As eleições deste domingo terminaram e é possível tirar algumas conclusões: o centro e o centro-direita ocuparam o palco, inclusive com a ressurreição do DEM, antigo PFL, que a esquerda jurou ter matado em meados da primeira década deste século; nunca se faltou tanto as eleições como neste ano – o índice de abstenções foi o maior para pleitos municipais dos últimos 20 anos (de 23,1% contra 17,6% no primeiro turno de 2016); em São Paulo chegou a 29,3%.

Não será muito fácil avaliar a força do presidente Jair Bolsonaro, porque ele está sem partido e seus aliados estão dispersos por várias siglas. É possível, porém, dizer que a atuação dele foi no mínimo desastrada e que alguns dos candidatos aos quais ele se vinculou perderam fragorosamente no primeiro turno e os que chegaram ao segundo estão enfraquecidos.

Pela esquerda, o PSOL teve um desempenho julgado surpreendente por muitos analistas políticos.

O PSOL, nunca devemos esquecer, é uma costela do PT e como este está doente e internado na UTI político, lá posto pelo eleitor, o partido de Edmílson Rodrigues e de Guilherme Boulos assumiu a proeminência na geografia esquerdista da política nacional (https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2020/11/15/edmilson-rodrigues-e-eguchi-disputam-2-turno-em-belem.htm).

Edmilson Rodrigues vai disputar o segundo turno em Belém (PA), como apoio do PT e de outros partidos de esquerda e Guilherme Boulos disputará o segundo turno contra Bruno Covas na capital paulista.

Pesquisas já apontavam o crescimento de Boulos nas últimas semanas, indicando tendência de voto útil. A de boca de urna, feita pelo IBOPE, projetava 25% dos votos para o psolista.

Ao final, Boulos teve pouco mais de 20% dos votos e Covas quase 33% (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/11/boulos-enfrentara-covas-no-segundo-turno-em-sao-paulo-projeta-datafolha.shtml).

Os dois querem distância das artreirices de Bolsonaro, que, príncipe em 2018, hoje é um ogro em São Paulo.

Os votos de Boulos vieram certamente de petistas que não aceitaram a candidatura de Jilmar Tatto e de jovens que creem naquela abstração chamada vontade política.

A moderação, parece, dará as cartas na campanha de Covas.

Resta a Boulos pôr de pé, nas próximas duas semanas, estratégia e discurso que tragam o paulistano refratário ao esquerdismo radical e juvenil para as hostes psolistas.

Pode ser que surja o Boulosinho Paz e Amor.