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O ganho real da renda do brasileiro cresceu pouco desde 2003 — média de 1,7% ao ano até 2025. No mesmo período, surgiram novas despesas que passaram a disputar o orçamento familiar, como celular (presente em 97% dos lares), internet (85%), streaming (43%), ensino superior (20,5% da população) e aluguel (23%). As informações são da Folha de S.Paulo.
Com isso, a fatia destinada a alimentos, bebidas e itens de higiene caiu de 23,5% do orçamento doméstico em 2023 para 21,9%, segundo a NielsenIQ Brasil. A tendência é de queda maior com a popularização das apostas online, presentes em 26% dos lares, principalmente nas classes D e E, e das chamadas canetas emagrecedoras (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro), que já estão entre 25% e 30% das casas.
Segundo a pesquisa, muitos consumidores deixam de comprar alimentos para manter apostas, vistas como chance de renda extra. Ao mesmo tempo, tratamentos para emagrecimento podem custar de R$ 300 a R$ 1.400 por mês, mas devem se popularizar com a chegada de versões nacionais mais baratas.
Nos últimos anos, inflação, crises e novas opções de consumo tornaram o comportamento do brasileiro mais complexo: famílias alternam marcas baratas e itens premium, compram embalagens menores e diversificam locais de compra. Em 2024, alimentos subiram 12%, enquanto o consumo caiu 0,6% — ou seja, o brasileiro está pagando mais para levar menos produtos.

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