Na última quinta-feira, dia 30, o “Rei” Pelé deixou o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, após a cirurgia de retirada de tumor no intestino. Um jogo pela vida travado desde 04 de setembro.

Praticamente 44 (quarenta e quatro) anos antes, em 01.10.1977, Pelé jogava sua última partida de futebol oficial vinculado a uma equipe, fechando sua memorável história dentro das quatro linhas. Nesse dia, os deuses do futebol “choraram” um dilúvio, uma tormenta, um vendaval sobre o Giants Stadium, em New York (*). Se a grama do velho estádio era artificial, a emoção de todos os presentes era mais que real. 

Como em todo grande evento americano, antes da partida um protocolo teve de ser obedecido. Pelé foi recebido em campo por um esquadrão composto por Bellini, Mauro Ramos de Oliveira, Bobby Moore, Carlos Alberto Torres e Franz Beckenbauer, todos os capitães das seleções mundiais vencedoras das Copas do Mundo em que Pelé participou. O “Rei” fez um pequeno discurso e no fim convidou a todos a gritar a palavra Love (Amor). O público repetiu. Ele chorou e foi abraçado pelo “capita” Carlos Alberto Torres. Após, ainda no centro do campo, Pelé aguardou cada um dos jogadores do Santos e do Cosmos, que foram anunciados um a um, recebendo o cumprimento do “Rei”. Ao ser pronunciado o nome de Beckenbauer, a ovação máxima do público, como se coubesse a partir daquele momento ao Kaiser a responsabilidade de manter o talento e a grandeza do futebol.

Iniciada a partida, Pelé participou jogando um tempo por cada equipe, iniciando pelo Cosmos e seu uniforme com camisas de mangas longas e meiões verdes e calções brancos, enquanto o Santos com seu tradicional padrão inteiramente branco. Aos 14 minutos, o gol do Santos anotado pelo potiguar Reinaldo Francisco. Aos 39 minutos, a chuva caiu com maior intensidade como a advinhar o que viris logo após. Aos 42 minutos, Pelé cobrou falta com violência e marcou o último gol de sua vida.

Uma curiosidade do destino: Se Pelé não marcou gols em suas despedidas pelo Santos em 02.10.1974, contra a Ponte Preta, nem pela Seleção Brasileira em 18.07.1971 contra a Seleção da Iugoslávia, fez seu último gol contra o time de sua vida e onde construiu a incrível história.

Na volta para o segundo tempo, Pelé usou a lendária camisa 10 do Santos. Mifflin, que havia entrado exatamente no lugar do “Rei”, decretou a vitória do Cosmos aos 2 minutos, num jogo onde não se pode dizer se houve vitoriosos e derrotados.

Ao fim da partida, a bola foi entregue ao boxeador e campeão mundial Muhammad Ali, enquanto que as camisas utilizadas por Pelé no jogo couberam ao seu pai, Dondinho, a do Cosmos, e a Waldemar de Brito, seu descobridor, a do Santos.

As equipes jogaram assim: Cosmos: Yasin; Nelsi, Roth, Carlos Alberto (Bob Smith) e Rildo (Formoso); Garbeth (Vítor) e Beckenbauer; Field (Topic), Chinaglia, Pelé (Mifflin) e Hunt (Oliveira). Santos: Ernani; Fernando, Joãozinho, Alfredo e Neto; Zé Mário e Carlos Roberto; Nilton Batata, Ruben (Bianchi), Ailton Lira (Pelé) e Reinaldo Francisco (Juari).

Pelé ainda participou, após essa data, de jogos beneficentes pelo Flamengo contra o Atlético Mineiro/MG, em 1979; pela Seleção Brasileira no aniversário dos seus 50 anos, em 1990; ou ainda pela Copa Pelé, em 1987, com a seleção de masters criada pelo jornalista Luciano do Valle. Em cada um desses jogos, a mesma alegria de sempre, mas jamais com a mesma emoção

(*) Foi demolido em 2010, hoje é o estacionamento do MetLife Stadium, atual casa dos New York Giants e dos New York Jets.

Crédito de imagens e informações para a criação do texto: Jornal do Brasil; Jornal dos Sports; Revista El Gráfico.