Li hoje alguns textos e assisti vídeos que registraram o ataque, por cerca de vinte pessoas, em São Paulo, na tarde de ontem, à estátua do sertanista Borba Gato (https://www.youtube.com/watch?v=cmcKC5okuI4).

Sim, sertanista, porque os paulistas que rasgaram o país preando índios e em busca de ouro e pedras preciosas eram assim chamados. 

A direita logo se apressou a dizer que foi um ato de terrorismo e a esquerda chamou a ação de exemplo (https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ataque-a-borba-gato-direita-fala-em-terrorismo-e-esquerda-em-exemplo,70003788848).

Não foi uma coisa, nem outra.

Foi vandalismo feito por “revolucionários” mimados, da mesma cepa daqueles intelectuais de gabinete e revolucionários de suvaco que vivem a construir fórmulas e a arrumar justificativas para o amor incontido que têm por figuras abjetas da história mundial, tiranos e déspotas da pior espécie e por movimentos que, com o pretexto de se contrapor ao sistema, depredam patrimônios público e privado.

Aqui mesmo em Natal, ano passado, a casa onde viveu o folclorista, historiador e etnógrafo Câmara Cascudo foi pichada (http://blogcarlossantos.com.br/pichacao-marca-vandalismo-no-instituto-camara-cascudo/) e apareceu um ou outro intelectual justificando o ato ou até mesmo sugerindo que o alvo do ataque poderia ser outro, a estátua do ex-governador e ex-senador Dinarte Mariz, falecido em 1984, na Via Costeira (oficialmente avenida Dinarte Mariz).

Na madrugada de ontem para hoje, a polícia civil prendeu um suspeito de ter participado do ato na zona da capital paulista.

Os sertanistas dos séculos XVII e XVIII foram homens do tempo deles e, não custa registrar, os primeiros grandes devassadores dos sertões e, portanto, formadores das dimensões continentais que têm o Brasil.

Eram, grosso modo, mestiços de branco com índio, até mais índios do que brancos, nos costumes, na arte da guerra, no trato com a natureza, etc, como expõe uma gama de estudiosos do tema em livro organizado por Diogo da Silva Roiz Suzana Arakaki Tânia Regina Zimmerman (Os Bandeirantes e a Historiografia a Brasileira).

Eles não precisam e nem devem ser cultuados como heróis, como eram nos livros didáticos de antanho, tampouco apodados como bandidos, como insiste um certo revisionismo caolho.

Antes de depredar a estátua dos sertanistas, os valorosos homens da revolução do século XXI, candidatos a sequestradores da memória nacional e simpatizantes e integrantes de grupos que carregam os pomposos nomes de Mao Tsé-tung, Vladimir Lenin, Ernesto Che Guevara, Carlos Marighella e que tais, deveriam conhecer a história deles.

Talvez dessa forma pudessem fazer aquilo que dizem fazer – pensar criticamente, tão dito e tão pouco ensinado e aprendido.