Na volta do verão europeu em 1977, após a conquista do Torneio Teresa Herrera com o Fluminense, Marinho era titular da seleção brasileira e já havia conseguido sufocar o ciúme da torcida do Botafogo, em razão de sua troca pelo tricolor das Laranjeiras.

Uma noite, chega com o seu Mustang vermelho ao Antonio’s, no Leblon, point dos globais, jornalistas, artistas e da intelectualidade carioca. Vê numa mesa Tom Jobim, Chico Buarque e Fágner conversando e tomando um puro escocês. Dirige-se a eles e, sabedor que Chico é tricolor, provocou: “Chico, canta alguma coisa aí pra gente”. O cantor não estava a fim de fazer show e a resposta veio em forma de desafio, pensando ser impossível: “Só se você fizer duzentas embaixadinhas aqui para nós”.

A “Bruxa” foi na cozinha do bar e trouxe uma laranja inchada. Soltou da mão e aparou o fruto com o pé direito. E começou a fazer as embaixadinhas: “Tá contando?”, indagou irônico, enquanto Fágner e Jobim riam da situação inusitada em pleno bar, que parou para ver a cena e ajudou Chico a contar. Este, ao fim, teve que tirar a viola e pagar a aposta, cujo desafio jamais imaginou que Marinho fosse topar.

Chico Buarque, indagado, disse não se lembrar da história, mas que era possível. Já Raimundo Fagner confirmou o ocorrido. 

Na foto a ilustrar a postagem vemos Chico Buarque, no campo de pelada da sua casa, em 1981, com Raimundo Fagner e Marinho Chagas.

Créditos de Imagens e Informações para criação do texto: “A Bruxa e as vidas de Marinho Chagas (Luan Xavier); (Blog do Laprovitera) http://laprovitera.blogspot.com/2015/01/na-pelada-do-chico.html