O início da década de 1930 é empolgante para a aeronavegação. Temos os zeppelins cruzando os céus e inúmeros pioneiros quebrando records. Jean Mermoz, provavelmente o francês mais famoso, entra para a história em 13 de maio, ao realizar com sucesso a primeira travessia com correio aéreo entre a França e América do Sul, com escala entre Dakar e Natal, a bordo do Conde de La Vaux.

O feito colocaria não apenas Memoz e seus companheiros Jean Dabry e Léopold Gimie no hall da fama, mas toda a Aéropostale, o que justificaria a presença de Exupéry em Natal como gerente da empresa na América do Sul e era esperado desde o anúncio do feito. Entretanto, nosso personagem estava envolvido em uma triste missão de resgate.

Travessia de Mermoz de 1930 (Acervo do autor)

Na madrugada do dia 10 de maio, um avião da Aéropostale decola de Buenos Aires, sob forte mau tempo, com objetivo de ir a Montevideo e esperar a aeronave de Jean Mermoz, que uniria pela primeira vez França e América do Sul pelo ar. O voo do piloto Elysée Négrin e do mecânico René Pruneta cai no Rio da Prata, levando a bordo dois passageiros, Alberto de Barros e Carlos Oliveira, deixando apenas este último como sobrevivente. Este trágico acidente foi o motivo que impediu Exupéry de estar em Natal para recepcionar Mermoz.

Nos anos seguintes, uma nova reviravolta empresarial mexeria com o escritor-piloto, com a liquidação da Aéropostale, processo este que durou quase dois anos, até 1933, quando surge a Air France. Em 1932, Exupéry já tinha sido contratado para ser piloto de testes da Latécoère que continuava a fabricar aeronaves, em Toulose, na França. Cumprindo esta tarefa, em 21 de dezembro de 1933, ele sofre um grave acidente na baía de Saint-Rapahael, quase fatal e que lhe cobrou a aposentaria. Ele ainda tentou entrar na Air France, contudo, foi recusado.

Em 1936, a Air France celebra a centésiama travessia sobre o Atlântico Sul produzindo um documentário, com participação de Saint-Exupéry. O filme promocional poderia ser uma chance dele estar em Natal, no entanto, não aparece em nenhuma imagem por aqui.

Já no ano de 1938, ele é convidado a participar de um raid entre os EUA e o Uruguai, que tinha Natal no plano de vôo. Infelizmente, mais uma vez ele é impedido de pousar aqui, pois em 4 de março sofre grave acidente sobre a Guatemala, na América Central, onde fica hospitalizado por vários dias antes de retornar à América do Norte.

A década de 1940 é marcada por seus feitos como escritor e suas idas e vindas entre a Europa e a América. Logo nos primeiros anos, se voluntaria como piloto para atuar na Segunda Guerra Mundial, sem deixar de se dedicar a literatura. Em 1942, escreveu o manuscrito Piloto de Guerra e em 1943, no dia 6 de de abril de 1943, publica em inglês e francês o “Le Petit Prince”, editado pela Reynal & Hitchcock.

Em 31 de julho de 1944, às 8h35, o comandante Antoine de Saint-Exupéry decolou a bordo do Lightning P38 (F5B) nº 223, do campo de Borgo, para realizar uma missão fotográfica na área de Grenoble - Annecy. Às 13 horas, ele não voltou, as chamadas de rádio ficaram sem resposta e os radares alertados procuraram por ele em vão. Em 8 de setembro, Antoine de Saint-Exupéry foi oficialmente declarado desaparecido. Em 3 de novembro, ele foi citado postumamente para a Ordem da Força Aérea "por suas melhores qualidades de ousadia e habilidade durante os meses de junho e julho de 1944".

Relatos

Em 1973, o autor do livro “O Meu Pé de Laranja Lima”, José Mauro de Vasconcello, em entrevista a Revista Manchete revelou que seu pai era mecânico da Air France em Natal, e ele quando criança – 10 ou 11 anos – teve contato com Jean Mermoz e cita “talvez tenha conhecido Exupéry nessa época de 1930”, sem ter certeza.

Já no ano de 1974, uma reportagem d´O Poti reproduziu um texto do jornalista  Jean-Gerard Fleury, que acompanhava a atividade da Air France, em que o protagonista teria dito que conhecia Natal, vindo a bordo de navios. Mas aqui esbarramos na falta de provas sólidas. Seria apenas mais um francês na cidade.

Existe ainda, a famosa entrevista do jornalista Nilo de Oliveira Pereira, que se perdeu no tempo e na história. Nela, o próprio Exupéry teria falado da cidade potiguar. Não foi encontrada nesta pesquisa.

Ainda nos anos 1950, surge em Natal um movimento na tentativa de homenagear Exupéry, que foi liderado pelo Diários Associados, Diário de Natal. Não vingou. E em 1960, surge a informação de uma foto de Exupéry onde hoje é a Praia do Meio. Se existiu, se perdeu.

Por fim, fica a conclusão da ausência de evidências sobre a vinda de Exupéry ao Rio Grande do Norte.

 

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O que se sabe sobre a possibilidade de Saint-Exupéry ter visitado o RN (Parte 1)

Primeira travessia com correio aéreo entre a França e América do Sul