Em 1962, às vésperas do início da Copa do Mundo do Chile, o treinador Aymoré Moreira se viu diante de uma sinuca de bico. O zagueiro campeão de 1958, Bellini estava machucado e quem ocupava o seu lugar nos treinamentos e últimos jogos preparatórios era Mauro Ramos de Oliveira, beque do Santos.  A comissão técnica tinha preferência pelo defensor sãopaulino.

Na hora de dar a notícia, com Bellini recuperado, Aymoré poderia ter incumbido a Paulo Amaral, campeão de boxe e uma montanha de músculos, mas, como comandante da equipe, chamou para si a responsabilidade. Dirigiu-se ao atleta e tentou iniciar aquela conversa que tentava parecer discreta:

- Mauro! Disse o treinador.

Pressentindo o teor da prosa, o zagueirão tratou de mandar a bola para longe, intervindo:

- Nem vem! Pode parar por aí porque eu já sei o que você quer falar. Acontece que eu não vou sair do time. Eu gosto muito do Bellini, ele é meu amigo, mas estou jogando bem. Vou colaborar com a comissão, mas lá dentro do gramado. Eu já fui reserva em 1958, nessa eu vou jogar até o fim.

Jogou. Foi capitão e levantou a taça com as duas mãos, da mesma forma que Bellini fizera em 1958.    

Crédito de informações para criação do texto: Coluna “Na Grande Área”, de Armando Nogueira, Jornal do Brasil de 18.07.1968