Créditos: G1 divulgação
“Foi um dia desesperador”, lembra a empresária Daniele Alkmin sobre 9 de julho, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. O tarifaço completa um mês neste sábado (6).
Daniele, que tem 30% do faturamento anual com clientes nos EUA, viu contratos de exportação de 34,8 toneladas de café serem cancelados. Navios programados para julho e setembro foram suspensos após renegociações. “Não é justo. O imposto é do importador, não do exportador”, lamenta. Ela ainda descobriu tarde que poderia ter evitado a taxa se tivesse embarcado até 6 de agosto.
Em Cipó (BA), o apicultor Joaquim Rodrigues diz que passou a receber 18% a menos pelo mel. Antes, vendia o quilo a R$ 17; agora, a R$ 14. Ele produz 20 mil kg por ano, sendo 90% destinado à exportação via cooperativas. Segundo ele, 80% do mel brasileiro vai para os EUA, principal destino devido ao baixo consumo interno.
Já o produtor de uva Jailson Lira, do Vale do São Francisco (PE), teme pelo futuro do negócio. Os EUA representam 40% de seu faturamento, mas o preço só será definido quando a fruta chegar ao país, no fim de setembro. Ele vende em sistema consignado, com comissão de 6% a 8% para a distribuidora americana. “O negócio é feito sempre no escuro. E agora fica mais ainda”, diz. Jailson busca novos mercados, mas ressalta a dificuldade de absorção quando todos os produtores recorrem ao mesmo destino.


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