Luiz “Borracha” foi goleiro do Flamengo nos anos 40 e a sua alcunha foi dada pelo compositor e locutor esportivo Ary Barroso, em razão das defesas eletrizantes e saltos acrobáticos do arqueiro rubro-negro.

Em 1946, chegou à seleção brasileira e, em 1948, viveu o maior pesadelo de sua vida sendo acusado de ter entregue o jogo ao Botafogo e que tirou o Flamengo da disputa do Estadual. Mandado embora, desmoralizado, nunca ninguém conseguiu provar a acusação.

O tempo cuidou de corrigir a injustiça. Em 1979, seu filho Jorge Luiz, o “Borrachinha”, era o terceiro goleiro do mesmo Botafogo e foi escalado de última hora para jogar contra o Flamengo, por conta de contusão dos outros arqueiros. 

E não era um jogo qualquer. O Flamengo estava invicto há 52 jogos entre 22.10.1978 e 27.05.1979. Buscava, naquele jogo, superar a marca do Botafogo que também passara 52 jogos invictos entre 21.09.1977 e 16.07.1978.

O Fogão fez 1x0 aos 9 minutos do primeiro tempo com Renato Sá, e “Borrachinha”, durante o restante do jogo, fechou gol com defesas inacreditáveis, parando o ataque rubro-negro. O recorde não foi batido e permanece, até hoje, com as duas equipes.

O destino se encarregou de fazer Jorge Luiz “Borrachinha” limpar o nome de Luiz “Borracha”.

O velho Luiz “Borracha”, silenciosamente, sentiu o doce sabor da vingança.

Na foto que ilustra a postagem, o "card" de "Borrachinha" em 1979 que vinha junto a embalagem dos chicletes Ping-Pong e Luiz "Borracha", em ação contra o Flamengo.  

  Créditos de informações e imagens para criação do texto: Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1  (Paulo Guilherme); 1981, o ano rubro-negro (Eduardo Monsanto).