A Ford praticamente fechou as portas no Brasil, caminho provavelmente a ser percorrido por outras montadoras, e nós ficamos nos maldizendo pelo agora sem olharmos para o passado distante e mesmo próximo.

A Gurgel, marca genuinamente nacional, foi pouco valorizada pelos governos brasileiros, como escancara Fernando do Amaral Gurgel, filho do empresário João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/campinas/cm2801200103.htm).

Outras tentativas de erguer montadoras nacionais foram feitas. Algumas aconteceram desde o fim da Gurgel, sendo a mais bem sucedida a Troller, fabricante de jipes.

A Troller nasceu como uma marca cearense e, comprada pela Ford em 2007, acabar-se-á.

Enquanto Troller e Gurgel (não sei se outras) foram deixadas ao relento, multinacionais eram tratadas a pão-de-ló, com generosos subsídios governamentais de municípios, estados e união, além de isenções fiscais (https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16139/tde-21012010-145148/publico/tese.pdf).

Na última década e meia, só a união concedeu subsídios de quase 54 bilhões de reais para as montadoras (https://g1.globo.com/economia/blog/joao-borges/post/2019/04/24/beneficios-fiscais-da-uniao-a-fabricas-de-automoveis-somaram-r-538-bi-nos-ultimos-16-anos.ghtml).

Entre os anos de 2003 e 2018, a renúncia fiscal mais que triplicou, passando de R$ 1,7 bilhão em 2003 para R$ 5,4 bilhões em 2018. Dados do Ministério da Economia apontam que 97% dos subsídios ao setor correram, em 2018, para a região Nordeste, enquanto o Centro-Oeste ficou com o restante.

Não existe almoço grátis, como ensinam os manuais de economia. A fatura chegou e será paga com desemprego, choro e busca por culpados.