Escrevi semana passada sobre o assunto e repito nesta sobre a subida da popularidade do Presidente Jair Bolsonaro, segundo pesquisa do Instituto Datafolha.

No final do século XVIII, o cientista francês Lavoisier formulou a chamada Lei de Conservação da Massa/Lei de Conservação de Matéria (Em um sistema fechado, a massa total dos reagentes é igual à massa total dos produtos), popular e genericamente assim expressa: Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

Para bancar a festa da popularidade de Bolsonaro, o governo federal sacrifica, ao mesmo tempo, no altar político-eleitoral, duas vítimas – o lulismo e a agenda liberal, e confirma a regra de que em política é possível reafirmar a Lei de Lavoisier: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma e se adapta.

Não é segredo para ninguém que Bolsonaro surfou, em 2018, na onda do antipetismo e foi eleito apresentando-se como o único candidato antipetista raiz. Sempre é bom lembrar, para quem gosta de esquecer, que o antipetismo foi, provavelmente, a maior força eleitoral de 2018.

Passada a borrasca eleitoral, Bolsonaro permaneceu em campanha sem entender que governar é muito mais do que subir em palanques e fazer passeatas e carreatas. Deu canelada em quase todo mundo, caiu no colo do centrão e, ali aninhado, partiu para realizar incursão num espaço político antes quase que reservado apenas a Lula e ao PT e às lideranças políticas tradicionais.

Não são poucos os analistas que associam o fenômeno da melhoria dos índices de popularidade do Presidente ao coronavoucher de R$ 600 e a uma ou outra ação do governo federal nas periferias dos grandes centros urbanos e principalmente na região Nordeste, foco do lulismo nas últimas eleições, e onde Bolsonaro usa e abusa das artimanhas do adversário figadal para emparedar Lula e o PT, sem originalidade alguma, enfatizo.

Lula e o PT agiram da mesma forma em relação a Fernando Henrique Cardoso e ao PSDB, ainda que muita gente insista em esquecer, por esperteza, por conveniência, por cálculo ou por cafajestagem.

Os fatos, e não versões, estes elementos que teimam em mostrar sua cara, são inamovíveis: Lula e o PT “criaram” o Bolsa Família unificando alguns programas de transferência de renda criados pelo governo FHC e, agora, veem e se mostram indignados porque o governo Bolsonaro faz o mesmo, ao propor a “criação” do Renda Brasil, fortalecendo o Bolsa Família com alguns benefícios já existentes.

Lula e o PT provam do veneno da falsidade que um dia destilaram nos tucanos.

Bolsonaro invadiu a última fortaleza do lulismo e do petismo: os bolsões de pobreza situados nas regiões Nordeste (e Norte) e nas periferias das grandes cidades, como indicam os índices de aprovação, que cresceram cinco pontos (de 32% para 37%), em aproximadamente dois meses, enquanto a taxa de reprovação caiu dez, de 44% para 34%.

Bolsonaro nunca foi, como eu já disse em outros momentos, um liberal. É uma espécime da fauna corporativista e sindical, que durante a campanha se associou a um liberalismo de fachada e que agora muda inteiramente de direção, sacrificando a agenda liberal que adotou, como fachada, por conveniência (https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,agenda-de-paulo-guedes-esta-enfraquecida-diz-alexandre-schwartsman,70003397688?utm_source=facebook%3Anewsfeed&utm_medium=social-organic&utm_campaign=redes-sociais%3A082020%3Ae&utm_content=%3A%3A%3A&utm_term=&fbclid=IwAR0k_6xL4Ixj9HIFzPWFmaxNz3RXIoCd2iorZCwbAfE5dpOWoPdBrgIUrxw).

Para abandonar a agenda liberal do ministro Paulo Guedes, o governo federal vai precisar de caixa.

É certo que não dispõe de numerário para bancar por mais tempo o coronavoucher de R$ 600, a um custo mensal de R$ 50 bilhões.

Por isso, acalenta a ideia do Renda Brasil, um Bolsa Família vitaminado, e o Pró-Brasil, sucedâneo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado no governo petista.

Vale o clichê: quem com ferro fere, com ferro será ferido.

Lavoisier, o francês e não o Maia, assinaria embaixo.

Em tempo 1: Entre 2012 e 2014, Bolsonaro dizia que os beneficiários do Bolsa Família representavam o “voto de cabresto do governo” do PT, e que era um programa criminoso. Nos dias atuais, olha com simpatia o cabresto que um dia denunciou. Dá-lhe Lavoisier, o cientista francês.

Em tempo 2: O Datafolha expõe que 55% dos brasileiros isentam os governadores e 47% não responsabilizam Bolsonaro pelas mais 100 mil vítimas fatais da Covid-19. As mortes, dizem os números da pesquisa, foram inevitáveis. Há gado dos três entes da Federação.