Crise fiscal será um ‘desafio inevitável para o próximo governador’, diz Cadu Xavier

11 de Dezembro 2025 - 09h22
Créditos: ALRN

Pré-candidato do PT ao Governo do Rio Grande do Norte em 2026, o secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, afirmou que a situação fiscal do Estado será um desafio inevitável para o próximo governador, independentemente de quem vença a eleição. “A pauta fiscal vai estar na agenda do próximo governo, não tem como”, disse.

Cadu analisou o cenário durante entrevista à Jovem Pan News Natal, na quarta-feira (10), mesmo dia em que a Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa aprovou a proposta orçamentária para 2026, que prevê déficit de R$ 1,54 bilhão. Segundo ele, parte das interpretações sobre os números foi equivocada.

“O orçamento volta a registrar déficit por causa da Previdência. O déficit está lá, em torno de R$ 1,1 bilhão. Além disso, devemos fechar 2025 com cerca de R$ 1,5 bilhão em restos a pagar”, explicou. Ele afirmou ainda que outro montante semelhante está relacionado ao déficit previdenciário.

O secretário também negou que a folha de pagamento do Estado vá crescer 40% no próximo ano. “Isso não faz sentido. A projeção é de aumento entre 7% e 8%”, disse. Segundo ele, esse crescimento decorre da política salarial anual dos servidores, baseada no IPCA (cerca de 4%), além de negociações com categorias específicas e reajustes na segurança e na saúde. O piso do magistério, a ser definido em janeiro, pode acrescentar de 3% a 4,5%.

Cadu apontou os reajustes do piso nacional dos professores como um dos principais fatores de pressão sobre as contas estaduais. “Em 2022 foi 33% e, em 2023, 15%. Esses percentuais saíram da curva. É a maior categoria do Estado, com cerca de 40 mil profissionais entre ativos e aposentados, e isso teve impacto direto na folha”, afirmou.

Ele lembrou que os reajustes incidiram sobre uma categoria com cerca de 40 mil profissionais entre ativos e aposentados. “Passou naquele momento ali de 50% de incremento na folha, isso gerou um grande impacto na situação fiscal do Estado”, afirmou.

Ele também destacou a evolução do comprometimento da receita corrente líquida com pessoal. Para o secretário, essa “não é uma pauta simples, mas o Estado precisa se comprometer com essa pauta. Eu não estou falando de arrocho, nada. É só o Estado conceder para o servidor aquilo que ele pode pagar. Isso traz, sim, desconforto”.

Com informações de Tribuna do Norte