O chefe do Gabinete Civil do governo do Estado, Raimundo Alves, desautoriza a deputada estadual Isolda Dantas e afirma: “A governadora não faz coligação chiclete, que mastiga e joga fora. Não é essa a intenção. As conversas com o MDB são bastante produtivas.”  A afirmação do chefe do Gabinete Civil, que tem sido o interlocutor do PT nas conversas com possíveis aliados da governadora para as eleições deste ano foi uma reação às declarações de Isolda que disse que iria engolir uma coligação com o MDB para depois cuspir. 

Confira trechos da entrevista concedida pelo secretário a Tribuna do Norte neste sábado (15). 

Qual a sua opinião sobre as declarações da deputada Isolda Dantas (PT) na qual ela criticou uma possível aliança entre PT e MDB, dizendo que podia até “engolir para “cuspir amanhã”?

Primeiro, vejo com muita preocupação esse tipo de declaração. Foi uma declaração infeliz. Politicamente, as pessoas têm o direito de se posicionarem contrário a essa ou aquela aliança dentro do partido. Agora, a declaração foi extremamente infeliz. Quem conhece a governadora Fátima Bezerra (PT) sabe que ela não faz aquela coligação chiclete, que mastiga, mastiga e joga fora, não. Não é essa a intenção. As conversas com o MDB são bastante produtivas. Eu mesmo tenho me reunido com o presidente estadual do MDB, deputado federal Walter Alves. E a nossa intenção é colocar essa roda para girar agora neste início de ano. Na verdade, isso começou com a vinda do presidente Lula no início de setembro de 2022 e vamos dar continuidade.

Essa não foi a primeira declaração enfática de alguns membros, dirigentes e parlamentares do PT contra essa possibilidade de aliança. Isso não cria um ambiente que dificulta o diálogo que a própria governadora admite ter no Rio Grande do Norte?

Evidentemente que dificulta. Não é nada salutar discutir com aliados e integrantes do próprio partido dar esse tipo de declaração. Agora, a liderança desse processo é da principal candidata [a governadora Fátima Bezerra]. E a posição dela é totalmente contrária a esse tipo de declaração. As orientações dadas pelo ex-presidente Lula e pela presidente nacional do partido, Gleise Hoffmann, são que a prioridade no Estado é a reeleição de Fátima. Isso significa não só a reeleição de Fátima, significa a continuidade de um projeto que tem sido colocado em funcionamento nos últimos três anos. Então, esse é o projeto, dar continuidade a isso e esse tipo de declaração, evidentemente, dificulta. Gostaríamos muito que não tivesse acontecido isso. Mas quem acompanha sempre a construção dentro do PT sabe que tem uma tradição de bastante discussão interna nas posições políticas. Fazemos a discussão interna até a exaustão e quando toma-se uma decisão, o PT tem unidade. É com isso que a gente conta, embora, nos próximos dias, a gente vai tentar conversar com as demais forças para que esse tipo de declaração, pelo menos ostensiva, dessa forma, não aconteça. É preciso ter um pouco mais de cuidado com as palavras.

Fonte: Tribuna do Norte