dele ser resgatado por um homem em um caiaque. A informação é repassada ao resgate SAR, que seria feito por um helicóptero H-36 “Caracal” que retornava de uma missão.

O blog P-47 procurou a Aeronáutica e obteve a seguinte reposta do Centro de Comunicação Social (Cecomsaer):

A respeito da ocorrência envolvendo aeronave militar no dia 3 de março de 2020, por se tratar de informação de caráter estratégico e segundo a Norma do Sistema do Comando da Aeronáutica (NSCA 3-6) sobre o grau de sigilo de informações, o Relatório de Ação Inicial, o Relatório Preliminar e o Relatório Final recebem o grau de sigilo mínimo de “reservado”, independentemente das circunstâncias da ocorrência, obedecida a legislação em vigor.

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79 anos da criação da Base Aérea de Natal

79 anos da criação da Base Aérea de Natal

Há 79 anos, por meio do Decreto-Lei nº 4.142, em 2 de março de 1942, era criada a Base Aérea de Natal (BANT), que viria a ser instalada efetivamente no início de agosto do mesmo ano. O seu primeiro comandante foi o major Carlos Souto.

A base integrou a força de defesa aliada na Segunda Guerra Mundial, sendo instalada ao lado da base norte americana, no Rio Grande do Norte. Ao longo dos anos, foi responsável pela defesa do nordeste e formação do quadro de pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB). Saiba mais.

Segue texto do decreto de criação:

DECRETO-LEI Nº 4.142, DE 2 DE MARÇO DE 1942

Cria a Base Aérea de Natal, Estado do Rio Grande do Norte.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o art. 180 da Constituição,

     DECRETA:

     Art. 1º Fica criada uma Base Aérea em Natal, Estado do Rio Grande do Norte, guarnecida inicialmente com um Corpo de Base Aérea de 3ª classe.

     Art. 2º Os elementos que se tornem necessários para a constituição desse corpo de Base Aérea serão recrutados e transferidos de outras Unidades da F.A.B.

     Art. 3º A Companhia de Infantaria de Guarda sediada em Natal passa a fazer parte do efetivo desta Base Aérea.

     Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 2 de março de 1942, 121º da Independência e 54º da República.

GETÚLIO VARGAS
J. P. Salgado Filho

Os americanos invadiriam o nordeste na Segunda Guerra Mundial?

Os americanos invadiriam o nordeste na Segunda Guerra Mundial?

De tempos em tempos aparece um vídeo com reportagem do programa Fantástico sobre um suposto plano de invasão do Exército dos Estados Unidos ao Nordeste do Brasil, como ponto de defesa durante a Segunda Guerra Mundial. A matéria aponta até mesmo a praia de Genipabu como ponto de desembarque, segundo documentos da época. (Link do vídeo)

Mas enfim, os americanos realmente iriam invadir Natal?

Antes de responder a pergunta, vale apontar alguns fatos ligados ao tema e que vão na contramão desta tese. Desde o século XIX, os EUA criaram políticas de isolamento em relação a outros continentes e fortalecimento de um bloco puramente americano. A Doutrina Monroe foi um exemplo disto, com o lema: “América para os americanos”.

Isso se tornou ainda mais evidente após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando os “yankees” tiveram que ir lutar na Europa, com pouco ou nenhum apoio das nações do próprio continente – O Brasil teve um breve envolvimento no conflito, mas é tema para outra postagem no futuro – ceifando inúmeras vidas.

Já na década de 1930, com as tensões aumentando na “Velho Continente”, os EUA decidem tomar algumas medidas, como conferências interamericanas com países da América Latina e do Sul, a criação da Carta do Atlântico junto da Inglaterra e uma tentativa de aproximação econômica com as nações do continente. No encontro de líderes de 1936, realizada em Buenos Aires e denominada como, Conferência Interamericana de Consolidação da Paz, é discutido o tema de uma guerra como a Primeira que envolvesse outros continentes, selando um pacto de apoio entre as nações americanas.

Ou seja, no discurso, se uma nação do continente fosse atacada por uma de outro, as demais prestariam apoio. O que foi ratificado em 1938, em Cuba, e depois em 1942, no Rio de Janeiro, após o ataque a Pearl Harbor, no Havaí.

Apenas com esses argumentos, fica claro que os EUA nunca precisariam invadir o Brasil, se o presidente brasileiro, Getúlio Vargas, não colocasse em dúvida suas intenções. Com o golpe de 1937, o ditador entrou no radar das famosas agências, como o Federal Bureau of Investigation (FBI) e o Escritório de Inteligência – equivalente da CIA atual –, principalmente por questões ideológicas e a forte relação comercial que o Brasil tinha com a Alemanha. Vale ressaltar que uma parte dos nossos militares eram germanófilos, inclusive viabilizavam a compra de armamento nazista.

Neste cenário, surge a necessidade de industrialização nacional, cujo ponto de partida seria uma siderúrgica. O Governo Vargas tinha um grande desafio, a começar pelo tamanho da obra, o custo e o acesso a tecnologia. Então, é criada a Comissão Executiva do Plano Siderúrgico para discutir o futuro da indústria e viabilizar capital estrangeiro. Um dos países que sinalizam positivamente é a Alemanha de Adolf Hitler, ainda em 1939. Mas no mesmo ano, a guerra estoura com a invasão da Polônia e os investidores recuam.

Ao mesmo tempo, a Comissão continua a trabalhar e encontra um banco norte-americano disposto a financiar a obra, porém, também recua devido ao risco de uma guerra mundial. Então, em 11 de junho de 1940, Getúlio Vargas entra para a história com um discurso a bordo do encouraçado Minas Gerais, atracado no porto do Rio de Janeiro, faz um discurso criticando os países liberais e defendendo a intervenção do Estado na economia. Apesar de não citar nominalmente, fica subentendido em determinado trecho a exaltação dele pelos feitos do nazismo, que há poucos dias tinha invadido a França.

“É preciso reconhecer o direito de nações fortes que se impõe pela organização baseada no sentimento de pátria e sustenta-se pela convicção da própria superioridade”, chegou a dizer.

A siderurgia nos EUA já estava totalmente estabelecida e tinha condição de apoiar uma instalação “verde e amarela”. E depois da fala de Vargas, os americanos despertaram para a necessidade urgente de uma aproximação definitiva, para eliminar qualquer receio de uma presença dos países do Eixo na América, tendo o Brasil como porta de entrada.

Os papéis são preparados e assinados, em um acordo que mudou a história do Brasil, do Nordeste e de Natal. Em troca do recurso financeiro, cedemos território para a construção de bases aéreas, ou melhor, “aeroportos”. Ainda na década de 1930, os americanos notaram a importância de Natal e precisavam de um ponto seguro e com condições climáticas razoáveis que permitissem a atividade aérea constante. As justificativas para utilizar a cidade eram civis, contudo, existia uma motivação velada, a qual incluía o plano de fornecer material bélico aos ingleses, que lutavam no norte da África e necessitavam de uma rota segura. A cidade era perfeita, pois possuía as condições naturais desejadas, o contato da população com a tecnologia aeronáutica, uma certa estrutura de campo de pouso e para a construção civil; mão de obra barata e abundante.

Contudo, o Brasil era uma nação soberana e não permitiria a interferência militar de outra nação, ainda mais em tempos de guerra, pois desde 1938 havia conflitos entre nações da Europa e Ásia. A solução foi um acordo que permitiu a instalação de aeroportos no território brasileiro e em troca, o Governo Vargas teve acesso a recursos e meios para implantar a siderúrgica de Volta Redonda, denominada posteriormente de Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Esse feito colocou o Brasil ao lado dos Aliados, pois já em janeiro de 1942 rompe relações com a Alemanha, em agosto do mesmo ano declara guerra e em 28 de janeiro de 1943, na Conferência do Potengi, em Natal, oficializa o envio de tropas para lutar no front. Resumindo, anos e anos de namoro com Hitler, acabou em questão de meses por causa do dinheiro para a CSN.

Foto do encontro dos presidentes em Natal, no ano de 1943 (Acervo do autor)

As Agências

Este tema da invasão americana ganhou muita repercussão nos anos 1990, quando alguns documentos referentes a Natal foram desclassificados como sigilosos pelo governo norte-americano, e mais ainda em 2017 com mais liberação de informação.

Nos anos 1930, os serviços de inteligência decidiram traçar diversos perfis de autoridades, artistas, pessoas influentes e militares brasileiros. A verdadeira espionagem em nosso solo. Os relatórios vão de textos enormes a simples citações, incluindo alemães e italianos que morassem nas cidades, a exemplo de famílias natalenses alvos dessa espionagem.

Por sua proximidade com o Norte da África, a base de Parnamirim Field foi considerada, segundo documentos do Departamento de Guerra dos EUA, "um dos quatro pontos estratégicos mais importantes do mundo", comparada ao Estreito de Gibraltar, o canal de Suez e Dardanellos (todos no Mediterrâneo).
O estudo de 1941, antes mesmo do Brasil largar a sua "neutralidade" e aderir aos aliados. A grande preocupação era um avanço alemão no Norte da África e uma possível tomada militar do nordeste brasileiro – o que se sabe hoje ser quase impossível com os recursos da época. Então, havia sim um plano de invasão americano para ocupação em nosso território, se algo desse errado.

Proximidade do Nordeste do Brasil com a África despertava atenção das nações inimigas

Os documentos mostram uma preocupação conosco ainda na Guerra Fria, em um deles a agência afirma que Brasil e EUA "devem representar os últimos bastiões da liberdade, reafirmando a tradição histórica de aliados leais e sinceros".

Fonte:

  • Organização dos Estados Americanos
  • Arquivo exibe "guerra ignorada' no Brasil, Folha de São Paulo, 1998.
  • 1942: O Brasil e sua Guerra quase desconhecida, João Barone, 2013.
  • A Engenharia Norte Americana em Natal, Leonardo Dantas, 2018.
  • Relações Militares: Brasil - EUA 1939/1943, Giovanni Latfalla, 2019

78 anos da Conferência do Potengi

78 anos da Conferência do Potengi

Há exatos 78 anos, no dia 28 de janeiro de 1943, encontravam-se em Natal os presidentes dos Estados Unidos e Brasil, Franklin D. Roosevelt e Getúlio Vargas, respectivamente. O assunto já foi amplamento explanado em nosso blog, por isso, compilamos os principais temas como a importância do encontro, por que Roosevelt estava de luto, o que aconteceu com o jeep e muito mais.

Conferência do Potengi: 77 anos e poucos lembram

Por que o prédio se chama Rampa?

Conferência do Potengi: O que houve com o jeep de Vargas e Roosevelt?

Conferência do Potengi: O quinto elemento no jeep?

Conferência do Potengi: O luto de Roosevelt

Conferência do Potengi: Natal na galeria histórica da Casa Branca

O "Warehouse" dos americanos nas margens do Rio Potengi

O "Warehouse" dos americanos nas margens do Rio Potengi

O Airport Development Program (ADP) e o Air Transport Command (ATC) utilizados pelos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, para construir a base aérea de Parnamirim e abastecer os aliados com suprimentos, respectivamente, utilizaram uma série de prédios em Natal. Uma dessas edificações seria um grande depósito nas margens do Rio Potengi.

O “warehouse” é descrito no livro do professor Lenine Pinto, “Natal USA”, como localizado na Rua Chile próximo aos clubes Centro Náutico Potengi e Sport Clube Natal. Ao longo dos anos essa localização exata se perdeu e especulou-se ser o antigo terminal de passageiros do Porto de Natal, reformado nos anos 2000.

Pesquisando em matérias de jornais e fotos da época, identificamos que o depósito pode ter sido desativado com a conclusão de uma ampliação do cais, concluída em 1945, já no fim da guerra e que contemplou o citado terminal. Esta obra foi inaugurada em novembro, com a presença de Joppert Silva, titular da pasta da Viação e Obras Públicas do Governo Federal e de Décio Fonseca, diretor-geral do Departamento Nacional de Portos (ex- chefe de obras dos melhoramentos do Porto de Natal).

Foto dos anos 1940, com a projeção de onde seria erguido o terminal de passageiros (Foto: Acervo do autor)

Décio aparece recorrentemente em matérias associadas ao Porto desde o ano de 1935. Em 1940, ele realiza visita técnica na obra de ampliação do Porto de Natal, com fim de ampliar em 16 metros o cais. Acreditamos que nesta etapa, uma edificação vista em fotos até 1945 seria o depósito arrendado aos americanos e que foi demolida na ampliação. Em uma das fotos da época, é possível ver o prédio sendo desmontado.

Esse depósito, segundo Lenine Pinto, era impotante para os EUA quando recebiam suprimentos, pois nem tudo vinha por via aérea.

Terminal erguido após 1945, com edificação sendo demolida ao fundo para ceder mais espaço (Foto: acervo do autor)

Local onde acreditamos que existia o depósito antes da ampliação de 1945 (Foto: Leonardo Dantas)

O padre mecânico potiguar na Segunda Guerra Mundial

O padre mecânico potiguar na Segunda Guerra Mundial

Ao longo dos anos o Rio Grande do Norte gerou histórias e personagens inusitados, principalmente quando o assunto é aviação. Um desses personagens é o padre mecânico de aeronaves Eladio E´Laistre Monteiro, que se especializou na manutenção de grandes motores de avião em plena segunda guerra.

Em janeiro de 1945, Eladio foi selecionado para concorrer a uma bolsa de estudo na Spartan School of Aeronautics, em Tusla, no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos, junto de outros onze norte-rio-grandenses: Eladio Monteiro, Uilde Monteiro, Norberto Silva Filho, Amaro Guerreiro de Castilho, Nivaldo Lustosa Cabral, Joaquim Alves da Câmara, Antônio Neto, Arnaud Pedrosa, Eudes Madruga, José de Oliveira e Vicente Lira.

Eles estudaram dois anos nas dependência de Parnamirim Field, com intuito de aprender noções básicas de mecânica, antes de seguir para Tusla, onde estudariam mais 7 meses. Ao todo, a turma tinha mais de 200 alunos, de um total de 15 países de nações aliadas – em sua maioria da América do Sul – inclusive China.

A rotina de estudos incluía aulas práticas e teóricas, com a vantagem de estarem em um grande centro da indústria aeronáutica, onde tinham acesso as mais modernas tecnologias da época. O relato diz que ao saírem na rua com as fardas de mecânicos, os potiguares recebiam a continência dos populares, inclusive dos soldados americanos.

Em 6 de julho de 1945, Eladio retorna a Natal tendo concluído o curso de mecânica com louvor. Voltam também, Joaquim Câmara, Antonio China Neto e Uilde Monteiro, enquanto outros seis potiguares continuaram os estudos em Tusla.

Em 3 de setembro de 1946, quando já queria ser padre, ele foi contratado pela Panair do Brasil para trabalhar na base aérea de Parnamirim. Em 1959, entrou para a ordem dos Jesuítas. No livro “A Contribuição Norte Americana à Vida Natalense”, consta um depoimeno do padre falando sobre o impacto da vinda dos yankees, no qual ele se identifica ainda como ex-professor da inglês da Sociedade Cultural Brasileira Estados Unidos (Scbeu) e capelão do Exército Brasileiro.

Nota do Blog: Infelimente não conseguimos nenhuma foto do padre Eládio Monteiro para ilustrar o post.

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