P-47 Aviação e História

A história da queda do Mirage no CATRE

A história da queda do Mirage no CATRE

Há alguns dias, em um grupo de whatsapp alguém me questionou se eu sabia algo sobre o acidente de uma aeronave Mirage na Base Aérea de Natal. De imediato pensei, “nunca caiu um Mirage em Natal”. Pois bem, eu me enganei. Apesar de ter nascido em 1983, pesquisando um pouco e conversando com alguns amigos, descobri o tal acidente, ocorrido em 19 de maio de 1982, próximo a base e que, graças a Deus, não deixou vítimas fatais.

O Diário de Natal, jornal impresso da época, deu a notícia, relatando que a aeronave Mirage caiu por volta das 10h30, próximo a lagoa de Pium e do Centro de Aplicação Técnica e Recompletamento (CATRE), enquanto participava de treinamento de tiro aéreo. Na ocasião, os dois pilotos se ejetaram em segurança, o então tenente Lorenzini e o tenente Dílio. Importante citar que em documentos disponíveis para pesquisa, consta que este segundo piloto era o capitão Addi Ivan.

Pelos documentos liberados, a aeronave era um Mirage IIIDBR F-103D FAB4903, do 1º Grupo de Defesa Aérea (GDA), um jato biplace que havia entrado em operação na Força Aérea em 1972, com o FAB4900/01 primeiro e em seguida pelos FAB4902/03. Outros dois caças do tipo, o 4904 e 4905 entraram em operação em 1984. Ao todo, a FAB chegou a ter dez unidades nesta configuração IIIDBR F-103D.

Ilustração do brasileiro Rudnei com o perfil de cores utilizado à época pelo avião

Sobre o acidente, sabe-se que os pilotos vinham do treinamento e ao se prepararem para o pouso, descobriram a aeronave apresentou um defeito no trem de pouso – provável que o trem não tenha baixado corretamente – e após 30 minutos de voo na expectativa de ter o equipamento em uso novamente e ao mesmo tempo gastando combustível, eles optaram em abandonar o avião. Vale lembrar que um pouso de barriga do avião sobre a pista seria uma, quase certa, catástrofe. Diante do cenário, eles direcionaram o avião para uma área desabitada e fizeram a ejeção, sendo resgatados momentos depois por militares do CATRE. O local exato da queda não se sabe hoje ao certo, pois a matéria do jornal fala em uma área próximo a lagoa de Pium e do Catre, enquanto que um dos documentos consultados fala em quilômetros de distância da pista.

Algumas curiosidades sobre o Mirage F-103D. Em 29 de março de 1989, o piloto brasileiro Ayrton Senna realizou voo em um modelo da aeronva, o F-103D FAB4904. Anos antes, a mesma aeronave sofreu um incidente por colapso do trem de pouso. Infelizmente, não consegui uma foto do nosso FAB4903.

[ATUALIZADO] 18/12/2019 - Em conversa com o coronel Camazano, pesquisador e escritor aeronáutico, me confirmou que o piloto na ocasião era o capitão Addi Ivan, também conhecido como "Bororó".

FAB4904 se envolveu em incidente, também, por causa do trem de pouso

 

Foto do provável FAB4903 em Anápolis/GO

 

Referência:

[Fotos] Helicóptero é utilizando em treinamento de cães do sistema prisional

[Fotos] Helicóptero é utilizando em treinamento de cães do sistema prisional

Pouca gente sabe, mas o sistema prisional do Rio Grande do Norte conta com um Grupo Penitenciários de Operações com Cães e, na semana passada, esses cães tiveram um treinamento diferente, utilizando aeronave. Foi o II Curso de Cinotecnia em Ambiente Prisional, promovido pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), e contou com um helicóptero Esquilo do Estado do Ceará, que está emprestado ao RN.

Com apoio da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), os agentes penitenciários treinaram procedimentos de segurança para embarque e desembarque da aeronave. Em 11 dias de curso, dos 33 inscritos, 10 se desligaram do treinamento diário, que envolve detecção de explosivos, armas, drogas e dispositivos eletrônicos, guarda e proteção, além de táticas de patrulhamento e procedimentos de segurança envolvendo cães.

Segue algumas imagens da etapa utilizando o helicóptero, feita pelo jornalista Augusto César.

 

Visita de Eisenhower ao Brasil passando por Natal

Visita de Eisenhower ao Brasil passando por Natal

Ao final da Segunda Guerra Mundial, o comandante supremo das tropas aliadas, o general Dwight D. Eisenhower, se comprometeu em visitar os países aliados que ajudaram no conflito bélico, entre eles o Brasil, que tinha enviado uma força expedicionária com cerca de 22 mil homens a Europa.

Matéria do jornal A Ordem, do dia 16 e julho confirmando a vinda do general ao Brasil.

Em 1946, o general anunciou sua vinda ao Brasil e por consequência passaria por Natal a caminho do Rio de Janeiro, então capital do País. Em Natal, ele chega no dia 2 de agosto de 1946 e aqui cumpre agenda passando por Parnamirim Field, atual Ala 10, e pelo Consulado dos Estados Unidos, antiga sede do 3º Distrito Naval, atualmente, um prédio sem uso, na Avenida Hermes da Fonseca.

Matéria do jornal A Ordem, do dia 2 de agosto de 1946.

Um dos prédios visitados por Eisenhower em Natal.

Um dado importante sobre a passagem de Eisenhower é que ao chegar no Rio de Janeiro, o comandante fez questão cumprimentar o general Mascarenhas de Morais, o comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Itália. Além disso, o americano foi um dos reconhecedores da importância do Brasil na Segunda Guerra Mundial, tendo em vista que antes os ingleses haviam apresentado uma certa resistência, duvidando da necessidade e capacidade de uma nova tropa, sobretudo nas condições que se encontrava o nosso Exército na década de 1940.

Ao lado do general Mascarenha de Morais.

Eisenhower, ou Ike como também era conhecido, foi nomeado o comandante supremo aliado e um dos principais cabeças da libertação da Europa ao fim da guerra. Seu papel de liderança também teve destaque na política, quando eleito presidente dos Estados Unidos em 1953, permanecendo no cargo até 1961. Sua administração ficou marcada pela dessegregação racial nas Forças Armadas e em parte do serviço público, causando resistência em alguns setores, inclusive com colegas de fardas.

Há 78 anos a guerra começava em Natal

Há 78 anos a guerra começava em Natal

Há 78 anos, no dia 11 de dezembro de 1941, começava a guerra em Natal antes mesmo do Brasil declarar oficialmente. Neste mesmo dia, chegava a cidade o esquadrão da United States Navy “VP-52”, ocupando a área onde seria construída a popular Rampa, em Santos Reis. Tratava-se do primeiro esquadrão operacional a chegar com a missão de proteger a costa dos temíveis U-boats e alguns fatos curiosos.

O primeiro deles diz respeito ao ataque de Pearl Harbor, que colocou os Estados Unidos definitivamente na Segunda Guerra Mundial. Tal ataque ocorreu em 7 de dezembro, ou seja, quatro dias antes do desembarque em Natal, o que leva a crer em um planejamento norte-americano antes mesmo do ataque no Pacífico.

Outro ponto curioso e de muita confusão é que o esquadrão foi deslocado antes da entrada dos EUA e do Brasil na Segunda Guerra. A viagem da Flórida para Natal demoraria em torno de uma semana, então colocaria as aeronaves em voo durante o ataque. Já o Brasil romperia relações com a Alemanha apenas em janeiro de 1942.

De fato, os militares americanos se encontravam na cidade desde abril de 1941, porém, estavam disfarçados de técnicos e funcionários do ADP – Airport Development Program – que estava construindo as pistas de pouso em Parnamirim e as instalações da U.S. Navy, às margens do Rio Potengi. Quando houve a declaração americana e o rompimento brasileiro das relações com o Eixo, parte desses civis apareceram fardados.

O Dornier Do X

O avião foi projetado pelo alemão Claudius Dornier, que também era autor do projeto do Dornier J Wal, avião muito utilizado pelos alemães da Lufhthansa / Syndicato Condor, que operavam em Natal, às margens do Rio Potengi. A base de operações do Syndicato Condor ficava onde hoje se encontra o 17º Grupamento de Artilharia e Campanha (17GAC), mas isso é assunto para outro post.

Em 1930, com a intenção de vender o projeto para outros países, a empresa fabricante Dornier Flugzeugwerke promoveu, com apoio do governo alemão, uma viagem pela América, partindo da Europa e passando pela África. Após muitos problemas e alguns acidentes, em junho de 1931 o Dornier Do X amerissa no Rio Potengi.

Foto com autógrafo do português Gago Coutinho - Fonte: Acervo do Autor

Entre os passageiros e observador do voo estava o piloto português Gago Coutinho, famoso na aviação da década de 1920 por ter feito um raid entre a Europa e o Brasil, no mesmo período das primeiras travessias aéreas sobre o Atlântico. Ele foi um dos convidados da família Machado, no jantar em homenagem à tripulação do Do X, que era comandado pelo ex-oficial alemão aviador  naval e herói da Primeira Guerra Mundial, Friedrich Christiansen, , e Fritz Hammer, também ex-oficial aviador naval e diretor do Syndicato Condor.

Em diversos artigos que encontramos na internet, tratam a chegada do avião a Natal, em 18 de junho de 1931. Entretanto, um cartão autografo dado a família Machado por Gago Coutinho, está datado em 14 de junho de 1931. Enfim, não resta dúvida que a cidade norte-rio-grandense marcou mais uma vez sua participação na história da aviação.

Foto rara do Do X em Natal, cedida ao blog por pesquisador brasileiro.

A AERONAVE

O Dornier Do X chamava atenção algumas coisas, em nossa opinião. Primeiro o seu tamanho, totalizando 48 metros de envergadura. Por último, os 12 motores montados sobre a asa, que davam força para levantar voo com suas 56 toneladas e até 100 passageiros.

CURIOSIDADE

Apesar do seu tamanho imponente e provável sucesso de projeto, apenas três unidades do Dornier Do X foram fabricados. Dois delesm, X2 e X3, foram vendidos e utilizados pela Regia Aeronautica Italiana. O original, de matrícula D-1929, retornou a Alemanha e foi colocado no Museu da Aviação de Berlin, o qual foi bombardeado durante a segunda guerra, destruindo parte de seu arcevo, inclusive o Dornier Do X.

Detalhe do mapa que estava no Museu da Aviação Alemã em Berlin, com a rota do Dornier Do X passando por Natal

Veja Também:

O Dornier Do X em Natal

Referência:

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