Em 1982, a seleção brasileira de futebol veio jogar pela primeira vez em Natal. Era o início da arrancada para a Copa do Mundo daquele ano na Espanha, e Telê Santana, treinador da seleção, fazia os últimos testes para definir o elenco.

O jogo foi no estádio que ainda era chamado de Humberto de Alencar Castelo Branco, o “Castelão” - que somente foi mudado para “Machadão” em 1989 -, contra a seleção da Alemanha Oriental (a unificação da Alemanha se deu em 1990).

Na chegada da equipe brasileira ao velho aeroporto Augusto Severo, em Parnamirim, às equipes de rádio e TV estavam presentes, entre elas o Canal 5, TV Universitária local, que designou o seu repórter esportivo Maurício Pandolphi para cobrir o desembarque da seleção.

Em determinado momento, o intrépido repórter descobre, no vai e vem de celebridades futebolísticas, nada mais, nada menos, do que Edvaldo Izídio Neto, conhecido no mundo do futebol como “Vavá”, centroavante da seleção brasileira no bicampeonato mundial de 1958/1962. “Vavá” era o treinador da equipe juvenil (Sub-20) e acompanhava a delegação. Pandolphi chamou o camera man que o acompanhava, começou o stand up (reportagem que simula uma matéria ao vivo), e foi chegando no “Leão da Copa”, pegando no cotovelo do entrevistado, já todo cheio de intimidade, e na hora de chamá-lo pelo nome... cadê o nome??? Deu o popular “branco” na cabeça do Pandolphi.

Dizia o repórter naquele momento da matéria:

“Um dos membros da comissão técnica do selecionado brasileiro que veio a Natal é o famoso centroavante das Copas de 1958 e 1962, o...o...o...”

A frase não se completava e o repórter, naquela fração de segundo, se desesperava, agoniado, brigando com sua própria memória e apelando para todos os santos para que recuperasse a lembrança do nome/apelido do ex-jogador. 

Ao apelar aos santos, um Santos atravessou o seu juízo e no desespero da causa, ainda agarrado ao cotovelo de Vavá, enfatizou:

“o...o...NILTON... NILTON SANTOS”!!!

Pandolphi trocara o centroavante valente pelo clássico lateral-esquerdo, também bicampeão mundial em 1958/1962, chamado de a “Enciclopédia do Futebol”. 

“Vavá” fechou a cara, desvencilhou-se do repórter provinciano e saiu de lado dizendo algo inaudível, enquanto a TVU perdia uma entrevista com o ex-campeão mundial.

Pandolphi conta com arte e faz chiste desse episódio no seu livro de memórias, lançado em 2014, só não conta o que o “Vavá” teria balbuciado na hora que se retirou da entrevista com cara de poucos amigos, o que se imagina, facilmente.

- Ora, vá vá...

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: “Também se fala com os pés: memórias de um jornalista feliz” (Maurício Pandolphi)