A Eurocopa de 1992 foi decidida entre a Alemanha e a Dinamarca. Os alemães reunificados, campeões mundiais dois anos antes, chegaram à decisão com jejum, abstinência e trabalho. Já os dinamarqueses, com cerveja, mulheres e sestas.

A Dinamarca tinha perdido a classificação para participar do torneio. Então explode a guerra civil na Iugoslávia e a União das Associações Europeias de Futebol a desqualificam em face da notória desintegração do país, que ao fim do conflito trouxe uma nova geo-política com a criação de novos países: Sérvia, Croácia, Bósnia e Montenegro. Os jogadores dinamarqueses, que estavam em férias, foram chamados às pressas para substituir os iugoslavos.   

O time não estava com vontade de treinar e desfalcados de seu maior astro, Michael Laudrup, que havia vencido a Champions League com o Barcelona e decidiu não participar da Eurocopa.

Por outro lado, os alemães tinham Matthaus, Klinsmann, Brehme e todos os seus astros.

Os dinamarqueses foram passando de fase e ganhando a confiança dos compatriotas, que invadiram a Suécia para assistir a final, que se tornou um conto de fadas futebolístico. Enquanto as ações alemãs esbarravam nas defesas inacreditáveis de Pete Schmeichel, o forte sistema defensivo com saída em contraataque e o bom trabalho em equipe, aliada a liderança do treinador Richard Moller Nielsen, fizeram dois a zero e garantiram a vitória.

A Alemanha, que deveria ganhar, foi derrotada pela Dinamarca, que não se sentia obrigada a nada e jogou como se o campo fosse uma extensão de uma praia.

A cigarra cantora venceu a formiga trabalhadora.

Há um filme dinamarquês, disponível na Netflix, que retrata essa passagem: “Verão de 1992”. Uma boa dica para os amantes do futebol.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: “Futebol ao sol e à sombra” (Eduardo Galeano)