Em 1958, a seleção brasileira era um time pronto, confiante, experiente e que chegou a final da Copa após jogar com propriedade com Áustria, Inglaterra, URSS, País de Gales e França. A decisão foi com a Suécia, dona da casa, e teve que mudar o uniforme que era da mesma cor dos anfitriões, o que fez a direção da CBD ir atrás de um uniforme azul. O massagista Mário Américo e o roupeiro Assis vararam a madrugada retirando o símbolo da CBD das camisas originais para bordá-las no novo uniforme junto com a numeração.

Contudo, brasileiro é cismado e tem a tal da superstição. O time demonstrou preocupação com a troca de padrão, pois o amarelo estava dando certo e sorte. Então, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação, reuniu o grupo e, para estimular os jogadores, disse que jogaríamos elegantemente de azul, cor do manto de Nossa Senhora, como o goleiro Gylmar, que era o único que já usava aquela cor num tempo em que predominava o preto e o cinza para os arqueiros.  

E assim seguiram para o jogo. Mas, cada jogador tem a sua mandinga própria. Gylmar tinha mais de uma. Uma delas era ser o último a entrar no ônibus. Mesmo que fosse o primeiro a chegar no embarque esperava todo mundo subir para ocupar seu assento. A outra era que em todas as partidas ele havia usado uma camisa 13 por baixo de sua camisa oficial para aquecer-se do frio nórdico. O improviso no primeiro jogo fez a crendice se tornar obrigação. Mas, na inquietude da troca do uniforme, o goleiro esqueceu de pegar sua camisa da sorte. Buscou com o roupeiro outra camisa com o número 3 – que era o seu número oficial -, e colocou o número 1 ao lado, de esparadrapo, formando o 13 da sorte.     

O gol de Liedhom, abrindo o placar, parecia ter quebrado o feitiço, mas Didi buscou a bola no fundo do gol e seguiu com ela na mão, lentamente, até a grande lua para bater o centro. O time continuou a jogar normalmente e fez 4x1 e, no fim do jogo, 5x2.

Brasil campeão! E a revelação de que a mandinga da camisa 13 não era somente de Zagallo.

Créditos de informações e imagens para criação do texto: Goleiros: heróis e anti-heróis da camisa 1 (Paulo Guilherme).