P-47 Aviação e História

94 anos do guerreiro da FEB, Alcindo Arnaldo da Silva

94 anos do guerreiro da FEB, Alcindo Arnaldo da Silva

Neste 18 de julho, o blog presta homenagem ao veterano, soldado da Força Expedicionária Brasileira, Alcindo Arnaldo da Silva, que está completando 94 anos nesta data. Natural de jucurutu/RN, ele foi voluntário para integrar a FEB e embarcou para a Itália, onde lutou diversas batalhas, inclusive em Montese, em abril de 1945.

Por diversas ocasiões, tivemos a oportunidade de conversar com ele e sempre ouvimos as histórias das patrulhas que fazia, pois por um tempo integrou a Polícia do Exército (PE), em plena guerra.

Infelizmente, soubemos que o guerreiro passará  aniversário no hospital, onde está sendo tratado um Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Permanecemos em oração e na torcida pela recuperação do “general”, como é chamado pelos filhos, entre eles, o colega jornalista Aldemar de Almeida.

Veterano Alcindo durante encontro da FEB em Natal, no ano de 2009 (Foto: Leonardo Dantas)

1931: Como Italo Balbo chegou a Natal

1931: Como Italo Balbo chegou a Natal

Registro do exato momento do pouso do I-BALB, avião de Italo Balbo no Rio Potengi (Foto: Arcevo do autor)

Em 5 de julho, iniciamos uma série de posts relacionados ao voo de Ferrarin e Del Prete, e hoje postaremos sobre o raid que veio a Natal para inaugurar a Coluna Capitolina. A esquadrilha de aviões foi comandada em pessoa pelo comandante da Aeronáutica da Itália, o general Italo Balbo.

A viagem do comandante Balbo foi glamorosa e com apoio total do Governo de Benito Mussolini, a quem ele dizia representar em pessoa por onde passava, e no fim das contas era verdade. A Marinha de Guerra da Itália chegou a providenciar navios de apoio com peças e mantimentos para os aviões e para o retorno dos tripulantes da América. Balbo, por sua vez, era um verdadeiro garoto propaganda para os facistas, pois representava a atividade dos militares e a força do governo, como seu representante.

No dia 17 de dezembro de 1930, o embaixador brasileiro Oscar Teffé presenteou o general Balbo com um mapa do Brasil feito em 1774, junto de uma mensagem do presidente Getúlio Vargas. A missão dos italianos era chegar a capital federal, passando por Natal, onde inauguraria o monumento da Coluna do Capitólio ou Coluna Capitolina, como é mais conhecida hoje. A viagem era tão importante, que o Governo do Argentina pediu ao ministro do Exterior da Itália que a travessia fosse estendida até a Argentina, tornando o “Raid da América do Sul”.

Genera Italo Balbo, nos Estados Unidos (Foto: Portal da Itália)

Oficialmente, Crociera Aerea Transatlantiva Italia-Brasile (como foi denominada posteriormente) começou em 18 de dezembro de 1930, com 12 hidroaviões modelo Savoia-Marchetti “S-55” que partiram do aeroporto de Orbetello, dando o nome de Raid Aereo Itália-Brasil, sob o comando do general Balbo. A primeira etapa seria chegar a costa oeste da África, na ilha de Bolama, na Guiné Bissau, antes de parti para Natal, totalizando 2.900 quilômetros de voo sobre o oceano Atlântico, e  diferente dos franceses que optavam pelo Senegal, onde a distância era 3.100 km. Na verdade, sabe-se hoje que outros dois aviões acompanharam a façanha e até chegar no Rio de Janeiro, três deles sofreram acidentes, ou seja, 11 conseguiram chegar com sucesso.

Os hidroaviões se dividiram em quatro esquadrilhas, cada uma representada por cores.  Abaixo, a cor e respectivas matrículas e tripulações (segundo informe publicado no Diário de Pernambuco, de 1º de janeiro de 1931):

Esquadrilha Negra:

  1. I-BALB: General Balbo, capitão Stefano Cagna, tenente Venturini Gastone  e o segundo tenente Gino Cappannini.
  2. I-VALL: General Giuseppe Valle, capitão Attilio Biseo, sargento Giovanni Carascon e o sargento Erminio Gadda.
  3. I-MADD: Coronel Umberto Maddaleno, tenente Fausto Cocione, sargento Cezares Bernarzzani e o segunto tenente Giuseppe Da Monte.

Esquadrilha Branca:

  1. I-LONG: Major Ulisse Longo, capitão Guido Bonini, tenente Ernesto Campanelli, sargento Mario Pifferi.
  2. I-BOER: Capitão Luigi Boer, tenente Danilo Barbi Cinti, sargento Felice Nensi e sargento Ecole Imbastari.
  3. I-DRAG: Capitão Emilio Dragheli, tenente Leonello Leone, sargento Bruno Bianchi e cabo (Aviador Primeira Classe) Carlo Giorgelli.
  4. I-TEUC (reserva): Tenente Giuseppe Teucci, tenente Luigi Questa, cabo (Aviador Primeira Classe) Giussepe Berti, sargento Armando Zana.

Esquadrilha Vermelha (Rossa):

  1. I-MARI: Capitão Giuseppe Marini, capitão Alessandro Migilia, sargento Salvatore Beraldi e sargento Daivid Giulini.
  2. I-BAIS: Capitão Ugo Baistrocchi, tenente Luigi Gallo, cabo Amedeo Girotto, e sargento Francesco Francioli.
  3. I-RECA: Capitão Enea Recagno, tenente Renato Abbriata, sargento Luigi Fois e sargete Francesco Mancini.
  4. I-DONA (reserva): Capitão Renato Donadelli, tenente Pietro Ratti, sargento Ubaldo Gregori, sargento Rafaele Perini.

*O tenente Pietro Ratti era um dos tripulantes mais famosos, pois era parente do papa Pio XI (Ambrogio Ratti).

Esqudrilha Verde:

  1. I-AGNE: Capitão Alfredo Agnesi, tenente Silvio Napoli, sargento Ostilio Gasparri e cabo (Avidor Primeira Classe) Giusseppe Virgilio.
  2. I-DINI: Tenente Letterio Cannistracci, tenente Alessadro Vercelloni, sargento Giuseppe Maugeri e cabo (Aviador Primeira Classe) Alfred Simonette.
  3. I-CALO: Tenente Jacopo Calò Carducci, sargento Ireneo Moretti, sargento August Romin e cabo (Aviador Primeira Classe) Tito Mascioli.

Savoia-Marchetti do voo de Balbo ancorado em um rio, provável na Guiné Bissau (Foto: Arcevo do autor)

As doze aeronaves e as duas reserva decolaram, no dia 18 de dezembro, com a expectativa de chegar no Marrocos no mesmo dia, contudo, devido ao mau tempo 4 delas fizeram pouso em Los Alcazares, na Espanha, e o restante seguiu para a Ilha de Marjocas, no Mar Mediterrâneo. De acordo com as autoridades espanholas, no dia 22, ainda havia hidroavião passando pelo estreito de Gibraltar a caminho do Marrocos, de onde seguiram para Bolama, na Guiné Bissau. Este seria o último trecho da primeira etapa e mesmo assim ainda tiveram de esperar 12 dias para retomar o voo, agora sobre o Atlântico.

Esperando condição boa de tempo e a lua nova, as esquadrilhas decolaram de Bolama no dia 6 de janeiro, entre 1h30 e 2h da madrugada, de Bolama, com exceção do I-RECA do capitão Enea Recagno. Às 8h, um chamada da Rádio Nacional, interceptada do Cruzador Pontagna, informava que faltava cinco avões na formação, o que levantou preocupação, até as 10h30, quando saiu outro informe. Às 11h30, o vapor Antonio Mosti comunicou a passagem dos 11 aviões, enquanto que a esquadrilha verde ficou na retaguarda aguardando a aeronave retardatária, com previsão de chegar a costa nordestina às 16h.

Às 15h40, chega a informação de que a formação está a 200 km de Natal e uma das tripulações, o I-DONA teve que pousar no oceano Atlântico e ser resgatado, já próximo dos rochedos de São Pedro e São Paulo. Nessa hora, o comércio da cidade estava fechado e povo ocupava o caes do porto, à época na Tavares de Lyra, com presença de Sylvino Bezerra e Anthenor Navarro, interventores federais do Rio Grande do Norte e Paraíba (Parahyba), respectivamente. Além deles, o vice-cônsul da Itália em Santa Catarina, capitão Mauro, como representante do ministro do Exterior da Itália e do embaixador italiano no Rio de Janeiro.

8 de janeiro de 1931 - Diário de Pernambuco dando nota da chegada a Natal do raid (Foto: Reprodução)

Os primeiros cinco aviões, liderados pela esquadrilha de Balbo, apontam às 16h15 sobre o Rio Potengi, pousando sob os aplausos dos potiguares. Os demais aviões chegam em seguida, com exceção de dois, pois além do I-DONA, o I-BAIS não chegara. Balbo e os comandantes ficaram hospedados na Vila Governamental, em Petrópolis, enquanto que os demais desbravadores foram recebidos na Escola Doméstica.

Próximo post desta série vamos detalhar como foram os dias de Balbo em solo potiguar.

Links relacionados:

Para celebrar a Tomada da Bastilha: Aviação francesa em Natal ao longo do tempo

Para celebrar a Tomada da Bastilha: Aviação francesa em Natal ao longo do tempo

1927: Avião Late XVIII que Paul Vachet utilizou quando chegou a Natal (Foto: Arcevo do autor)

A França celebra hoje, 14 de julho, a Tomada da Bastilha, como uma das datas mais importantes da Revolução Fracesa, ocorrida em 1789. Para lembrar a data, faremos alguns registros envolvendo a aviação francesa e Natal.

1930: Late XXV utilizando pela Aeropostale no Campo de Parnamirim (Foto: Arcevo do autor)

1933: Trimotor "Arc-en-ciel" (Arcoíris) utilizado em uma das travessias atlânticas de Jean Mermoz (Foto: Arcevo do autor)

2008: Mirage 2000N na Operação Cruzeiro do Sul, na BANT (Foto: Leonardo Dantas)

2009: Apresentação da Patroullie de France, na praia do Meio, em Natal (Foto: Leonardo Dantas)

2010: Aeronave Rafale na Cruzex, operando pela Armée de l´Air (Foto: Leonardo Dantas)

 

 

 

Qual a relação entre uma coluna de pedra, aviação e o RN?

Qual a relação entre uma coluna de pedra, aviação e o RN?

O que uma coluna de pedra, esculpida antes de Cristo tem a ver com aviação e o o Rio Grande do Norte? A resposta é simples, foi o presente dado por um ditador, reconhecendo como nosso povo é acolhedor. Popularmente conhecida como Coluna Capitolina, a peça é uma verdadeira obra de arte e foi enviada em pessoa pelo duce italiano Benito Mussolini e entregue pelo ministro da Aeronáutica, Ítalo Balbo.

Sempre se falou que a coluna foi dada em agradecimento ao povo do RN pela acolhida aos pilotos Arturo Ferrarin e Carlo Del Prete, que pousaram aqui três anos antes, quebrado o recorde de distância de voo em linha reta, unindo Roma a Touros, a 70 quilômetros de Natal (em rota aérea). Além disso, de acordo com matérias da época, a intenção do Governo Italiano era bem mais simbólica, retomando o tempo em que o Império Romano marcava sua presença com marcos deste tipo, no extremo Oriente, Espanha, Bretanha, Asia Menor, África, Egito, entre outros locais.

Dizeres da placa em mármore:

TRAZIDA DE UM SÓ LANCE / SOBRE ASAS VELOZES / ALÉM DE TODA A DISTÂNCIA / TENTADA POR CARLO DEL PRETE / E ARTURO FERRARIN / A ITÁLIA AQUI CHEGOU / EM 5 DE JULHO DE 1928 / O OCEANO NÃO MAIS DIVIDEM E SIM / UNE ASGENTES LATINAS / DA ITÁLIA E DO BRASIL

Ao longo dos anos, a coluna ocupou pelo menos três locais diferentes; primeiro na entrada do Porto de Natal, em baixo do Viaduto do Baldo e no pátio do Instituto Histórico e Geográfico do RN (onde permanece atualmente). Existe inclusive um relato de que a população de Natal havia danificado a coluna após o levante comunista na década de 1930 e durante a Segunda Guerra Mundial, por ser um presente fascista. No anos 1990, ela foi alvo de pichadores, por isso, foi retirada do Baldo e levada para o IHGRN.

Imagem da Coluna Capitolina após 1931, instalada no bairro das Rocas (Foto: Arcevo do autor)

Foto aérea do bairro das Rocas, mostrando a coluna, após 1931 (Foto: Arcevo do autor)

Imagem aérea do Porto de Natal, mostrando mais uma vez a posição original da Coluna Capitolina (Foto: Porto de Natal)

Posição da original da Coluna Capitolina, no pátio da IHGRN (Foto: Leonardo Dantas)

Ao concluir, apesar de considerar um presente absurdo, pois comparo como se depredássemos o nosso Forte de Reis Magos presenteando municípios com partes da edificação, a coluna faz parte de nossa história e estar sob nossa guarda.

Links Relacionados:

92 anos do voo sem escalas entre Roma e Touros

Pouso do Antonov AN-74 suspenso no RN

Pouso do Antonov AN-74 suspenso no RN

O Antonov An-74 que passaria pelo Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, região da Grande Natal, teve o voo suspenso e não passará pelo RN, no fim de semana. A expectativa é que a rota aconteça nos próximos dez dias.

Vamos continuar acompanhando e qualquer novidade publicaremos no blog.

Link Relacionado:

Avião Antonov AN-74 passará pelo RN

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