Poucas pessoas sabem a real importância da Base Naval de Natal (BNN) para a segurança do Nordeste brasileiro no período da segunda guerra mundial. A unidade militar fazia parte do plano de proteção da costa oriental do continente americano, assim como bases em outros estados e a Base Aérea de Natal, a partir de 1942, sendo citada em diversos documentos sigilosos entre o consulado e a embaixada dos EUA como motivo de preocupação, quando assunto era sua conclusão.

Uma das finalidades da BNN durante a guerra e fundamental para o funcionamento da frota, dizia respeito a manutenção dos navios, por isso, recebeu investimentos para a aquisição de oficinas, também conhecidas como diques. O equipamento era tão necessário e importante que foi assunto de correspondência de 13 de janeiro de 1942, entre o Ministro da Marinha, almirante Henrique Guilhem (1935 – 1945), e o comandante da BNN, o almirante Ary Parreiras.

Cerimônia de entrega do dique flutuante da BNN (Fonte: Arcevo do autor)

No documento, Parreiras responde ao superior carta recebida em dois dias antes, em 10 de janeiro, com a seguinte mensagem: “Quanto ao crédito especial para a construção de um dique seco estou de pleno acordo em que seja apenas pedido o referente a este exercício, circunstância aliás a que fiz referência...".

A princípio a base teria o seu dique seco, que começou a ser construído, mas não chegou a entrar em operação, sendo substituído por um dique flutuante. Em outra correspondência entre os almirantes brasileiros de 17 de janeiro de 1943, ou seja um ano após o contato anterior, Parreiras informa que foi procurado por um emissário do comandante americano da 4ª Frota, almirante Jonas Ingram, para tratar do envio do dique flutuante – provavelmente o YFD-38 – até março de 1943.

Este equipamento seria entregue as autoridades brasileiras, autonomo e com capacidade de produzir energia própria do consumo, sendo necessário a designação de 14 homens para operá-lo, segundo a carta.

Dique seco que não foi concluído (Fonte: Acervo do autor)

O autor do livro Guerra Naval na Costa Nordestina, o oficial da reserva da Marinha do Brasil, João Ferreira Leal Neto, explica que dique seco e flutuante são meios diferentes com a mesma finalidade, ou seja, possibilitar a realização de serviços nos navios, sobretudo nos cascos submersos. O dique seco fica em terra e funciona como um reservtório que enche e seca controlando com portas do tipo batel, já o flutuante é uma embarcação sem propulsão.

Em seu livro, Leal cita que o comando da 4ª Esquadra enviaria para a BNN o dique flutuante YFD-38 e a barca oficina YR-4, ambas da Marinha Norte Americana, onde realizaram reparos em 113 navios. Incorporados em definitivo a Marinha do Brasil em 1945, os meios foram batizados por dique “Potiguar” e barca “Alecrim”. O dique “Potiguar” ficou em operação, em Natal, até meados dos anos 1960, quando foi substituído pelo dique “Natal”.

Dique "Potiguar" em uso na BNN (Foto retirada do livro Guerra Naval na Costa Nordestina)

O dique “Natal”

Em maio deste ano, o blog recebeu inúmeros questionamentos sobre a venda do dique da Base Naval, que seria da segunda guerra mundial e poderia compor algum acervo histórico. Tratava-se do dique “Natal” (G-27), que apesar de ser da década de 1940, ele só chegou ao Brasil nos anos 1960, emprestado pelos Estados Unidos, e adquirido em definitivo no ano de 1977. Em 2021, a Base Naval de Natal informou a desativação e intenção de leilão, que aconteceu em 2022. Vale citar, que o dique “Natal” serviu durante a segunda guerra mundial no teatro do Pacífico, a partir de outubro de 1944, como USS AFDL-39.

Referência:

Guerra Naval na Costa Nordestina, autor João Ferreira Leal Neto.

Relação Militares: Brasil e EUA (1939 – 1943), autor Giovanni Latfalla.