P-47 Aviação e História

A menina na janela eternizada por uma fotografia

A menina na janela eternizada por uma fotografia

Acredito que umas das fotos mais populares que representa Natal na segunda guerra, com exceção de Vargas e Roosevelt a bordo do jeep Nº 7, seja a da menina na janela de sua residência na Avenida Rio Branco. Sempre que alguém via a foto falava que ela estava paquerando os americanos, ou pelo menos ouviu alguém dizer.

Pois bem, há poucos dias, eu tive o prazer de conhecer o irmão da mocinha e ele esclareceu que a menina à época era uma adolescente de aproximadamente 13 anos, portanto, não tinha esse interesse nos americanos. De acordo com ele, a história ganhou o mundo com a publicação da foto em diversas revistas e jornais - inclusive no livro Flight To Everywhere - , e todas as vezes quando havia oportunidade ele explicava que a foto era uma má interpretação. Atualmente, a Getty Images detém o direito de uso da fotografia e ainda consta em seu site, em petro e branco ou colorida.

Fomos informado ainda que a casa, cenário da foto, ainda pertence a família e está fechada há anos, restando apenas o piso e algumas paredes da residência original.

[13.01.2020] - Atualizado: Diversas pessoas me perguntaram se a menina da janela ainda estava morando em Natal. A resposta é não. Segundo o irmão, ela já é falecida.

Foto que está com a Getty Images

 

Atual estado da casa que serviu de cenário

[Livro] Flight To Everywhere

[Livro] Flight To Everywhere

Quando o assunto é Natal na segunda guerra mundial existem uma dúzia de livros e algumas dezenas de artigos científicos que valem a pena serem lidos, e um deles eu considero o Fligth To Everywhere de Ivan Dimitri.

A obra conta em detalhes a aventura que era ser um piloto do Air Transport Command (ATC), um braço da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (United State Army Air Forces - USAAF), em um percurso de 32 mil milhas de viagem, passando por florestas, desertos e o ártico.

No trajeto, ele passa por Natal e relata em detalhes a missão de transporte e faz alguns comentários sobre o cotidiano da cidade na década de 1940. Para minha surpresa, o livro é bem ilustrado e traz algumas imagens interessantes, como a menina na janela da avenida Rio Branco, os americanos bebendo na varanda do Grande Hotel e algumas fotografias coloridas, inclusive da construção da base de Parnamirim.

Adquiri o livro por meio do Ebay, por isso adianto que não é um material fácil de se conseguir. Pode procurar em PDF na internet, em arquivos apenas para leitura. Contudo, eu ainda prefiro ter o livro físico, por conveniência e sem falar ser uma raridade.

 

 

Espiões agindo em Natal ou apenas coincidência?

Antes mesmo do Brasil ou os Estados Unidos entrarem na segunda guerra mundial, o clima de suspeitas pairava sobre a cidade de Natal. O ano de 1941 foi decisivo, pois foi quando chegaram os primeiros técnicos responsáveis pela construção de Parnamirim Field e da base de hidroaviões, às margens do Rio Potengi, também conhecida como a Rampa. Tudo coincidência, a presença dos técnicos e dos "espiões".

Uma prova deste clima suspeito está nas correspondências trocadas entre o cônsul dos EUA em Natal, Harold Sims e o embaixador Jefferson Caffery, relatando incidentes nas obras e a movimentação de estrangeiros.

No dia 4 de dezembro de 1941, o cônsul americano comunicou a Embaixada a respeito da presença de um diplomata japonês em Natal, demonstrando surpresa que o mesmo não foi abordado pela polícia local, nem quando fotografava as construções americanas.

Segue a integra do relato:

[Tradução] – 4 de dezembro de 1941

Masakatsu Nosaki, diplomata japonês bem nutrido, passou três dias de folga em Natal na semana passada e realmente observou muito. De olhos bem abertos, fotografou as três bases em andamento aqui, e usou vários rolos de filme e registrou diversos ângulos da cidade. Ao contrário de alguns de seus compatriotas, Nosaki não foi impedido pela polícia, presumivelmente por causa de sua posição diplomática. Além de sua estreita associação com o pessoal da LATI, não se sabe se entrou em contato com mais ninguém aqui.

As três bases que o cônsul Sims faz referência, são a base de Parnamirim, a Rampa e a Base Naval de Natal, que também tinha sido iniciada. Uma coincidência, a visita do diplomata japonês aconteceu dias antes do ataque a Pearl Habor, em 7 de janeiro, que desencadeou a entrada americana na guerra definitivamente.

Pesquisando mais sobre o assunto, encontramos o mesmo relato no livro Pan Am At War, no qual aparece correspondência entre o presidente da Pan Am, Juan Trippe e autoridades do governo dos EUA.

Trecho do livro Pan Am at War:

Juan Trippe estava preocupado com a infiltração pró-nazistas nas operações da Pan Am no Brasil. Ele pediu ao Departamento de Guerra e Divisão de Inteligência Militar que investigasse ... O favor foi devolvido..., quando o Escritório de Inteligência Naval do Departamento da Marinha, em uma carta confidencial a Trippe. Em um memorando confidencial de 5 de maio de 1941, para Caffery, Sims relatou suas suspeitas de que o gerente da panair era “definitivamente prejudicial para o nosso trabalho aqui… em virtude de ele ter algumas relações comerciais com a LATI, CONDOR e AIR France, e completo acesso ao campo de Parnamirim, onde Panair está construindo uma base, ele pode estar atrasando a atividade ”. Em 14 de agosto, Sims informou ao Secretário de Estado dos EUA que uma bomba de combustível foi incendiada em um armazém da Standard Oil perto da base da ADP (Parnamirim), mas um vigia noturno extinguiu o incêndio. Sims informou a Caffery que um diplomata japonês chamado Masakatsu Nosaki passou três dias em Natal tirando fotos do trabalho da ADP e foi inexplicavelmente deixado sozinho pela polícia, embora houvesse suposições de que era devido ao seu status diplomático.

Apesar de constar nos documentos oficiais da embaixada dos EUA, não encontramos nada mais da presença do diplomata japonês em Natal ou o motivo de sua passagem por aqui.

28 de janeiro de 2020: o encontro de Vargas e Roosevelt completará 77 anos

28 de janeiro de 2020: o  encontro de Vargas e Roosevelt completará 77 anos

O ano de 2020, o dia 28 de janeiro mais precisamente, marcará 77 anos do encontro dos presidentes brasileiro e americano, Getúlio Vargas e Franklin Delano Roosevelt, respectivamente. O fato entrou para a história e foi eternizado na foto acima, marcado também por alguns detalhes que vamos revelar ao longo do mês de janeiro. Um deles, é como se nos dias de hoje, o presidente Trump passasse por Natal e o presidente Bolsonaro viesse ao encontro secretamente, sem avisar às autoridades locais, nem civis ou militares, no primeiro momento. Era assim em tempos de guerra.

Feliz Natal

Feliz Natal

Feliz Natal para todos os leitores. Desejamos saúde e sucesso a todos que nos acompanham.

Centro Cultural Trampolim da Vitória tem sua primeira fase inaugurada

Centro Cultural Trampolim da Vitória tem sua primeira fase inaugurada

O terminal de passageiros do antigo Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim, foi transformado em Centro Cultural Trampolim da Vitória (CCTV) e teve sua inauguração na tarde da terça-feira (17), para convidados. A abertura ao público deve acontecer no mês de janeiro, com a conclusão da exposição histórica e demais atrações.

A primeira fase do projeto conta com acervo histórico sobre a presença norte-americana no Rio Grande do Norte, no período da segunda guerra mundial, e artigos sobre a base aérea de Natal, atual Ala 10. A expectativa é que o projeto cresça e crie outros espaços, dedicas a história da aviação, passando pelas décadas de 1920 e 1930, com a presença dos italianos, alemães e franceses.

O projeto vem sendo encabeçado pela Prefeitura de Parnamirim e conquistou apoios importantes, como da Força Aérea Brasileira (FAB), Consulado dos EUA em Recife, Governo do Estado, Sebrae e Fecomércio RN.

Peças históricas constam no acervo. Foto: Leonardo Dantas

Fotos e cartas são alguns dos documentos. Foto: Leonardo Dantas

 

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