As eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 1994 foram disputadas sem o Chile, punido pela FIFA após episódio conhecido como “A fogueteira do Morumbi”. Dois grupos – um com quatro seleções e outro com cinco – decidiram quais os classificados.

A Colômbia foi vencedora do grupo A. A Argentina, como segunda colocada, disputou a repescagem com a Austrália e conquistou a vaga. No grupo B, Brasil e Bolívia se classificaram. Foi a primeira (e única vez) que a Bolívia conquistou a classificação no campo. Nas Copas de 1930 e 1950 participou na condição de convidada.

Até então, havia perdido todas as partidas e não havia marcado nenhum gol.

A seleção boliviana fez valer a condição extraordinária de jogar em La Paz, quase acima das nuvens, sendo, inclusive, a responsável pela primeira derrota de uma seleção brasileira em eliminatórias de Copa do Mundo. Mas, a altitude não era seu único trunfo. Os talentosos Trucco, no gol; Melgar e Baldivieso, no meio-de-campo; e os atacantes Sánchez e Etcheverry, faziam a diferença com um futebol cadenciado e envolvente.

No sorteio dos grupos da Copa, a Bolívia não só ficou na chave da poderosa Alemanha, mas quis a má sorte de enfrentá-los na partida inaugural do Mundial. Era o Pequeno Polegar contra o Rambo.

Então, o inusitado ganhou mais um capítulo. Em vez de se recolher, assustada, a Bolívia se lançou ao ataque e enfrentou com coragem a última campeã do mundo. A Alemanha, desconcertada, corria atrás de uma seleção boliviana que jogava por diversão.       

Até que aos 61 minutos, Klinsmann abre o placar. O treinador espanhol Xabier Azkargorta, apela ao “El Diablo”, maior destaque da equipe, em busca do milagre da redenção. Saca Baldivieso e faz entrar Marco Etcheverry, mas que convalescia de séria contusão e tinha o tal apelido por ser considerado infernal em campo.

Dois minutos após entrar na partida, Etcheverry atingiu Matthaus com violenta falta, sendo expulso diretamente (imagem abaixo). Naquele instante, a fortaleza boliviana desmoronou, arrependida de ter pecado contra o destino que a obriga a perder.

Final de partida: Alemanha 1 x 0 Bolívia.

O complexo que obrigava a Bolívia a perder as partidas nos mundiais e não marcar gols foi quebrado, em parte, nos dois jogos seguintes da fase preliminar da Copa/1994. Contra a Coreia do Sul, não perdeu, mas também não ganhou. Ficou no 0x0. Contra a Espanha, mais uma derrota, mas coube a Erwin Sanchez a glória de marcar o único gol da história da Bolívia em Copas do Mundo. 

 Créditos de imagens e informações para a criação do texto: “Futebol ao sol e à sombra” (Eduardo Galeano); https://www.youtube.com/watch?v=mZHlkYgcUi4