Enfraquecida, esquerda tem chances de eleger prefeito em só quatro capitais

15 de Setembro 2024 - 10h30
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Nas eleições deste ano para prefeito, a esquerda disputa a liderança em apenas quatro capitais, segundo pesquisas de intenção de voto. É franca favorita em apenas uma delas: Recife. Na capital pernambucana, o atual prefeito João Campos (PSB) pode se reeleger no primeiro turno.

O único candidato da esquerda favorito a vencer já no primeiro turno é João Campos. Pesquisa Datafolha mostra o candidato com 74% das intenções de voto, o que lhe daria vitória no primeiro turno. Outros três candidatos aparecem empatados no segundo lugar: Gilson Machado (PL), com 9%; Daniel Coelho (PSD), 5%; e Dani Portela (PSOL), 4%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou menos.

Em São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) aparece tecnicamente empatado no primeiro lugar em algumas das pesquisas. Junto dele estão o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e Pablo Marçal (PRTB).

Em Goiânia, a candidata do PT aparece empatada na liderança com um candidato do PSD. A delegada Adriana Accorsi tem 22,8% e Vanderlan Cardoso (PSD) 21,1%, segundo o Instituto Serpes.

O PT também divide a liderança das pesquisas em Porto Alegre. Maria do Rosário tem 31%, empatada no limite da margem de erro com Sebastião Melo (MDB), com 36%, diz a Quaest.

Já o centrão e PL lideram as pesquisas em 21 das 26 capitais. Somados, os candidatos do centrão — MDB, PSD, União Brasil, Republicanos e Progressistas — são líderes em 16 capitais, enquanto o PL está na frente em cinco. O Avante — que não faz parte do centrão, da direita e da esquerda, mas se apresenta como centro clássico — lidera em uma das capitais.

Caso as pesquisas se confirmem, a esquerda vai perder espaço nas capitais em comparação às últimas eleições.

No pleito municipal de 2020, partidos de esquerda chegaram ao segundo turno em 11 capitais. Ao fim da eleição, ganharam em Fortaleza (PDT), Recife (PSB), Maceió (PSB), Aracaju (PDT) e Belém (PSOL). Disputaram o segundo turno e perderam em seis: São Paulo (PSOL), Vitória (PT), Natal, (PT), Salvador (PT), Rio Branco (PSB) e Porto Alegre (PCdoB).

Já nas eleições de 2016, a esquerda venceu em duas capitais já no primeiro turno e foi para o segundo turno em outras dez. No primeiro turno, levou em Rio Branco (PT) e Palmas (PSB). No segundo, venceu em São Luís (PDT), Fortaleza (PDT), Natal (PDT), Recife (PSB), Aracajú (PCdoB) e Macapá (Rede). E perdeu em segundo turno em Goiânia (PSB), Belém (PSOL), Rio de Janeiro (PSOL) e São Paulo (PT).

Direita avança e esquerda não reage
O desempenho da esquerda reflete "um avanço do conservadorismo" no Brasil. "Bolsonaro perde por pouco em 2022, mas tem uma vitória avassaladora do Congresso, o mais conservador da história. Isso se deve a essa onda conservadora na sociedade", afirma Cláudio Couto, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo.

A presença maior da direita no plano local é natural, diz Couto. "Ela tem mais partidos e está mais espalhada pelo país. Depois da crise de 2015, a esquerda não se recuperou localmente e esse espaço foi ocupado pela direita."

Esse avanço da direita se traduziu em mais dinheiro para eleições municipais por meio do Fundo Eleitoral. "Se somar todos os partidos da direita, eles têm a maior parte dos recursos eleitorais", diz Couto. O "fundão", como é conhecido, é uma verba pública dividida entre os partidos com representação no Congresso para financiar as campanhas eleitorais. Quanto maior a bancada de uma sigla, mais dinheiro ela recebe. Este ano, o valor é recorde: R$ 4,9 bilhões.

Com informações de UOL