Carla Perez pede desculpas após críticas por cena envolvendo segurança negro no carnaval

17 de Fevereiro 2026 - 16h29
Créditos: Reprodução

A dançarina Carla Perez se pronunciou nas redes sociais na segunda-feira (16), após ser acusada de racismo por subir nos ombros de um segurança negro durante o carnaval de Salvador. A cena, registrada no domingo (15), repercutiu nas redes e gerou críticas.

O momento aconteceu quando a artista puxou pela última vez o trio do projeto Pipoca Doce, gratuito, no circuito Osmar (Campo Grande).

A apresentação marcou o encerramento da iniciativa, que começou como o bloco Algodão Doce, voltado para foliões pagantes, e ganhou espaço como uma das propostas pioneiras no carnaval ao pensar a folia especialmente para crianças.

No X, um usuário comentou: “Brasil, século XXI? 2026, Sinhá (Carla Perez) e seu serviçal em pleno carnaval de Salvador.”

No pronunciamento, Carla afirmou que a intenção era realizar uma despedida à altura da trajetória do projeto e explicou por que subiu nos ombros do profissional de segurança.

“Eu subi nos ombros do segurança para conseguir ter o contato físico e, portanto, estar mais próxima das minhas crianças, em momentos pontuais do percurso, devido a minha estatura”, escreveu ela.

A dançarina também reconheceu o impacto do registro e disse que a cena pode reforçar leituras simbólicas relacionadas ao racismo estrutural. “A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade”, afirmou.

Carla acrescentou ainda que o episódio remete a desigualdades históricas do Brasil. “Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso País e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica. Absolutamente nada”, declarou.

Ainda no texto, Carla pediu desculpas de forma direta e afirmou reconhecer o erro. “Peço desculpas, de forma direta e sincera. Reconhecer o erro é o meu primeiro passo. O segundo é agir”, disse.

A artista também destacou o papel do Carnaval de Salvador como expressão cultural ligada à população negra. “O Carnaval de Salvador, a maior festa de rua do planeta, é feito majoritariamente por pessoas negras e para pessoas negras. Ele é expressão de resistência, cultura e potência”, escreveu.

Em seguida, reforçou: “Tenho consciência da responsabilidade histórica que isso carrega. Errei. Reconheço. E, mais uma vez, peço desculpas.”

Com informações de Tribuna do Norte