O Brasil é um país sui generis.

Qualquer pesquisa de opinião revela que todos – militares, professores, padres, jornalistas, empresários, banqueiros, etc – são mais confiáveis que os políticos.

Os políticos costumam alegar que os eleitores têm o hábito de puni-los por suas virtudes e qualidades, a saber, a de pertencerem a um poder mais aberto, o qual submete os seus erros ao escrutínio direto do grande público.

Um ex-presidente da república chegou a dizer que os políticos exercem a profissão mais honesta do mundo. Mais até do que o funcionário público concursado, que ralou para ser aprovado num concurso público, mas depois disso não dá mais satisfação a ninguém, enquanto o político tem de todo ano enfrentar o povo e prestar satisfação do que anda fazendo (http://g1.globo.com/politica/videos/v/lula-diz-que-profissao-politico-e-por-incrivel-que-pareca-a-mais-honesta/5308635/) (https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/nao-tem-uma-viva-alma-mais-honesta-do-que-eu-afirma-lula/) (https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/politico-mais-honesto-que-concursado-entidades-repudiam-fala-de-lula/).

Não restam dúvidas que o poderes nos quais estão encastelados os políticos, principalmente o Legislativo, são mais expostos do que os espaços ocupados pela esmagadora maioria das outras profissões.

No entanto, o julgamento dos cidadãos acerca do comportamento de suas lideranças políticas não está relacionada apenas às práticas do cotidiano parlamentar e tampouco às do executivo, ao ingente trabalho de administrar a sociedade, mas às posturas adotadas durante os períodos eleitorais e, principalmente, aos conchavos para desviar verba pública e para criar sinecuras e vantagens materiais para eles e para apaniguados.

O eleitor grita que não dá para confiar em gente desse tipo, mas ainda assim há uma infinidade de personalidades e uma casta de cidadãos que gostariam de aumentar a presença do Estado e, portanto, dos políticos na vida do país.

Já tivemos da direita à esquerda sentada nos birôs de gerentes do país, administrando os destinos do Brasil, nenhum conseguiu fazer a máquina pública trabalhar em prol dos que a sustenta – o povo.

A máquina pública brasileira continua, para citar Raymundo Faoro, sendo usada e abusada para garantir o sustento da própria burocracia e da elite política que controla as rédeas do Estado.