Após polêmica do cão Orelha, delegado se afasta para fazer campanha

19 de Fevereiro 2026 - 16h34
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Após ganhar projeção nacional com a repercussão do caso do cão Orelha, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, deixará o cargo para se dedicar às campanhas eleitorais. Ele é pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL) e deve sair da função após pouco mais de três anos, iniciada em 10 de janeiro de 2023.

Natural de Turvo, Ulisses ingressou na Polícia Civil em 2007 e atuou em diversas unidades ao longo da carreira.

Polêmicas no caso Orelha

No início do mês, o delegado passou a ser alvo de procedimento preparatório instaurado pelo Ministério Público de Santa Catarina. A apuração, conduzida pela 40ª Promotoria de Justiça, avalia se há elementos para abertura de inquérito civil que pode resultar em medidas judiciais.

Segundo o MP, foram recebidas representações questionando a conduta do chefe da Polícia Civil durante as investigações. O órgão apura possível abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual improbidade administrativa, incluindo suspeita de divulgação de informações sigilosas que poderiam gerar beneficiamento indevido ou risco à segurança.

O caso Orelha

O caso ganhou repercussão após um cão comunitário ser agredido por adolescentes em janeiro. O animal foi resgatado por moradores, mas morreu em uma clínica veterinária no dia seguinte.

A Polícia Civil concluiu o inquérito em 3 de fevereiro, solicitando a internação de um adolescente e indiciando três adultos por coação no curso do processo, suspeitos de tentar interferir em depoimentos. Ao todo, quatro adolescentes foram representados.

Durante a investigação, foram ouvidas 24 testemunhas e analisada a conduta de oito adolescentes. Mais de mil horas de imagens de 14 câmeras de segurança foram examinadas para esclarecer a dinâmica do crime. Por envolver menores, o procedimento tramita em segredo de Justiça, conforme o Tribunal de Justiça de Santa Catarina.