De olho na eleição de 2026, Lula endurece defesa do fim da escala 6×1

07 de Dezembro 2025 - 07h07
Créditos: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

O governo Lula voltou a impulsionar a discussão sobre o fim da escala 6×1, tema que avança lentamente no Congresso. Nas últimas semanas, o Planalto reforçou publicamente sua posição, com declarações do presidente e coletivas dos ministros Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos, além de retomada da pauta nas redes sociais para mobilizar apoio popular.

A proposta é capitaneada pela deputada Érika Hilton (PSol-SP) e tramita na Comissão de Trabalho da Câmara por meio da PEC 8/25, que prevê jornada máxima de 36 horas semanais com quatro dias de trabalho e três de descanso. O relator, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), apresentou um parecer que reduz a jornada para 40 horas semanais, mas mantém apenas um dia de folga. O texto não avançou por falta de consenso.

Gleisi e Boulos criticaram o relatório e defenderam o fim do regime 6×1. Segundo Boulos, é essencial estabelecer o máximo de 5×2 e reduzir a jornada. Gastão afirma que seu texto, na prática, já extingue o 6×1 e inclui medidas como limite de 6 horas de trabalho aos fins de semana, adicional de 100% para horas extras e proibição de escala repetida em domingos consecutivos.

Lula também voltou a tratar do assunto em reuniões recentes, alegando que a automação aumentou a produtividade sem melhorar as condições de trabalho. Ele pediu que o Conselhão estude alternativas para viabilizar o fim do 6×1 e reforçou que a medida busca justiça social e equilíbrio entre vida e trabalho.

A retomada do debate gerou reação do setor produtivo. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) alertou que a redução da jornada sem aumento de produtividade pode elevar custos, comprometer a competitividade e afetar empregos. A entidade defende avanços em inovação e qualificação para evitar impactos econômicos negativos.

O Planalto aposta no apoio popular: pesquisa Nexus mostrou que 65% dos brasileiros apoiam a redução da jornada e o fim da escala 6×1. Nas redes sociais, o governo intensificou publicações que relacionam a pauta à qualidade de vida e à recente ampliação da faixa de isenção do IR.

Apesar da mobilização, a votação deve ficar para 2026, já que o ano legislativo se encerra em 23 de dezembro e o Congresso está focado em outras pautas prioritárias.