16 de julho de 2020. Hoje se relembra os 70 anos do Maracanazo. Em datas como esta a decisão da Copa de 1950 volta à tona. Seja entre os jornalistas, historiadores, saudosistas, curiosos ou uma nova geração interessada em conhecer o que aconteceu naquela tarde. Como tudo hoje em dia, o assunto palpita nas redes sociais, espaço democrático onde cada um tem a sua razão e a defende com unhas e dentes. 

Houve falha do goleiro Barbosa? Obdulio Varela deu um tapa em Bigode? O treinador Flavio Costa, ao exigir disciplina do time, mudou a característica viril de alguns atletas e isso vez com que o Uruguai jogasse solto? Houve oba-oba na concentração as vésperas do jogo? Os políticos colocaram o peso da cobrança nas costas dos jogadores? O time do Uruguai era melhor ou tão bom quanto o do Brasil? Para todas essas perguntas há um rosário de respostas, cada uma com a sua interpretação.  E não há mais entre nós, para contar a história, ninguém de ambas as seleções ou o mesmo Isaías Ambrósio, o “Senhor Maracanã”, ex-funcionário do Estádio e que se tornou um guia turístico bom de prosa e que por cinco décadas contou as narrativas do “Maior do Mundo”, entre elas a mais triste: a final da Copa de 1950.

Há um lado dessa história pouco explorada. Houve comemoração dos uruguaios? Não há nos anais um registro de onde eventualmente os vencedores de 1950 tenham feito sua festa ou se foi feita. Há, porém, a notícia da noite daquele que, depois de Ghighia e Schiaffino, é considerado o nosso maior algoz: Obdulio Varela.    

El Gran Capitan não quis fazer festa. Depois da volta olímpica, de volta ao hotel, convidou o massagista para tomarem um chope num bar que conhecia e costumava freqüentar quando estava no Rio de Janeiro. Caminharam pela cidade transformada em cemitério naquela noite de luto nacional. Chegou ao bar na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. O dono do estabelecimento, velho conhecido, trouxe duas canecas de chope com colarinho. Nas raras mesas ocupadas, uma imensidão de tristeza paira no ar.

Um dos presentes, já “alto” em sua decepção, brada: “Fomos derrotados por Obdulio”, o que fez o capitão celeste se sentir o carrasco de um povo. 

O dono do bar levou o rapaz pelo braço à mesa de Obdulio e o massagista, apresentando-o, o que fez com que o jogador tivesse receio do que poderia acontecer dali adiante. O rapaz apenas pediu que Obdulio tomasse um chope com ele. Aceitou, sentou com os outros brasileiros que estavam no bar, e pensou: “Se tiver de morrer, não existe noite mais apropriada”.

E assim, o grande capitão uruguaio passou aquela noite. Esvaziando canecas de chope com aquela “alma penada” que acabara de conhecer, misturada às lagrimas da infelicidade brasileira.

Na foto da postagem, o momento antes da partida em que os capitães Augusto e Obdulio Varela trocam flâmulas, sob o olhar do árbitro inglês George Reader.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: https://historiadofutebol.com/blog/?cat=68&pa__Artigos&paged=95; https://books.google.com.br/books?id=pC0EAAAAMBAJ&pg=PT41&lpg=PT41&dq=%22trip%22+%22oswaldo+soriano%22&source=bl&ots=2F0h2uqvMI&sig=ACfU3U0HTAWzhX3Dh4JC1GWw_bOdcVeZfQ&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwj-0sagv-DoAhX9IbkGHSgjD_YQ6AEwAHoECAoQLQ#v=onepage&q=%22trip%22%20%22oswaldo%20soriano%22&f=false