Conexões de ministros com caso do Banco Master desgastam STF e colocam Corte no centro de crise

12 de Dezembro 2025 - 13h58
Créditos: Divulgação TSE

Revelações envolvendo ministros do STF e o Banco Master, investigado por fraude bilionária, colocaram a Corte sob pressão. Documentos obtidos na Operação Compliance Zero, da PF e do Banco Central, e reportagens de Lauro Jardim detalham relações de integrantes do tribunal com a instituição comandada por Daniel Vorcaro.

O caso ganhou destaque após o ministro Dias Toffoli assumir o processo que apura fraude de R$ 12,2 bilhões na venda de créditos inexistentes ao BRB e impor sigilo total aos autos. Reportagem mostrou que Toffoli viajou a Lima no jato de um empresário, ao lado do advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de um dos investigados. Horas após voltar, assumiu o caso, decretou sigilo integral e atendeu pedido do advogado para liberar acesso às provas ao cliente, enquanto o processo segue sem acesso público.

Documentos do celular de Vorcaro revelaram que o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, firmou contrato com o Master em janeiro de 2024, prevendo pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais por três anos, totalizando R$ 129,6 milhões. Estima-se que cerca de R$ 79 milhões tenham sido pagos antes da liquidação do banco. O contrato previa atuação em órgãos como Judiciário, MP, BC, Receita, PGFN, Cade e Congresso, mas nenhum deles confirmou trabalho prestado. Apenas uma queixa-crime ligada à Gafisa foi identificada como pública.

O Master já enfrentava crise de liquidez desde 2023 e, ao auditar uma operação de compra pelo BRB, o Banco Central descobriu que o banco havia vendido R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes. A fraude motivou a Operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro e executivos, e levou o BC a decretar a liquidação da instituição.

O processo foi enviado ao STF por decisão de Toffoli, e há expectativa de que o procurador-geral Paulo Gonet mantenha o caso sob sigilo. Nos bastidores, ministros reconhecem que as revelações afetam a imagem da Corte, e o presidente Edson Fachin discute um novo código de ética. A postura de Toffoli e Moraes mantém o tribunal sob forte pressão pública.