Futebol e pátria e futebol e nação não se misturam. Ou pelo menos não deviam se misturar. Quando se misturam o caldo entorna e ele, o futebol, é utilizado para fins outros que não os esportivos. A história é pródiga em exemplos, mas não vamos a eles. Por ora, fiquemos com o menino Ney, marmanjo de 30 anos que continua sendo tratado como garoto por imprensa caolha ou comprada.

A condescendência desmedida com Neymar, quando as orelhas dele deviam ter sido puxadas, cobram um preço a ele e ao futebol da seleção brasileira, posta à disposição dele, jogando para ele e secundarizando desmedidamente bons e excelentes jogadores.

O episódio do chilique neymariano, antes da decisão da Copa América com o selecionado argentino, dizendo-se “brasileiro com muito orgulho e muito amor” e expressando a dificuldade que tem de entender quem torce contra o Brasil, está no mesmo patamar (apud Bruno Henrique) das patriotadas de Zagallo gritando pela amarelinha, pelo verde e amarelo nos tempos de Brasil: ame-o ou deixe-o ou em tempos mais recentes. A diferença é que Zagallo, mesmo quando muito zangado, não mandava publicamente ninguém “para o caralho”, como fez o menino Ney com todos os brasileiros que disseram torcer pela vitória da seleção alviceleste contra a seleção canarinho.

Neymar tem a mesma dificuldade de Zagallo para entender que a seleção brasileira de futebol não é o Brasil. Não representa a pátria ou a nação. Nunca a representou, mesmo quando muito amada por jogar futebol de primeira qualidade.

Por vezes, mesmo jogando futebol de excelência, como o escrete que conquistou o tricampeonato, havia muita gente que rejeitava o selecionado brasileiro, porque temia, como de fato ocorreu, que o título ganho em gramados mexicanos pudesse ser utilizado como peça de propaganda pelo governo do general Garrastazu Médici.

A seleção de Tite e de Neymar não representa o Brasil. Representa o futebol brasileiro. Mal e porcamente, apenas a ele.

Neymar e sua patota trabalham contra o Brasil, no futebol e fora dele.

Fiquemos somente com o futebol.

Quem não fica no mínimo chateado com o futebol mequetrefe jogado pela seleção brasileira que tem em Neymar o seu maior expoente? Quem não ficou envergonhado com a participação mambembe de Neymar no última Copa do Mundo, quando rolou mais do que correu pelos gramados russos?

Neymar chegou com fama de estrela, com muitos apostando numa performance que o gabaritaria para assumir o posto de melhor do mundo e saiu do mundial com fama de picareta, transformado em símbolo de perfídia, de enganador, por rolar em campos fingindo faltas inexistentes. Ali, o futebol jogado por Pelé, Garrincha, Gérson, Romário e Ronaldo foi aviltado por um adulto tratado como adolescente e, por isso mesmo, visto como moleque.

Não sigamos por outros campos, a saber, a birra irresponsável para fazer festa para 500 convidados no auge da pandemia, etc.

Muitos torceram para a Argentina ontem justamente por causa de Neymar. E nem por isso são menos patriotas. Intuo até que são mais patriotas do que o craque que veste a sagrada camisa 10 da seleção brasileira de futebol.

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Por falar em caldo, o caldo popular, pelo que tenho acompanhado, engrossou nas ruas, com Covid e tudo, e Bolsonaro vai ter de rebolar para se sustentar até o final do mandato.

O destino dele, se a coisa continuar como está, é ser dilmado ou, então, figurar como um morto-vivo até 2022. 

Só uma coisa pode virar o jogo: a melhoria nos índices econômicos. Desde que tal melhoria chegue à mesa dos brasileiros.