P-47 Aviação e História

22 de maio - 78 anos do dia que marcou a aviação de patrulha da FAB

22 de maio - 78 anos do dia que marcou a aviação de patrulha da FAB

A Força Aérea Brasileira (FAB) celebra nesta sexta-feira (22), o Dia da Aviação de Patrullha, comemorando os 78 anos de história dessa variante do transporte militar, quando em plena segunda guerra mundial e sob o ataque constante de submarinos inimigos a navios brasileiros, os militares tiveram que se adequar a patrulha, combate e salvamento.

Conta a história, que em 22 de maio de 1942, um B-25 “Mitchel” da FAB oriundo da Base Aérea de Fortaleza, decolou para um treinamento e entrou para a história como o primeiro ataque brasileiro na segunda guerra. Ironicamente, o Brasil ainda não estava em guerra, pois a declaração so viria a ocorrer em agosto daquele ano, no entanto, na prática os americanos já operavam Parnamirim Field, em Natal, desde meados de 1941.

Nesse contexto, o Capitão Aviador Parreiras Horta e o Tenente Aviador Pamplona, pilotos da aeronave B-25, ainda em formação operacional e dando apoio a aeronaves americanas, realizaram seu primeiro ataque. Em uma das missões, foram lançadas dez bombas de 45kg sobre o submarino italiano “Barbarigo”. Apesar de avariado, a embracação conseguiu fugir. Alguns dias antes, ele tinha atacado o navio Comandante Lyra, em águas territoriais brasileiras, a cerca de 300 quilômetros de Fernando de Noronha. O Barbarigo agiu até junho de 1943, quando foi afundado tendo atacado com sucesso 7 embarcações, até então.

P-3AM "Orion" do esquadrão Orugan (Foto: FAB / Sgt Bianca)

Atualmente, a Aviação de Patrulha da FAB opera com três esquadrões (Orugan 1º/7, Phoenix 2º/7º e Netuno 3º/7º), no Rio de Janeiro/RJ, Canoas/RS e Bélem/PA, respectivamente. As aeronaves utilizadas são o P-3AM “Orion” e o P-95BM. Sua missão é cumprir com vetores estratégicos que executam ações não somente de Patrulha Marítima, mas também outras imprescindíveis para a FAB no que diz respeito ao cumprimento da sua missão de manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional.

Na história recente, os aviões de patrulha foram essenciais na busca dos destroços do Airbus do vôo AF447 da Air France, em 2009

Referências:

Comando da Aeronáutica investigará acidente com o "Bandeirante" na Ala 10

Comando da Aeronáutica investigará acidente com o "Bandeirante" na Ala 10

O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) encaminhou resposta aos questionamentos feitos pelo blog, na noite de ontem (21), referente ao acidente com o C-95 “Bandeirantes” FAB2347, na Ala 10, Base Aérea de Natal. De acordo com a informação oficial, o acidente não deixou vítimas e o fato será investigado pelo Comando da Aeronáutica.

Segue abaixo resposta encaminhada ao blog:

Prezado jornalista,

Em relação aos seus questionamentos, este Centro informa:

Nesta quinta-feira (21/05), uma aeronave modelo C-95 Bandeirante do Primeiro Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (1º/5º GAV), utilizada para instrução aérea, efetuou um pouso de emergência na pista da Ala 10 - Base Aérea de Natal.

O procedimento ocorreu devido a um problema técnico  e seguiu os padrões de segurança. Após o pouso, todos os tripulantes saíram ilesos.

A ocorrência será investigada pelo Comando da Aeronáutica.

Atenciosamente,

Foto: Agência Força Aérea / sgt Simo

Link relacionado: C-95 "Bandeirante" realiza pouso forçado na Ala 10 em Natal

(Atualizado) C-95 "Bandeirante" realiza pouso forçado na Ala 10 em Natal

(Atualizado) C-95 "Bandeirante" realiza pouso forçado na Ala 10 em Natal

Uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), C-95 “Bandeirante”, de matrícula 2347 realizou um pouso forçado, na tarde desta quinta-feira (21), na Ala 10, em Parnamirim, região Metropolitana de Natal. O FAB 2347 pertence ao esquadrão "Rumba" do 1º/5º Grupo de Aviação (1º/5º GAV), sediado na Ala 10.
As informações iniciais são que o avião apresentou falha no trem de pouso, forçandoa aterrissagem de “barriga” e o acionamento do Serviço de Salvamento e Combate a Incêndios da base. Não houve vítimas, apenas o dano material do C-95.

 

A movimentação da equipe de Salvamento e Combate a Incêndio continuou horas após o acidente (Foto: Edmo Anderson)


O Bandeirante é um avião de transporte fabricado pela Embraer e utilizado amplamente pela FAB. Atualmente, o 1º/5º GAV opera as aeronaves C-95M Bandeirante e, anualmente, ministra o Curso de Especialização Operacional (CEO) a uma parcela de Oficiais Aviadores formados na Academia da Força Aérea (AFA). O curso consiste em duas fases: Básica e Avançada.
Entramos em contato com a assessoria de comunicação da Ala 10, no fim da tarde, mas não houve retorno até esta publicação. Vamos aguardar algum posicionamento oficial da FAB para mais informações sobre o incidente.

Foto em destaque: Compartilhada em redes sociais

(Atualizado - 22/05/2020, às 6h)

90 anos que um malote de cartas colocou Natal na história

90 anos que um malote de cartas colocou Natal na história

A foto que ilustra este post é uma reprodução do jornal "Diário de Pernambuco, de 15 de maio de 1930

Há exatos 90 anos, em 13 de maio de 1930, pousava no Rio Potengi, em Natal/RN, um avião “Late 28”, matrícula F-AJNQ, batizado por “Conde de La Vaux”, comandado pelo piloto Jean Mermoz, auxiliado por Jean Dabry e Léopold Gimié, e que tinha a bordo um malote de cartas oriundo da Europa e com destino toda América Latina.

Desembarque do malote na base da CGA, no rio Potengi (Foto: João Alves de Melo / Livro Asas Sobre Natal)

O fato colocava Natal (de novo) na história da aviação, pois seria a primeira travessia aérea do oceano Atlântico com fins comercial e a tentativa de implantar uma linha aérea regular entre o “Velho Continente” e o “Novo Continente”. Talvez o feito deste tipo mais importante, desde as primeiras travessias do oceano a caravela.

Na manhã do dia 12 de maio de 1930, o trio decolou de São Luís, no Senegal, com destino a Natal. A rota já era conhecida, com algumas experiências exitosas e outras nem tanto. A diferença desta travessia, é que seria totalmente aérea, sem contar com apoio dos “navios aviso”, e como já dissemos, com fim comercial, apesar de não ser transporte de passageiros.

 Jean Mermoz, Jean Dabry e Léopold Gimié (Acervo do autor)

A finaciadora da travessia, Companhia Generale Aeropostale [ sucessora da Latécoére e posterior Air France ] já estava em Natal desde 1927, inclusive, em 1928 os pilotos Costes e Le Brix, já tinham pousado na cidade, no Campo de Parnamirim. A aventura de Mermoz se deu em um hidroavião, portanto, teve que usar a base do Refoles, às margens do Rio Potengi, onde hoje existe a Base Naval de Natal.

Na madrugada do dia 13 de maio, o Late 28 pousa no rio e entra para a história da aviação mundial, tendo Natal como palco principal do espetáculo. Foram 22 horas de voo e 3.100 quilômetros percorridos, entre a cidade senegalesa e Natal.

Um mês depois, ele tentaria fazer o vôo em sentido oposto, contudo, fortes ventos impediram a decolagem do rio, portanto, surgiu a ideia de decolar de uma lagoa, escolhendo a do Bonfim. Mas isso é tema para um outro post.

Aeronave Late 28 “Conde de La Vaux” (Foto: Acervo do autor)

Anotações de Marcel Moine sobre os voos históricos da Aeropostale (Foto: Acervo do autor) 

Santos Dumont assistiu ao acidente fatal de Augusto Severo

Santos Dumont assistiu ao acidente fatal de Augusto Severo

Segundo os jornais da época, uma das testemunhas do acidente que vitimou o potiguar Augusto Severo e o mecânico Sachet, foi o pai da aviação, o brasileiro Alberto Santos Dumont. Ambos eram inventores e contemporâneos, o que rendeu troca de correspondências e uma certa rivalidade. Após o acidente, Santos Dumont enviou uma carta para os familiares de Severo.

Trecho reproduzido pelo jornal "A República", de 13 de maio de 1902 (Reprodução Arquivo Nacional)

Link Relacionado:

12 de maio de 1902 - A morte de Augusto Severo, "O Grande Brasileiro"

12 de maio de 1902 - A morte de Augusto Severo, "O Grande Brasileiro"

12 de maio de 1902 - A morte de Augusto Severo, "O Grande Brasileiro"

“Augusto Severo, conquistador dos ares, senhor do espaço, não será uma glória brasileira, mas universal. Dentre as inúmeras manifestações de admiração e respeito que lhe serão tributadas; esforcemo-nos, porém, nós os riograndenses do norte, por dispensar-lhe a mais eloquente, a mais sincera e enthusiastica”

Assim destaca o jornal “A República”, de 10 de maio de 1902, o feito do potiguar Augusto Severo de Albuquerque Maranhão (1864 – 1902), que dois dias depois colocaria no ar e morreria a bordo do balão “PAX”, na avenida do Maine, em Paris, na França. A data está celebrando 118 anos e marca uns fatos mais importantes da história aeronáutica do Brasil e, quem sabe, do mundo.

Um dia antes do acidente, diversos países parabenizavam Severo pelo feito, já que dias antes o teste do “PAX” havia sido um sucesso aos olhos atentos de observadores do Aeroclube de Paris, entre eles, o também brasileiro e pioneiro Santos Dumont.

Esses telegramas foram publicados na primeira página do jornal “A República”, do dia 12 de maio de 1902:

“Constantes telegramas de vários pontos da Europa, publicados hoje aqui exaltam o mérito excepcional do balão “PAX” de Augusto Severo. As experiências preliminares têm dado resultados seguríssimos da estabilidade e direção da aeronave”.

Coincidentemente, na margem oposta da também primeira página, consta a notícia do acidente, ocorrido quatro horas antes:

“Acabamos de ser feridos no mais profundo dos nossos sentimentos e das nossas esperanças com a notícia da morte do nosso eminente representante, o grande brasileiro Augusto Severo, conforme os seguintes telegrammas que passamos a publicar e que irão echoar como um dobre de finados na alma norte-rio-grandense:

Rio,12. O Jornal do Commercio acaba de affixar este telegrama:

Paris, 12. Às 6 horas da manhan de hontem, quando o balão PAX partia para sua experiencia definitiva, deu-se uma explosão no motor, morrendo Augusto Severo e o chaufeur A. Sachet...”

A notícia foi um choque para os parisienses e brasileiros, sobretudo os norte-rio-grandenses. Logo de imediato, o Aeroclube de Paris informou que custearia o enterro de Severo e do mecânico Sachet, e ainda pediu permissão para levantar um monumento no local do sepultamento.

Até voltar ao Brasil, o corpo de Augusto Severo permaneceu embalsamado e envolto em pedaço de seda, remanescente do balão.Ainda em 17 de maio de 1902, a Intendência Municipal decide criar a praça Augusto Severo e um comitê começa a arrecadar fundos para uma estátua.

Links Relacionados:

Agência Espacial Brasileira homenageia Augusto Severo

Um potiguar ilustre na missão de resgate dos brasileiros na China

[FOTO] Imagem rara mostra voo do balão PAX

Balão PAX em vôo, momentos antes da queda (Foto: Acervo do autor)


Imagem logo após a queda (Foto: Arcevo do autor)

 

Blogs