Créditos: Divulgação Seap RN
Uma câmera de monitoramento da Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, registrou uma movimentação “incomum e não permitida” envolvendo a cela de onde 11 presos escaparam nesta sexta-feira (31). O alerta foi formalizado em prontuário interno no dia 28 de julho, três dias antes da fuga, e encaminhado ao setor de disciplina da unidade.
O registro mostra que o comportamento suspeito foi identificado por volta das 8h21 do dia 28. A ocorrência foi lançada no sistema às 11h07 e classificada como “falta disciplinar”. As informações são do Agora RN.
Segundo o relato, as “boquetas” das celas D8 e D9 estavam abertas, apesar de a comunicação entre os espaços não ser permitida. As imagens mostraram as mãos de um interno para fora e a transferência de um material de uma cela para a outra. O servidor responsável pelo registro ressaltou que a D8 era destinada à triagem, enquanto a D9 abrigava lideranças do crime organizado — justamente os que fugiram.
“Pelo vídeo acostado à ocorrência, é possível perceber que as ‘boquetas’ das celas D8 e D9 (celas no final da ala Delta) estão abertas, possível ver as mãos de um interno para fora da cela e ainda que um material foi passado de uma cela para outra”, descreve o documento.
O registro relacionou 14 detentos à movimentação. Entre os nomes citados estão internos que participaram da fuga ocorrida três dias depois.
O documento, isoladamente, não comprova que a transferência do objeto estava relacionada à preparação da passagem usada na fuga. Também não permite determinar qual material circulou entre as celas. O registro demonstra, porém, que havia um alerta formal sobre uma movimentação irregular no mesmo setor e envolvendo presos que deixariam a unidade dias depois.
O servidor classificou a conduta como uma afronta à segurança e ao regimento prisional. No relato, citou a Portaria nº 072/2011 da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), que prevê sanções como suspensão ou restrição de direitos e isolamento em local adequado. O regulamento também permite o isolamento preventivo por até dez dias para garantir a disciplina e viabilizar a apuração.
O prontuário não informa se houve vistoria nas celas depois do alerta, se os internos foram separados ou se alguma medida disciplinar foi efetivamente aplicada. Uma inspeção física rigorosa poderia ter identificado sinais da escavação descrita posteriormente pela própria Secretaria, como a retirada do vaso sanitário e a grande quantidade de areia acumulada no interior da cela.
Escavação há uma semana
Os presos escaparam após arrancarem um vaso sanitário de concreto e alumínio e abrirem uma passagem pela tubulação da cela. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária, 13 internos usaram o buraco para alcançar a área externa da penitenciária. Parte do grupo foi vista pelas câmeras quando pulava a muralha.
Dois detentos foram interceptados por policiais penais ainda dentro da área da unidade. Os outros 11 conseguiram fugir antes que as equipes chegassem aos pontos de saída. Forças de segurança iniciaram buscas na região, com a participação dos helicópteros Potiguar 1 e Potiguar 2.
O secretário estadual de Administração Penitenciária, Helton Edi Xavier, afirmou que a escavação provavelmente vinha sendo realizada havia pelo menos uma semana. Uma grande quantidade de areia foi localizada dentro da cela, inclusive escondida embaixo dos colchões.
“Aparentemente, era um serviço que vinha sendo feito há alguns dias. É muita areia. Eu fiquei impressionado com a quantidade de areia que tinha dentro da cela, o que denota que eles já faziam esse trabalho, imagino eu, há pelo menos uma semana”, declarou Helton Edi, em entrevista à Inter TV Cabugi.
Possível negligência
A estimativa apresentada pelo titular da Seap indica que o plano já estava em andamento quando a câmera registrou a comunicação irregular entre as celas D8 e D9. O alerta do dia 28 ocorreu durante o período em que, segundo o próprio secretário, os presos provavelmente escavavam a passagem.
Helton Edi Xavier reconheceu que aparentemente a cela não era vistoriada havia algum tempo. Segundo ele, a Secretaria abrirá investigação para verificar se houve negligência ou facilitação e se os protocolos de inspeção estavam sendo cumpridos.
“A gente tem um protocolo de revista. Não sei se se faz vistorias todos os dias em todas as celas, mas existe um protocolo na unidade. E justamente uma das linhas de investigações vai apurar se isso vinha sendo feito e, se não vinha, o porquê que não vinha sendo feito, mas aparentemente fazia algum tempo que ninguém olhava para a cela”, afirmou.
Com informações de Agora RN


