Créditos: Montagem Internet
Por Sérgio Trindade
Ontem, em novo debate entre os prefeitáveis de São Paulo (acho que o vigésimo alguma coisa), Pablo Marçal e sua equipe aprontaram de novo.
Agora, pelo caminho da violência física.
Marçal é a expressão maior, quando maior é menor, da campanha paulistana e síntese do que se tornou a política brasileira, com cada vez menos conteúdo.
O candidato do PRTB chegou provocando e apelidando todo mundo, no estilo besteirol, como já escrevi em outro texto, cresceu vertiginosamente nas pesquisas, fez a imprensa praticamente toda unir-se contra ele, açulou o eleitor que correu para assistir e rir dos debates-picadeiro, foi agredido fisicamente pelo atucanado Datena e, ontem, foi expulso do debate do Flow News pelo mediador Carlos Tramontina.
Quem defende Marçal reclama da agressão que ele sofreu de Datena, esquecendo-se que Marçal agride e troça dos adversários o tempo todo; quem é contra Marçal vibrou ou atenuou nas críticas com o ataque desfechado por Datena ao candidato do PRTB. Ou seja, a violência, qualquer violência é permitida, desde que o agredido seja o candidato por mim abominado.
Em uníssono, os defensores da democracia (seja lá o que isso signifique) acentuam o risco que ela corre com o comportamento infantil, segundo uns, moleque, dizem outros, violento, afirma outro tanto, de Marçal.
Esse pessoal esquece que a política brasileira sempre foi cheia de gente como Marçal, e até pior.
Esquecimento conveniente.
Esquecem de Tenório Cavalcanti e sua Lurdinha, como era carinhosamente apelidada a metralhadora que o deputado fluminense carregava por baixo de uma enorme capa (assistam ao filme O homem da capa preta, com José Wilker no papel de Tenório). Ou de Gregório Fortunato, chefe da guarda presidente de Getúlio Vargas e um dos artífices do atentado a Carlos Lacerda. Ou do próprio Lacerda, metralhadora verbal precisa falando e escrevendo, destruidor de presidentes e de qualquer um que se pusesse no seu caminho. Ou do senador Arnon de Mello (PDC), pai de Fernando Collor de Mello, que ao atirar, no Congresso Nacional, no adversário/inimigo Silvestre Péricles (PTB) atingiu o colega acreano José Kairala (PSD), matando-o. Ou de José Sarney, que nas arengas que resultaram na escolha de Paulo Maluf como candidato à Presidência da República foi ao Senado com um revólver 38 no colete para alguma eventualidade. Ou do soco desferido por Leonel Brizola no jornalista David Nasser, porque se sentiu injuriado (Nasser escreveu outro artigo e mencionou o ocorrido, dando-lhe título jocoso).
Não aprendemos com nosso passado e ficamos a repetir a nossa alma cordata, não dada à violência, mansa, quando bastaria uma passada d’olhos em qualquer bom compêndio de história para verificarmos que confrontos violentos são parte de nosso passado, que a política feita país afora sempre foi contaminada pelas manifestações de violência verbal e física.
Ou todos esquecemos que o então candidato a Presidente da República, em 2018, Jair Bolsonaro foi esfaqueado em praça pública? Ou todos esquecemos que segue uma patota negando o fato, sobejamente comprovado?
Pablo Marçal não traz nada de muito novo, espicaçou todos os candidatos, do esquerdista Boulos ao centro-direitista Nunes, passando pela centro esquerdista Tábata, e transformou a campanha numa comédia.
A nossa política é um circo, o picadeiro está montado e o cidadão é parte plateia e parte figurante.


