Bebê prematuro nasce com 31 semanas, fica 62 dias na UTI e se recupera

30 de Novembro 2025 - 07h46
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Quando Gizele Barbosa relembra o nascimento do filho Vinícius, há oito anos, ainda sente o impacto dos primeiros dias de incerteza. O bebê nasceu com 31 semanas, pequeno e com dificuldade para respirar. Logo após o parto, foi levado à UTI Neonatal do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, onde ficou internado por 62 dias — pelo menos 50 deles em estado grave, com sangramentos e incapacidade de respirar sozinho.

Gizele conta que viveu o momento mais difícil quando, diante do sofrimento do filho, fez uma oração de entrega. A partir daí, Vinícius começou a apresentar pequenas melhoras. Alguns dias eram tão críticos que ela não podia sequer abrir a portinhola da incubadora; em outros, recebia permissão para tocá-lo — cada gesto era uma vitória.

A mãe destaca o papel da equipe da UTIN, especialmente da neonatologista Sandra Lins, que coordenou o cuidado. Hoje, Vinícius é uma criança saudável e ativa, simbolizando como o atendimento especializado pode transformar o desfecho da prematuridade.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra entre 300 mil e 340 mil nascimentos prematuros por ano, cerca de 11% a 12% dos nascidos vivos. Para a neonatologista Gislayne Souza de Nieto, da Sociedade Brasileira de Pediatria, tudo começa com um pré-natal adequado e com a realização do parto em hospitais com UTI neonatal e equipes capacitadas.

Dentro da UTI, intervenções como reanimação adequada, oferta precoce de colostro e leite materno, uso de CPAP neonatal e a aplicação do Método Canguru aumentam significativamente as chances de recuperação. Após a alta, o acompanhamento multiprofissional — com vacinação, avaliações nutricionais, neurológicas, oftalmológicas e audiológicas, além de fisioterapia ou fonoaudiologia quando necessário — é decisivo.

A OMS aponta que bebês prematuros têm até sete vezes mais risco de internação no primeiro ano e maior probabilidade de complicações respiratórias e neurológicas sem acompanhamento adequado. Por outro lado, com cuidado especializado e apoio às famílias, é possível garantir desenvolvimento saudável.

Para Gizele, a trajetória difícil se transformou em celebração. “A equipe foi fundamental para transformar nossa angústia em esperança”, diz ela. Hoje, ao ver o filho correr e brincar, sente que a prematuridade não definiu o futuro — apenas reforçou a força da recuperação.