Consórcio do crime: PCC e CV operam juntos e movimentam R$ 250 milhões

13 de julho 2025 - 11h03
Créditos: Reprodução Metrópoles

Apesar da rivalidade histórica, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) têm articulado parcerias nos bastidores para fortalecer a economia do crime no Brasil. Segundo especialistas e investigações recentes, mesmo após comunicados formais declarando o fim de uma tentativa de trégua, as duas maiores facções do país continuam atuando em conjunto em operações milionárias.

União pela vantagem econômica

De acordo com o especialista em segurança pública Leonardo Sant’Anna, a união entre CV e PCC é pragmática e focada em ganhos financeiros. “Ou eles dividem territórios ou atuam sob consenso, inclusive em mercados paralelos como internet, gás e distribuição de cargas”, disse.

Essas articulações têm sido observadas não só no Rio de Janeiro, onde o CV tem maior presença, mas também em São Paulo e, com mais frequência, na Bahia. A aliança, mesmo instável, é útil para lavar dinheiro, adquirir armamentos e organizar a logística do tráfico de drogas entre estados.

Operação Bella Ciao

A Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou parte dessa engrenagem criminosa na Operação Bella Ciao, deflagrada no dia 3 de julho. A ação mirou um consórcio formado por membros do CV e do PCC, responsável por movimentar mais de R$ 250 milhões em atividades ilegais.

Dois alvos foram presos: um em Taubaté (SP), identificado como elo entre traficantes e fornecedores de armas no Mato Grosso do Sul, e outro no Rio. A operação desarticulou uma rede que abastecia o Complexo do Alemão com drogas e armamento.

Trégua rompida — mas na teoria

Em fevereiro, CV e PCC chegaram a costurar um acordo de trégua com objetivo de pressionar o governo a flexibilizar as rígidas regras do Sistema Penitenciário Federal, onde estão seus principais líderes. No entanto, a trégua foi oficialmente rompida em abril, com circulares divulgadas por ambas as facções reforçando a ruptura.

Apesar disso, a morte recente de um dos líderes do CV, conhecido como "Professor", não impediu a continuidade das ações conjuntas, mostrando que as alianças seguem operando nos bastidores, com substituições automáticas nas cadeias de comando.

Estado perde fôlego

Para o especialista Sant’Anna, a principal ameaça é a velocidade com que essas facções operam. “O crime não tem burocracia. O Estado precisa de licitação, autorização, trâmites legais. As facções agem com rapidez e sem freios legais, o que cria uma desvantagem operacional grave”, alertou.

A continuidade das articulações entre CV e PCC revela a dificuldade do Estado em conter a profissionalização e expansão das facções, que, mesmo rompidas publicamente, continuam a encontrar pontos de convergência quando se trata de lucrar com o crime.