A “Cidade Verde” do Nordeste foi primeira capital planejada do Brasil e foi inspirada em um tabuleiro de xadrez em 1852

15 de Junho 2026 - 08h34
Créditos: wikipedia

Fundada em 16 de agosto de 1852 por ordem de Dom Pedro II, Teresina foi apelidada de “Cidade Verde” e a primeira capital brasileira desenhada antes de existir. Ruas em quadrícula e distância do litoral fazem dela a capital nordestina mais incomum do mapa.

Uma capital que nasceu pronta no meio do Piauí
A mudança foi estratégica. Segundo a Prefeitura de Teresina, a cidade foi planejada no modelo colonial em forma de tabuleiro de xadrez, o que facilita a locomoção até hoje. O nome é uma homenagem à imperatriz Teresa Cristina, esposa do imperador.

Localizada a 366 km do litoral, Teresina é a única capital do Nordeste que não tem praia. O apelido de Cidade Verde veio do escritor maranhense Coelho Neto, impressionado com as avenidas sombreadas por árvores centenárias.

O encontro das águas no coração da cidade
O Parque Ambiental Encontro dos Rios, no bairro Poti Velho, é o ponto onde os rios Parnaíba e Poti se unem antes de seguirem rumo ao Atlântico. O fenômeno visual impressiona pelas águas de cores diferentes que correm lado a lado por metros antes de se misturarem.

O parque tem dois mirantes, trilhas, barracas de artesanato em argila e um monumento ao Cabeça de Cuia, lenda teresinense. É o lugar onde moradores e visitantes vão assistir ao pôr do sol sobre o rio.

Teresina se destaca como a única capital nordestina fora do litoral, sendo um Polo de saúde e serviços.

Quais pontos turísticos merecem tempo no roteiro?
O centro histórico concentra prédios imperiais, igrejas do século XIX e museus em casarões preservados. Quase tudo fica a poucas quadras de caminhada.

- Palácio Karnak: sede do Governo do Piauí em estilo neoclássico, com jardins assinados por Roberto Burle Marx e visitação guiada mediante agendamento.
- Ponte Estaiada João Isidoro França: inaugurada em 2010 para marcar os 158 anos da capital, tem mirante com vista 360° sobre o rio Poti.
- Museu do Piauí: instalado em casarão do centro, reúne 16 salas com fósseis, artefatos indígenas e acervo imperial.
- Theatro 4 de Setembro: inaugurado em 1894, é um dos teatros mais antigos do Nordeste em funcionamento.
- Igreja de São Benedito: erguida em 1917 por iniciativa da comunidade negra, fica ao lado de um antigo cemitério de escravizados.
- Mercado Central Mestre Dezinho: ponto de artesanato em cerâmica, madeira e couro feito por mestres do Piauí.

Cajuína gelada e capote na mesa teresinense
A cozinha local mistura raízes indígenas, portuguesas e africanas em pratos de sabor marcante. A estrela absoluta é a cajuína, bebida registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural do Brasil em 2014.

Cajuína: bebida clarificada do suco de caju, doce e sem álcool, servida gelada em quase todas as refeições.
Arroz com capote: prato típico feito com galinha-d’angola, tempero regional e óleo de coco babaçu.
Maria Isabel: mistura de arroz com carne de sol que dá nome ao festival gastronômico anual da cidade.
Paçoca de carne de sol: carne seca socada no pilão com farinha e manteiga de garrafa.
Baião de dois piauiense: versão local com feijão-verde, queijo coalho e nata, mais cremoso que o cearense.

Como chegar à capital do Piauí?
Teresina tem aeroporto internacional com voos diretos de São Paulo, Brasília, Fortaleza e Recife. A cidade fica a 366 km da costa, acessível pela BR-343 para quem chega de carro a partir do litoral piauiense.

A capital onde o Nordeste começa longe do mar
Poucas cidades do país oferecem a soma de arquitetura planejada, rios que se encontram em plena zona urbana e uma bebida tombada como patrimônio cultural. Teresina guarda um Nordeste diferente do cartão-postal da praia.

Com informações de Correio Braziliense

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