P-47 Aviação e História

O B-25 "Maria Boa" não foi homenagem dos americanos

O B-25 "Maria Boa" não foi homenagem dos americanos

Diversos sites e perfis que abordam história e segunda guerra no Rio Grande do Norte postaram, nesta quarta-feira (24 de junho), textos sobre os 100 anos de Maria Boa, mitos envolvendo a mulher, a casa noturna e o “famoso” avião B-25 Mitchell batizado em sua homenagem.

Como este blog trata sobretudo de aviação, esqueça os outros atributos de Maria Boa e vamos falar sobre o avião, um North American B-25 “Mitchell”, versão “J”, da Força Aérea Brasileira (FAB). Isso mesmo, o avião era da FAB e não dos americanos como muitos afirmaram no dia de hoje. Vamos tentar explicar esta confusão.

O B-25 “Mitchell” foi projetado ainda na década de 1930 e próximo de 1940 incorporado ao Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (U. S. Army Air Corps), com inserção maior no ano de 1942, quando foram entregues 120 unidades da versão “B”.

Ao longo da segunda guerra, outras versões surgiram e cada vez mais produzidos:

  • B-25C – 1.625 unidades
  • B-25D – 2.290 und
  • B-25G – 750 und
  • B-25H – 997 und
  • B-25J – 4.318 und

O Brasil era um importante aliado dos EUA na segunda guerra, o que permitiu ao país ser o único da América do Sul a receber os B-25, através do acordo Lend-Lease (Lei de Empréstimo e Arrendamento), encomendando 30 unidades das versões B, C, D e J, entre os anos de 1942 e 1944. Neste último ano, entre os meses de agosto e novembro, a FAB recebeu 21 exemplares do B-25J, e penúltimo deles, o de matrícula FAB 5071.

O FAB 5071 (Serial 108-32776 / ex 44-29501) operou no 1º Grupo Misto de Aviação, até 1945. Nesta época, não havia ainda a homenagem a Maria Boa, pois o equipamento operava na versão “J”, ou seja, com metralhadoras .50 no nariz, na fuselagem ao lado da cabine e nas laterais. O nome deve ter sido colocado após 1950, quando houve algumas alterações normativas, entre elas, a conversão do avião em CB-25J, na qual deixaria de ter as metralhadoras, atuando mais como um avião de carga, como na foto mais conhecida.

Um dos poucos registros da aeronave

Portanto, a famosa homenagem dos americanos a Maria Boa em um avião de combate dificilmente ocorreu. No entanto, os pilotos da FAB se encarregaram de fazer. Conta a estória que a própria dona de bordel teria visto e sido transportada no avião emocionada. Para quem não sabe, Maria Boa ainda hoje é homenageada por alguns pilotos da FAB, mas essa história deixaremos para depois.

Tentamos determinar o destino do FAB 5071, contudo, a última referência dele é na própria FAB. Em 22 de março de 1967, em boletim normativo, o Ministério da Aeroráutica determinou a “desativação progressiva” dessas aeronaves. À época, existiam 16 aviões B-25 espalhados em várias unidades, dos 83 adquiridos pelo Brasil, sendo 29 avioes recebidos durante a guerra e mais 64 após. Na Base Aérea de Natal (BANT), as aeronaves operaram no 5º Grupo de Aviação (5º Gav) entre 1947 e 1960, e na Esquadrilha de Adestramento entre 1943 e 1966.

Ficha Técnica

Armamento: 13 metralhadoras Browning M-2 .50pol (12,7mm) e até 1.360Kg de bombas

Motor: 02 Wright Cyclone R-2600 -29, de 1850hp,14 cil

Envergadura: 20,59 metros (m)

Comprimento: 16,12 m

Altura: 4,97 m

Peso Máximo: 15.876 quilos (kg)

Velocidade: 437,92 Km/h

Razão de subida: 338 m / s (metros por segundo)

Teto: 7.376 m

Alcance: 2.170 km

B-25J similar ao "Maria Boa" (Foto: Leonardo Dantas)

Missão histórica – Raid Tóquio

Em 18 de abril de 1942, uma esquadrilha com 16 aeronaves B-25B decolaram do porta-aviões USS Hornet, no Oceano Pacífico, a 700 milhas do Japão. A ideia inicial era chegar a 400 milhas, voar a 1.500 pés (300 metros de altitude) e bombardear importantes cidades japonesas, como Nagoya, Yokohama e Tóquio, como resposta efetiva ao ataque ocorrido em 7 de dezembro de 1941, na base americana de Pearl Harbor. Contudo, um barco japonês avistou o porta-aviões, antecipando o ataque.

Após o bombardeio, os pilotos deveriam continuar voando e seguir para o território chinês, onde procurariam local seguro de pouso. Devido ao mau tempo, as tripulações tiveram dificuldade em localizar os campos de pouso.

Apesar de poucos danos materiais terem sido causados, o ataque foi vitorioso, por duas razões: restabeleceu a moral norte-americana e, mais importante, fez com que os japoneses retivessem esquadrões de caça em seu país, para se prevenirem de futuros ataques, o que impediu sua utilização em outras zonas de combate no Pacífico.

Mais que apenas um Cabaré

Mais que apenas um Cabaré

No domingo (21), fomos pegos de surpresa pela notícia de que o prédio da esquina da Rua Chile com Travessa Venezuela, na Ribeira, em Natal, tinha desabado devido as últimas chuvas e o forte vento. No mesmo dia, a internet foi invadida por mensagens de pesar pelo desabamento e sempre associando a edificação ao antigo cabaré Arpege (Não nos pergunte o por quê deste nome).

Consideramos importante lembrar que antes de ser cabaré, o sobrado fez parte de um conjunto de edificações de propriedade do comerciante alemão Ernest Walter Lück, que no local mantinha uma loja de ferramentas e ferragens, de nome E. W. Lück. Em um prédio anexo, na parte de trás do casarão, também exisita a Agência da Companhia Hamburgueza Sul-Americana, do mesmo proprietário. Em jornais da década de 1930 e 1940, é possível identificar outros imóveis de responsabilidade do Lück, como nas ruas Doutor Barata e Frei Miguelinho, ambas na Ribeira.

Enerst Lück conseguiu sucesso em Natal ao longo de 20 anos, desde a década de 1910, quando há registro de sua chegada ao RN. Junto do sucesso, veio a compra dos imóveis, entre eles, o endereço na Rua Chile, 161, o referido que desabou abalando a cidade e levantando dúvidas quanto a funcionalidade do tombamento legal ou uso real. O prédio é datado de 1904, e não se sabe ao certo o que hospedou antes dos anos 1930.

Existe um anúncio de aluguel, em 6 de abril de 1937, oferecendo o andar de cima e detalhando ser excelente para consultório de  dentista ou hospedaria, pois deixa a entender ser uma dependência do Hotel Internacional, que funcionava nas proximidades do bairro da Ribeira.

Anúncio de 6 de abril de 1937 (Jornal A Ordem)

No ano de 1938, o senhor Ernest Lück obteve a autorização da Prefeitura de Natal para abrir portas laterais no prédio, dando acesso pela Travessa Venezuela. Contudo, o pedido surgiu por outro casarão, este localizado na rua Doutor Barata, 170, que fazia parte do mesmo complexo de edificações.

Na década de 1940, por ser alemão, com o início da segunda guerra e a entrada do Brasil contra o Eixo, Ernest Luck passou a ser visto com desconfiança, chegando a ser processado, o que deve ter dificultado a continuidade de seus negócio. Neste processo, ele foi anistiado anos depois.

Então, o sobrado era bem mais que um cabaré. Tinha relação com a história daqueles que lutaram pelo desenvolvimento do comércio e da cidade do Natal.

Endereço da loja de ferragens de E. W. Lück (Jornal A Ordem, ano 1938)

Edificações da travessa Venezuela, Rua Chile e Rua Dr Barata apontadas como sendo de Ernest Lück

(Vídeo) Live com João Barone sobre Natal e a segunda guerra

(Vídeo) Live com João Barone sobre Natal e a segunda guerra

Na terça-feira (2), por meio do perfil do instagram do Sesc RN, participamos de um bate-papo com o músico e escritor João Barone, autor do livro "1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida". Estamos disponibilizando o link para quem perdeu.

Nota: Durante os 30 segundos iniciais tivemos problemas de conexão, que logo foi solucionado.

João Barone é convidado em live sobre Natal e a segunda guerra

João Barone é convidado em live sobre Natal e a segunda guerra

O blog P-47 será parceiro na live do Serviço Social do Comércio (Sesc RN) que discutirá como tema “Natal e sua implicação na Segunda Guerra Mundial”, que terá como convidado o baterista do Paralamas do Sucesso e escritor, João Barone, na noite da terça-feira (2), a partir das 21 horas. O debate será transmitido pelo oficial do Sesc RN no instagram, com mediação do jornalista Leonardo Dantas, editor deste blog.
Barone é autor do livro “1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida”, no qual ele relata a participação de Natal no conflito mundial e os bastidores envolvendo o Brasil e o Estados Unidos, até o envio das tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) ao combate na Itália.
Aguardamos a participação de todos e pode ser um formato que este blog pode adotar no futuro, utilizando mais a interação com o leitor por meio de vídeos.

(Vídeo) H-36 "Caracal" resgata tripulante de navio a 470 km de Natal

(Vídeo) H-36 "Caracal" resgata tripulante de navio a 470 km de Natal

H-36 da FAB similar ao utilizado no resgate (Foto: Leonardo Dantas)

Um helicóptero H-36 “Caracal” do esquadrão Falcão (1º / 8º GAV) da Força Aérea Brasileira (FAB), sediado na Ala 10, em Parnamirim, resgatou na sexta-feira (29), o tripulante de um navio a 470 quilômetros de Natal, no oceano Atlântico. A vítima estaria com fratura exposta em uma das pernas, apos um acidente a bordo da embarcação, oriundo de Malta.

A missão de resgate foi coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE/FAB) em conjunto com o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo (SALVAMAR), que passou ao esquadrão as condições de saúde da vítima e posição do navio.

Ao decolar de Parnamirim, o H-36 teve que fazer um pouso técnico na ilha de Fernando de Noronha, onde reabasteceu para seguir em busca da embarcação. Ao todo, 11 militares embarcaram, sendo 2 pilotos, 3 operadores de equipamentos, 3 homens de resgate, 2 médicas e 1 enfermeira, os quais utilizavam trajes especiais para minimizar o risco de qualquer contaminação. Seguindo viagem, deu-se início a busca e salvamento, com o resgate denominado pela sigla SAR (em inglês Search and Rescue).

Em um total de cinco horas, a missão chegou ao final, com o sucesso do transporte do paciente  para a capital do Rio Grande do Norte para receber atendimento médico especializado.

Relato dos militares

De acordo com o Major Aviador Átila Miranda Alves de Campos, Chefe da Seção de Operações do Esquadrão Falcão, o tempo de resposta da missão foi muito importante devido ao estado delicado de saúde da vítima, que, caso não fosse resgatado a tempo, poderia evoluir rapidamente para um quadro mais crítico.

O Sargento Diogo Ramos, homem de resgate que participou desse voo, disse que devolver a esperança à vítima lhe traz satisfação de participar de missões como essa. “Para mim, é um momento muito gratificante fazer parte disso”, destacou.

O piloto da aeronave, Tenente Aviador Alan Dickson Brito de Medeiros, falou que o momento mais difícil foi ter feito a manobra até o convés, que é um exercício mais complexo. “Nessa hora, nós temos que manter a posição do helicóptero em relação ao navio, que está em movimento, já que você precisa de certa precisão para poder fazer o embarque e o desembarque da vítima pelo guincho”, contou o piloto.

Desembarque da vítima na Ala 10 (Foto: sgt Marcella / FAB)

Quer saber mais detalhes e ver mais fotos da missão: clique aqui.

Fonte: FAB

 

E-book sobre o "AF-1 Skyhawk" inaugura série de Militararts

E-book sobre o "AF-1 Skyhawk" inaugura série de Militararts

Você gostaria de ler e conhecer mais sobre a aeronave utilizada pela aviação de caça da Marinha do Brasil e sem precisar sair de casa? O ilustrador, Alexandre Guedes, lançou o e-book “McDonnell Douglas AF-1 Skyhawk”, o primeiro da série Militararts que em breve terá outras edições.

A ideia do autor é levar conteúdos do tipo para todos os públicos, não apenas para quem conhece temas ligados a aviação. De acordo com ele, o grande atrativo são as fotos e ilustrações de qualidade, sem falar no texto de fácil entendimento.

 Além disso, citamos o enfoque na informação de aeronaves utilizadas no Brasil, com detalhes sobre matrículas e o destino dos equipamentos, desde a aquisição a sua desativação. Esperamos mais conteúdos do tipo.

Esta excelente publicação pode ser adquirida ao preço de R$ 25,00. Para isso, entre em contato pelo Whatsapp (84 99400 6046) ou pelo email: agartinprofiles@gmail.com.

O Autor

O designer gráfico Alexandre Guedes é um ilustrador reconhecido no meio das publicações aeronáuticas, com trabalhos publicados no Brasil, Estados Unidos e países da Europa. Ele nasceu em São Paulo e atualmente reside em Natal/RN, onde se dedica a ilustração dos mais diversos temas, sobretudo, aviação.

Registro do AF-1 da Marinha do Brasil quando realizou treinamento em Natal, no ano de 2019 (Foto: Leonardo Dantas)

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