O ex-presidente Lula é provavelmente, entre todos os que sentaram na cadeira presidencial, o que menos reconhece valor aos seus antecessores.

O líder do PT é useiro e vezeiro na arte de atribuir aos anos dele na Presidência da República as glórias do Brasil.

Os seus liderados acreditam nas bazófias do D, Sebastião de Garanhuns.

Existem três fatores, por mais que os acólitos lulistas neguem ou não queiram reconhecer, que explicam o bom momento da economia brasileira durante os anos em que o chefe petista presidiu o Brasil.

Deles, somente um é reconhecidamente mérito do governo petista e, mesmo assim, adveio da manutenção da política macroeconômica do governo do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

Os outros dois seriam a pujança e a exuberância da economia internacional e os ecos das reformas estruturais implementadas ao longo da década de 1990 – de Fernando Collor a Fernando Henrique.

Por quase uma década, o Brasil usufruiu os benefícios do pujante crescimento da economia mundial que puxou para cima o preço das commodities. Os efeitos desse crescimento sobre a economia nacional, porém, não seriam tão alvissareiros se o país não tivesse realizado algumas importantes ações no campo estrutural, a saber, o controle da inflação, o processo de privatizações, a abertura da economia, entre outros.

Hoje como antes, o país não pode esperar pela prosperidade da economia mundial.

Qualquer estudante de Economia sabe que a economia mundial alterna ciclos de expansão e de retração econômica. Como o Brasil é mais influenciado do que influencia a economia mundial, quando houver uma diminuição no ritmo do crescimento econômico internacional, a situação da economia brasileira oscilará para baixo.  

Como amainar os efeitos na economia brasileira quando isso acontecer e como estar preparado para os ciclos de pujança?

A resposta, dizem os estudiosos do assunto, é aprofundar as reformas iniciadas na década de 1990, permitindo a superação de gargalos na infraestrutura, como transportes e energia, nos campos tributário e trabalhista, no setor previdenciário, etc.

Parte do serviço foi feito, mas ainda há muito por fazer.

As nossas experiências deveriam ter nos ensinado que não podemos deixar passar a oportunidade de resolver esses problemas. Não devemos nos alimentar da esperança de que o crescimento econômico estável vem sem sacrifícios.

Os momentos em que o Brasil experimentou uma experiência segura e estável de crescimento econômico foram resultado de profundas, amargas e impopulares medidas implementadas por líderes de visão.

Entretanto, em todos os momentos subsequentes, demagogos, beócios e boçais lançaram pela janela a possibilidade de manter os país nos trilhos.

Vivemos mais uma oportunidade. Os sensatos avisam o caminho certo, cabe ao chefe saber ouvi-los e criar as condições para que as ações sejam efetivadas.

Afastar-se dos grupos corporativistas faz bem à saúde fiscal do Estado e lança as bases para o salto que o país precisa.