O Fla-Flu é talvez o clássico mais charmoso do futebol brasileiro. São mais de 100 anos de história, de rivalidade e diversas decisões de campeonato carioca, como essa de 2021, iniciada na noite de ontem com um empate em 1x1.

Rubro-negros e Tricolores são os maiores campeões estaduais do Rio de Janeiro, e se o assunto for finais diretas entre os dois times, o equilíbrio é a palavra, com ambos sendo detentores de 5 títulos, o Flamengo em 1963, 1972, 1991, 2017 e 2020, enquanto o Fluminense tem sucessos em 1936, 1941, 1973, 1983 e 1995.

Em 1912, foi disputado o primeiro clássico da história do futebol brasileiro. O Fluminense venceu o Flamengo por 3x2. Foi uma partida movimentada e violenta. Enquanto os cavalheiros comemoravam os gols de suas equipes jogando o chapéu de palha no campo, as moças deixavam cair seus leques e desmaiavam por causa da emoção do gol ou das agonias do calor e do espartilho. Nascia o primeiro Fla-Flu, "quarenta minutos antes do nada", como definiu Nelson Rodrigues ao tentar mensurar o imensurável.

O Flamengo tinha nascido pouco antes. Brotara de uma fratura do Fluminense, que se dividiu em dois após confusões, guerras e gritarias de parto.

Como diz Eduardo Galeano: “Depois o pai se arrependeu de não ter afogado no berço este filho respondão e gozador, mas já não podia fazer nada: o Fluminense havia gerado a sua própria maldição e a desgraça não tinha mais remédio”.

Desde então, pai e filho, filho rebelde, pai abandonado, dedicam-se a se odiar. Nelson Rodrigues, notório torcedor do time das Laranjeiras, desconsidera a paternidade tricolor e chama o Fla-Flu de “os irmãos Karamazov do futebol brasileiro”, numa nem tão inconsciente assim tentativa de igualá-los em sua gênese.

A cada clássico, o Fla-Flu é essa guerra que nunca vai acabar. Pai e filho jogam para a amante que joga com eles. Por ela se batem e ela vai aos duelos vestida de festa.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: “Futebol ao sol e à sombra” (Eduardo Galeano)