P-47 Aviação e História

Há 7 anos passava o último "Catalina" por Natal

Há 7 anos passava o último "Catalina" por Natal

Há 7 anos, em janeiro de 2013, passava por Natal o último Consolidated PBY-5A “Catalina”, vindo da África do Sul, após ser comprado e restaurado por uma empresa canadense. O avião ganhou notoriedade na segunda guerra mundial, tendo atuado em diversos cenários do conflito, principalmente no Atlântico e Pacífico.

Em Natal, o avião conquistou o imaginário popular e ao longo dos anos sempre que se fala em segunda guerra ou Rampa, logo o nome “Catalina” aparece. Ironicamente, em pouco tempo esses aviões foram substituídos aqui pelo PB4Y “Liberator”, na defesa da costa contra os submarinos alemães.

Na ocasião, em 2013, acompanhamos a passagem do Catalina, matrícula N427CV, no então Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim. Quem também estava por lá, era o piloto Pery Lamartine, que chegou a voar aeronaves do tipo, no fim da guerra, pela empresa Aerogeral, na linha Natal-Rio.


Pery Lamartine posando para matéria do então Diário de Natal

 

Tripulação do N427CV preparando aeronave para o voo, em 2 de janeiro de 2013

O que aconteceu em 28 de janeiro de 1942?

O que aconteceu em 28 de janeiro de 1942?

Em 28 de janeiro de 1942, no Rio de Janeiro, o ministro das Relações Exteriores, o chanceler Osvaldo Aranha, lia na Conferência dos Chanceleres das Américas o decreto presidencial que informava a ruptura das relações com Alemanha, Japão e Itália. Coincidentemente, um ano depois ocorreria o encontro dos presidentes Vargas e Roosevelt, em Natal.

Conferência do Potengi: O que houve com o jeep de Vargas e Roosevelt?

Conferência do Potengi: O que houve com o jeep de Vargas e Roosevelt?

Essa é provavelmente uma das perguntas que mais escutamos quando o assunto é o encontro de Vargas e Roosevelt, em Natal, no dia 28 de janeiro de 1943. A pergunta não é muito fácil de se responder. Entretanto, é possível afirmar que o veículo de matrícula 2083696, nº 7, do Exército dos EUA, se perdeu na história, como mais uma prova de que não preservamos nossa memória.

Como é possível se perder o palco de um dos momentos mais importantes de nossa história? Pois bem, após o ocorrido, o jeep chegou a ser preservado e exposto no terminal de passageiros do Aeroporto Augusto Severo, onde permaneceu até meados dos anos 1950 com uma placa resumindo sua importância, mas quando necessitaram de viaturas na Base Aérea de Natal (BANT), ele foi colocado de novo em serviço.

No livro a História da BANT, do coronel aviador da FAB, Fernando Hipólito da Costa, consta que o jeep foi a leilão e desde então nada se sabe. Em dez anos, uns dois propensos candidatos – restos de chassi e chapa de metal – ao jeep nº 7 apareceram, porém, nenhum deles se mostrou o verdadeiro. Com a ajuda de pesquisadores e colecionadores, a então Fundação Rampa conseguiu fazer a checagem entre o número do chassi e a matrícula, comprovando não ser verdade. Em 2019, um terceiro candidato surgiu, mas ainda não foi possível fazer a checagem.

 

 

Conferência do Potengi: O quinto elemento no jeep?

Conferência do Potengi: O quinto elemento no jeep?

Incrível como alguns detalhes passam desapercebidos na história. A presença de uma quinta pessoa no jeep que transportou Vargas e Roosevelt por Natal passou desapercebida por anos. Nos bancos da frente iam o motorista, o capitão do Exército, David Moore, e o presidente americano Franklin Delano Roosevelt. Na parte de trás, iam o almirante Jonas Ingram, o presidente brasileiro Getúlio Vargas e um oficial da Marinha dos Estados Unidos, de nome desconhecido. Nem no relatório oficial se preocuparam em citar o rapaz. Vale citar, que o motorista mesmo só se tornou conhecido após matéria de sua cidade natal relatando o fato histórico.

Por outro ângulo é possível ver o oficial da Marinha ao lado de Vargas.

Documento do Governo dos EUA no qual não aparece o nome do motorista nem do oficial que ia atrás

 

Conferência do Potengi: O luto de Roosevelt

Conferência do Potengi: O luto de Roosevelt

Um detalhe que chama atenção na foto histórica de Vargas e Roosevelt, a bordo do jeep, em Natal, é a braçadeira preta no braço direito do presidente americano, que estava de luto pela morte da mãe, a senhora Sara Ann Roosevelt (1854-1941).

Na época as demonstrações de luto demoravam bem mais do que os dias atuais, pois a foto em Natal ocorreu em 28 de janeiro de 1943, enquanto que senhora Sara Roosevelt havia falecido em 7 de setembro de 1941.

A mesma faixa preta pode ser vista no braço do presidente norte-americano, em 11 de setembro de 1941, enquanto ele fazia um pronunciamento à nação. Ao assinar o decreto de guerra contra o Japão, após o ataque a Pearl Harbor, a mesma faixa, em dezembro de 1941.

Assinatura do decreto de guerra contra os japoneses, em dezembro de 1941

Pronunciamento de Roosevelt em rádio, 4 dias após a morte de Sara Roosevelt, em setembro de 1941

FDR e Sara Roosevelt, no ano de 1933

Conferência do Potengi: Natal na galeria histórica da Casa Branca

Conferência do Potengi: Natal na galeria histórica da Casa Branca

Existem alguns fatos que marcaram a história do Governo dos Estados Unidos e alguns deles ocorreram a bordo da aeronave oficial, o famoso Air Force One. Entre esses fatos: o transporte do corpo de John F. Kennedy ou a visita surpresa do presidente George W. Bush, no Dia de Ação de Graças, em 2003, ao Iraque em guerra.

O que pouca gente sabe é que a primeira vez que um presidente americano fez viagem oficial em uma aeronave foi a que passou por Natal, na volta de Casablanca, no norte da África, onde havia conferenciado com o primeiro ministro Winston Churchill. Em Natal, Roosevelt se encontra com Vargas, então presidente do Brasil, no que ficaria conhecido como Conferência do Potengi. Esta viagem coloca Natal na história da Casa Branca.

Boeing B-314 Clipper ancorado no Rio Potengi, em Natal

 

A aeronave em questão era um Boeing B-314 Clipper, com mais de 45 metros de envergadura e 32 metros de comprimento, com quatro motores, que pousou no Rio Potengi. Este avião era bem diferente dos utilizados pela Marinha dos EUA, pois não havia identificação de esquadrão nem mesmo insígnias. No leme havia os dizeres NC 18605, na lateral o nome da Pan American Airway – pois se tratava de um avião emprestado da empresa – e no nariz uma bandeira americana.

Vale lembrar que na época não existia a designação “Air Force One”, pois não existia o serviço oficial de transporte que só foi criado posteriormente, quando um C-54 Skymaster foi modificado. Na administração Truman adquiriu-se uma C-118 Liftmaster, batizada de “Indepence”. A designação Air Force One ocorreu apenas na administração Eisenhower após problemas de prefixo que se confundiu com um avião civil. Então, desde 1953, sempre que um presidente embarca em uma aeronave, esta passa a ter a designação especial e com prioridade de voo.

Outra curiosidade é que o presidente comemorou seus 61 anos a bordo do avião, quando retornava do Brasil, em 30 de janeiro de 1943.

Essa história do primeiro voo é contada em diversos documentários envolvendo o Air Force One, e um deles está no link abaixo:

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