“Casos de HIV cairão em 2025”, avalia diretor do Ministério da Saúde

27 de julho 2025 - 10h41
Créditos: Jéssica Marschner/Metrópoles/@jmarschnerfotografia

O Brasil deve iniciar, a partir de 2025, uma queda prolongada na incidência de novos casos de HIV. A avaliação é do sanitarista Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde. Ele atribui essa redução à ampliação da PrEP (profilaxia pré-exposição), que já é usada por mais de 185 mil pessoas no país.

Em janeiro, o país atingiu uma média de 3,1 pessoas em PrEP para cada novo diagnóstico de HIV — proporção considerada ideal para impactar a curva de transmissão. A expectativa é de uma queda duradoura nos números, segundo Barreira.

O HIV ataca o sistema imunológico e pode evoluir para aids, se não tratado. O SUS oferece tratamento gratuito, que torna o vírus indetectável e intransmissível. A transmissão ocorre por fluidos corporais durante sexo sem proteção, uso compartilhado de seringas ou da mãe para o bebê, se não houver cuidados médicos.

A PrEP disponível hoje no Brasil é oral, mas o governo estuda incluir versões injetáveis, como o lenacapavir, que tem ação semestral. A droga ainda precisa da aprovação da Anvisa e da Conitec antes de ser incorporada ao SUS.

Além do HIV, o Ministério da Saúde também intensificou ações contra a sífilis, que teve aumento de 30% nos diagnósticos. Parte do crescimento é atribuída à ampliação dos testes rápidos “dois em um”, que detectam HIV e sífilis simultaneamente, especialmente entre gestantes.

Outra estratégia avaliada é a doxiPEP — antibiótico pós-exposição usado para prevenir ISTs como sífilis, gonorreia e clamídia. A medida pode ser incorporada futuramente, mas depende de parecer técnico e análise de viabilidade financeira.

Para alcançar populações vulneráveis, o governo aposta em unidades móveis, autotestes via Correios e máquinas de distribuição automática de preservativos e PrEP. O foco é facilitar o acesso, principalmente para pessoas trans, em situação de rua, profissionais do sexo e população carcerária.

Segundo Barreira, o foco da atual gestão está em prevenção e diagnóstico precoce: “É muito melhor fechar a torneira do que lidar com os efeitos da epidemia”.