P-47 Aviação e História

25 de abril - A contribuição dos brasileiros para a libertação da Itália

25 de abril - A contribuição dos brasileiros para a libertação da Itália

Se não fosse a pandemia do Covid-19, a Itália estaria celebrando nas ruas o Dia da Libertação, em referência ao fim dos combates na segunda guerra mundial. Em algumas cidades, sobretudo na região central e norte daquele país, dedicariam a celebração à Força Expedicionária Brasileira (FEB), que atuou ativamente neste processo durante a Segunda Guerra Mundial.

No Brasil, a data é pouco lembrada apesar da importância, pois foi graças ao empenho do V Exército Americano, ao qual a FEB foi incorporado, que a Itália pôde ser libertada da ocupação do exército alemão, assim como levar paz ao Mediterrâneo. De um total de 25.445 soldados enviados ao front, o Brasil contabilizou 443 baixas e cerca de 3.000 feridos, em 239 dias de combate.

Para a FEB, um dos últimos capítulos desta história foi a batalha de Montese, iniciada nos primeiros dias de abril de 1945, quando a 92ª Divisão de Infantaria americana  - divisão de soldados negros americanos – tentou um ataque, mas teve de ser adiado por conta do mau tempo, retomando no dia 14 com participação brasileira. A esta altura da guerra, a tropa brasileira contava com uma certa experiência, desde que tinha iniciado seu batismo de fogo em setembro de 1944.

Em reunião no dia 8 de abril, participaram o alto escalão da 10ª Divisão de Montanha, a 1ª Divisão Blindada e a FEB, na pessoa do general Mascarenhas de Moraes, que colocou na mesa a possibilidade dos brasileiros assumissem a progressão pela planície do rio Pó. Até então, o pracinhas seriam tropa de apoio secundário. Apesar de certa resistência por parte dos americanos, o general Mascarenhas conquistou o espaço e aprovação.

A maior diferença para os brasileiros foi o combate urbano, o que não vinha ocorrendo até então. Isto mostrou a evolução da tropa, garantido o sucesso, na tomada de prédio a prédio, mesmo com fogo inimigo, campos minados e perdas humanas. A batalha persistiu até o dia 16 de abril, depois de uma tentativa fracassada de contra-ataque dos alemães. Ao fim, a FEB teve 34 mortos e 382 feridos. Do lado alemão, o saldo de mortos similar e mais de 400 prisioneiros.

Na fuga em direção ao norte da Itália, o exército alemão resistiu por mais alguns dias e pequenos combates. Outro fato bem relevante quanto a libertação da Itália e a FEB diz respeito a rendição da 148ª Divisão de Infantaria alemã, ocorrida em 28 de abril de 1945, um enorme feito para nossos homens, o que segundo o pesquisador e escrito João Barone seria algo inédito.

“...a 148ª DI foi a única unidade alemã que se rendeu integralmente antes do armistício no teatro de operações italiano”, diz Barone em seu livro 1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida.

2015

Em abril de 2015, uma comitiva com potiguares embarcou para Itália, para mesma região ondo ocorreu os combates em 1944 e 1945, participando das comemorações da “Coluna da Liberdade”, na qual as pessoas se vestem a caráter e fazem cortejos em veículos militares  de época. Uma das atividades acontece na Embaixada Brasileira em Roma, com direito a reconhecimento da contribuição do Rio Grande do Norte a FEB, quando cerca de 300 jovens se alistaram, dos quais seis não voltaram.

Números da FEB:

239 dias de combate na Itália

465 mortos 
    13 oficiais
    444 praças
    8 oficiais aviadores

2.722 feridos

35 feitos prisioneiros

1.500 citações de combate

1.000 condecorações

750 quilômetros (Km) avanço (Libertando as regiões da Toscana, Emilia, Lombardia, Piemonte)

01 divisão alemã rendida

20.573 prisioneiros
    2 generais
    802 oficiais
    19.679 praças

80 canhões capturados

1.500 viaturas apreendidas

Referências:

  • BARONE, João. 1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro. 2013.
  • Portal da FEB

Nota do editor: Tem um vídeo narrado por João Barone com os 70 anos da Festa da Liberdade na Itália. Clique aqui.

22 de abril - Dia da Aviação de Caça

22 de abril - Dia da Aviação de Caça

P-47 restaurado para o Museu da Aeronáutica (Foto: sgt Johnsson Barros / FAB)

 

Em 22 de abril de 1945, os pilotos do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) da Força Aérea Brasileira (FAB) fizeram história nos céus da Itália, lutando na Segunda Guerra Mundial. Em único dia, esses homens cumpriram 11 missões com 44 surtidas [voos de aeronaves], o que definiu a criação da data, celebrada pela FAB e, especialmente na Ala 10, ou deveria ser, pois é aqui em Natal onde os pilotos se especializam na Caça.

Caças F-5 do Senta a Pua atual, na Cruzex 2018 (Foto: Leonardo Dantas)

De acordo com os relatos históricos, as missões tiveram início às 8h30 da manhã, quando decolaram de Pisa, com voos se reversando até as 17h20, a bordo dos caças P-47 “Thunderbolts”. As missões incluiam o ataque a pontes, carros blindados, tanques e linhas férreas, além de apoio as tropas aliadas em solo. O dia marcou para sempre a história da FAB, contudo, não foi o único feito do 1º GAvCa, o nosso “Senta a Pua”. Ao todo, foram 49 pilotos, dos quais 9 morreram em serviço e 5 foram presos por inimigos, que tiveram suas vidas marcadas no início da juventude, tendo em vista a pouca idade com que embarcaram. Sem falar na equipe de apoio, composta por oficiais, sub-oficiais, sargentos, cabos e soldados.

O Senta a Pua foi engajado como um dos quatro esquadrões do 350th Fighter Group da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos. Seu desempenho chamou atenção do comando, que fez a recomendação para que os pilotos recebessem a medalhas “Presidential Unit Citation”, até então entregue apenas aos pilotos americanos. Esta menção se deu pelo empenho dos brasileiros, principalmente, entre os dias 4 de abril e 2 de maio de 1942. Segundo relato do brigadeiro Rui Moreira Lima, neste período, as missões do 1ºGAvCa representaram 5% de todo o esforço tático aéreo dos aliados no teatro de guerra do Mediterrâneo, na tentativa de adentrar na Alemanha nazista. Isto totalizou 15% de veículos destruídos – entre veículos blindados e tanques leves –, assim como 28% das pontes, 36% de depósito de combustível e 85% dos depósitos de munição.

 

Fotos reais dos ataques do 1ºGAvCa na Itália (Foto: Site Sentando a Pua)

O 350th Fighter Group

Na cidade de Dayton, Ohio, existe um monumento em homenagem ao 350th Fighter Group, composto de 4 faces e uma delas é destinado ao Senta a Pua, citando ser o esquadrão com o maior número de missões sem recompletamento.

Monumento do 350th Fighter Group, em Dayton, Ohio

Links:

Passagem dos aviões clandestinos ingleses por Natal antes da guerra

Passagem dos aviões clandestinos ingleses por Natal antes da guerra

Avião americano apenas com numeração U.S.9 utilizada para passar pelo Brasil (Foto: Revista Life)

 

Após o blog postar sobre o Posto da RAF em Natal e o 76 anos da queda do avião inglês Dakota KG508 no RN, diversos leitores se mostraram interessados na presença britânica no Rio Grande do Norte, no período da Segunda Guerra Mundial, e alguns questionamentos sobre a data da passagem dos aviões. É preciso entender, que mesmo antes dos EUA ou o Brasil entrarem definitivamente no conflito, já havia o apoio por parte das nações, mesmo que de maneira indireta.

Os EUA declaram guerra em dezembro de 1941, após o ataque a Pearl Habor, enquanto que o Brasil rompe relações com o Eixo em janeiro de 1942, vindo a declarar estado de beligerância apenas em agosto do mesmo ano. Contudo, desde 1940, a indústria norte-americana armava os ingleses e, por muitas vezes, foi preciso utilizar o Brasil como rota para as entregas, mesmo contrariando as leis da soberania nacional.

Existiam basicamente duas rotas de entrega, ambas cruzando o oceano Atlântico, uma pelo norte e outra pelo sul, sendo esta última por Natal. Existe uma série de imagens no arquivo digital da revista Life em que aparecem diversos aviões DC-2 no Campo de Parnamirim. A princípio nada de mais, entretanto, ao se observar melhor as aeronaves, percebe-se a inexistência de matrículas, apesar de serem aviões “civis”.

Avião identificado como sendo da Pan Am, mas que iria para os ingleses (Foto: Arquivo digital Revista Life)

Trata-se na verdade de uma encomenda de aviões americanos para os ingleses que, por sua vez, colocariam em uso pela Royal Air Force (RAF). Estas aeronaves passaram “clandestinamente” pelo Brasil a caminho da África, pois sem matrícula, constava Pan American Airways System, quando na verdade era dos ingleses.

Em um memorando assinado pelo cônsul americano em Natal, Harold Sims, há o relato da passagem de oito aviões Lockheed Lodestars para Bathurst – atual Banju – na Gambia, costa africana, trazidos por pilotos americanos, oriundos de Miami. Com direito a agradecimento a Panair – subsidiária da Pan Am – o cônsul fala sobre a preocupação com público local a respeito da “desaprovação” do Governo do Brasil com esta ajuda aos ingleses.

Trecho do memorando assinado pelo cônsul Harold Sims, relatando passagem dos aviões (Reprodução)

Este serviço clandestino persistiu até o ano de 1942, quando institucionalizou o Ferry Command da RAF no Campo de Parnamirim, portanto, não precisava mais o disfarce com ajuda da Pan Am. Vale salientar que era tempo de guerra, então valia quase tudo para manter o suprimento das tropas e, dificilmente, o Governo do Brasil não sabia de tudo, apenas não tinha como fiscalizar com eficiência ou reclamar. Ainda havia o medo de uma retaliação alemã maior do que vinha acontecendo, por estar ajudando os aliados. Uma coisa que não foi citado, diz respeito a rota pelo norte, que era muito difícil de ser feita pelo ar devido ao mau tempo por vários meses do ano e pelo mar havia a constante ameaça dos U-boots. Mesmo assim, ela foi muito utilizada para suprir a Grã-Bretanha, por ter o trajeto mais curto.

As rotas utilizadas para a entrega das aeronaves, passando por Natal, que ilustra livro oficial sobre as travessias (Reprodução)

Reprodução do livro Atlantic Bridge, mostrando as diversas aeronaves que os americanos entregavam aos ingleses (Reprodução)

As insígnias dos militares do Exército dos EUA em Parnamirim Field

As insígnias dos militares do Exército dos EUA em Parnamirim Field

As insígnias são utilizadas há centenas de anos para identificar os exércitos e os seus aliados. Na Segunda Guerra Mundial não poderia ser diferente e em Natal, na Parnamirim Field, os soldados são facilmente identificados por alguns símbolos, já que nesta base havia basicamente duas forças aéreas americanas atuando, a Marinha e o Exército, sem mencionar a Força Aérea Brasileira ou as demais nações amigas que utilizavam o aeródromo.

Neste post vamos citar as insígnias mais comuns no exército, ou melhor dizendo, no United States Army Air Force (USAAF), responsável pelo transporte de pessoal e mantimentos, por mio do Air Transport Command (ATC), que por sua vez tinha uma representação no Atlântico Sul, a United State Army Force South Atlantic (USAFSA).
A USAAF antecedeu a atual United States Air Force (USAF) e servia aos propósito do exército em todos os teatros de guerra e nas mais diversas missões. Sua insígnia era composta por um circulo azul, asas douradas e estrela branca com uma bola vermelha no meio. Este bordado era muito comum entre os militares que passaram por Natal, portanto, comum em imagens da época.

Parede em Parnamirim Field adornada com as duas insígnias, ATC e USAFSA. (Foto: Acervo do autor)

Outro bem comum, era a bolacha – assim mesmo como é conhecido em português:“bolacha” – do USAFSA, com um icônico Cruzeiro do Sul sobre um um céu azul, montanhas e ao que parece uma mata verde. Diferente do USAAF, este não é um circulo simétrico, pois parece mais uma meia lua. Se encontrar uma foto de um militar utilizando este símbolo, quase com certeza se trata em território brasileiro e com grandes chances de ser em Natal. (Foto da chamada deste post).

General Mark Clark com insígnia do 15th Army Group (Amarelo), militar americano com USAFSA (Vermelho) e ao lado um oficial da Força Aérea Brasileira (Azul) (Foto: Arcevo do autor)

Já o ATC a situação muda de figura, pois sua missão era agir em quase todos os continentes, inclusive no longinquou oriente, no trecho China, Burma e Índia (CBI). Com um símbolo bem similar, também havia o Air Corps Ferryiing Command, que era responsável pelo trasporte dos aviões novos das fábricas até as bases onde atuariam. 
Além dessas insígnias citadas, existiam as mais comuns entre os militares para a identificação de patentes ou funções, bem como os símbolos padrões das forças nas fardas e coberturas, como quepes e bibicos.

Os dois símbolos do ATC (Fonte: Acervo do autor)

Insígnia das Forças Armadas dos EUA (Azul), função de comandante de aeronave (Verde) e patch do USAAF (Vermeho), em militar da base de Parnamirim Field (Foto: Arcevo do autor)

Insígnia de comandante (Foto: Acervo do autor)

Símbolo do ATC pintado em aeronave C-87 (similar ao B-24), na base aérea de Parnamirim Field (Foto: Livro Fligth To Everywhere)

Símbolo do ATC pintado em aeronave, na base aérea de Parnamirim Field

Símbolo do ATC , em Karachi, Índia, mostrando que estava em muitos cantos do mundo (Foto: Livro Fligth To Everywhere)

 

76 anos da queda do avião inglês Dakota KG508 no RN

76 anos da queda do avião inglês Dakota KG508 no RN

O dia 15 de abril de 1944 marcou a história da aviação do Rio Grande do Norte com o acidente fatal do Dakota III (Serial Number “KG508”), na mesorregião do Vale do Açu, mais precisamente na comunidade do Serrote do Cuó. A aeronave de fabricação norte-americana era similar ao Douglas DC-3 e estava a caminho do teatro de guerra do CBI (China, Burma e Índia), passando por Natal, antes de cruzar o Atlântico, a serviço da Royal Air Force – RAF (Força Aérea Real Britânica), integrando a 113 South Atlantic Wing (RAF).

O percurso de traslado do avião era denominado por “ferry” e muito comum, pois sabe-se que por Parnamirim Field, em Natal, passaram inúmeros aviões para os ingleses, pelo RAF Transport Command´s Ocean Ferry, que transportou Dakotas (DC-3), Liberators (B-24), Catalinas (PBY-5), Baltimores (A-30), Fortalezas Voadoras (B-17, Venturas (PV-1), entre outros. Até aviões para os russos os americanos venderam e utilizaram Natal como rota, inclusive, um lote inteiro de A-30 “Baltimores” que seria entregue à RAF teve que ser desviado com urgência aos russos.

As aeronaves partiam novíssimas dos Estados Unidos e o Ferry Command entregava nas bases ou, diretamente, nos locais de combate. Em Natal, existia um posto da RAF, comandado por um canadense – vou ficar devendo a identificação dele – já que a Royal Australian Air Force fazia parte do Commonwealth britânico (assunto para um post futuro essa relação). No dia 15 de abril de 1944, este posto estaria esperando a passagem do Dakota III KG508, o que não aconteceu. A aeronave havia feito a rota pelo norte do Brasil e passou por Fortaleza, no Ceará, à tarde, fazendo contato com a estação radiográfica. Sob neblina e chuva, às 14h45 (Tem relato que teria ocorrido por volta das 16h30), acontece o acidente vitimando os três tripulantes.

Jornal a "A Ordem" de 18 de abril de 1944 noticiando o acidente, falando ainda ser um avião norte-americano (Acerto do autor)

Conta a história, que em 1945 a população local ergueu um cruzeiro no exato local da queda para celebrar a missa de 1 ano da morte dos militares e chegou a ser ponto de perigrinação com o tempo.

Em 2018, participamos de uma expedição até o local da queda, onde se encontra o cruzeiro.

Tripulação:

  • Piloto, sargento Ronald Jack Uden (1603568)
  • Navegador, pilot officer Gwilym Deiniol Morris (153759)
  • Sargento da Royal Australian Air Force,  William John Poling (417667)

Testemunhas contam que chegaram a ver o avião passando pela região, que apesar de possuir algumas montanhas, nenhuma chama atenção pela altura, com exceção do Pico do Cabugi, que fica cerca de 600 metros do nível do mar, portanto, não é um obstáculo tão grande, tendo em vista que esta aeronave poderia passar perto do Himalaia, no roteiro do CBI. Como causa do acidente, acredita-se ter sido alguma falha mecânica, associado a desorientação do piloto.

O local

O local do acidente é uma região de caatinga, a 25 km do centro de Assu, também conhecido como Serrote do Cuó. Interessante citar que na época, no dia seguinte chegou a primeira equipe da Base Aérea de Parnamirim, que permaneceu por quase uma semana recolhendo os destroços. Os restos mortais dos tripulantes foram levados, inicialmente para Assu, e depois para Mossoró, para depois serem encaminhados a Natal, onde estão sepultados no Cemitério do Alecrim.

Lápides dos túmuos dos militares no Cemitério do Alecrim, em Natal. (Foto: Leonardo Dantas)

Em 2018, acompanhando a gravação do programa Conversando com Augusto Maranhão, fizemos uma expedição ao local da queda, levando inclusive o adido inglês no Brasil, Kevin Flemming e o pesquisador e escritor Carlos Motta. Esta foi a segunda vez que fomos ao local e mostrou as dificuldades que era de se chegar, mesmo com carros 4x4, celulares modernos e GPS, o que nos leva a imaginar que eles enfrentaram em 1944. Em 2010, tinhamos ido acompanhado do coronel da reserva da FAB, Rômulo, escritor e pesquisador da aviação, quem nos apresentou o tema pela primeira vez.

Nota do Bolg: O sargento William John Poling (417667) está no Roll of Honour da Royal Australian Air Force

Referências:

https://highgate-rsl.org.au/afcraaf-roll/poling-william-john-417667/

https://aviation-safety.net/database/record.php?id=19440415-1

O posto da Royal Air Force em Natal

O posto da Royal Air Force em Natal

Mesmo antes do Campo de Parnamirim se tornar uma das maiores bases aéreas norte-americanas, na segunda guerra mundial, o local foi utilizado para fornecer material bélico aos ingleses, o que continuou no decorrer da guerra. Natal como rota aérea com destino à África ficou mundialmente conhecida na década de 1920 e nos anos 1940 ganhou sua maior notoriedade, já que as rotas marítimas estavam enfrentando dificuldade devido ao ataque dos U-boots alemães.

O transporte de carga ocorria em comboios desgastantes, os quais contavam com escolta naval e aérea, obrigando os navios a ziguezaguear para driblar a mira dos submarinos, e mesmo assim, muitos foram afundados em todo o oceano Atlântico. Para contornar este problema, produtos que poderiam ser transportados via aérea saindo dos Estados Unidos com destino a África, passavam por Natal, inclusive quando a encomenda eram os próprios aviões.

Parnamirim Field contava até com uma posto avançado da Royal Air Force, com comandante próprio. Inúmeros modelos de aeronaves passaram por aqui para serem entregues aos ingleses e talvez o mais utilizado sejam os Dakotas, ou conhecido também por C-47. Um deles, o Dakota 508, que iria integrar o 45th Bomb Group da RAF sofreu um acidente próximo a Assu, em 1944 [Será tema de post futuro]. O avião que ilustra este post e um Baltimore, ou A-30 para os EUA.

Quanto aos costumes, os ingleses era bem mais reservados do que os americanos, com pouca interação social com os natalenses, no período da segunda guerra. Um dos poucos relatos que encontramos diz respeito a visita a família de John Stirling, comerciante inglês que vivia em Natal, e que em 19 de junho de 1945 recebeu o título de vice-cônsul.

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