Muitas pessoas não fazem ideia de como a cidade de Natal, na costa leste do nordeste do Brasil, foi relevante para o esforço aliado durante a Segunda Guerra Mundial. A tomada da Normandia, na França, em 1944, é um dos fatos que estreita essa relação de importância da base aérea de Natal, também conhecida por Parnamirim Field.

O desembarque das tropas aliadas, em 6 de junho de 1944, é considerado um dos episódios mais importantes do período e resultou na libertação da Europa que estava ocupada pelo regime nazista de Adolf Hitler. Para compreender esta afirmação, podemos exemplificar com números de meios e recursos humanos nesta operação, que recebeu o codinome de “Overlord”:

  • Mais de 7.000 navios, sendo 1.213 naus de guerra e mais de 4.000 de desembarque;
  • 132 mil homens desembarcaram nas praias;
  • 24 mil paraquedistas;
  • 10.000 veículos terrestres transportados;
  • 4.000 mortos entre os aliados, apenas no Dia D;
  • 9.000 feridos ou desaparecidos;
  • 12.000 aeronaves utilizadas entre aviões de carga e combate.

Para esse post, o que interessa é justamente o último item, pois Parnamirim Field foi amplamente utilizada, principalmente nos meses que antecederam o Dia D, no transporte de pessoal, mantimentos e aviões, sobretudo os de carga. Dezenas de esquadrões, ligados a 8ª e 9ª Força Aérea do Exército dos Estados Unidos tiveram que descer até a América do Sul, cruzar o Atlântico até a África e seguir para Inglaterra. Podemos citar os 437th Troop Carrier e 454th Bomb Group, que operavam principalmente os C-47. Estes grupos agiram no dia 6 de junho de 1944, atuando em mais de uma surtida, e seguiram na Europa com o avanço da guerra.

Correspondência de militar americano do 437th Troop Carrier (Group) enviado a partir de Natal (APO604) em janeiro de 1944 (Foto: Acervo do Centro Cultural Trampolim da Vitória/CCTV)

O Dia D começou a ser planejado ainda no primeiro semestre de 1943 e por conta do mau tempo que obrigava o fechamento da rota norte, que saía dos EUA direto para a Inglaterra, a rota do sul passou a ser vital. Uma correspondência do Exército americano, endereçada ao alto comando a pedido do General “George”, comandante do Air Transport Command (ATC), alertava para esta necessidade de mudança de rota já em outubro de 1943.

Trecho do documento: On 1 october, all tactical aircraf now going over the North Atlantic will be ruted over the South Atlantic, with the exception of three hundred (300) heavy bombardment per moth. Consequently, the figures supplies have deducetd all of the B-17´s and some of the B-24´s to a total of three hundred per month allocated to the Eigth Air Force. 

Os números são impressionantes, uma vez que a 8ª Força Aérea receberia 825 aeronaves, entre outubro e dezembro daquele ano. Enquanto que a 9ª Força Aérea, tinha previsão de outros 130. Ou seja, seriam quase mil aeronaves para esquadrões que operavam a partir da Inglaterra e estariam envolvidos na operação futura. Não contabilizamos os meios entregues à 20ª e 40ª Forças Aéreas do Exército, nem as fornecidas aos britânicos, chineses e russos, que também passaram por Natal ao mesmo tempo.

Documento do Exército alertando para o fechamento da rota Norte (acervo do autor)

Referências: