Entregador usa conta de bike para fazer delivery de moto sem CNH

02 de Agosto 2025 - 10h49
Créditos: William Cardoso/Metrópoles

Durante semanas de apuração em São Paulo, a reportagem do Metrópoles encontrou entregadores que usam contas de terceiros para trabalhar pelo iFood, expondo a precariedade do sistema. Um dos casos mais emblemáticos é o de José (nome fictício), que utiliza a conta do irmão — cadastrada como ciclista — para fazer entregas de moto, mesmo sem possuir habilitação.

José foi banido do iFood há seis anos por infração considerada grave pela plataforma. Desde então, pede uma segunda chance, sem sucesso. “Hoje sobrevivo com a conta dos outros, porque não posso ter a minha”, diz.

Segundo entregadores ouvidos, a “segunda chance” é um processo para tentar reativar contas suspensas por motivos como uso de documentos falsos, adulteração de GPS, agressões, não conclusão de entregas ou até comer o pedido do cliente.

Sem emprego formal, com antecedentes criminais e pai de três meninas, José diz que precisa da flexibilidade para buscar as filhas nas creches. Ele relata ganhar entre R$ 120 e R$ 150 por dia. Para driblar o reconhecimento facial exigido pelo aplicativo, vai até o irmão sempre que o sistema solicita a verificação. Também afirma que já tentou fazer entregas de bicicleta, mas chegava a pedalar 100 km por dia e terminava exausto.

O iFood informou que não incentiva comportamentos de risco e que suas metas respeitam limites de velocidade e trânsito. Diz ainda que campanhas de incentivo são opcionais e visam ampliar a previsibilidade de ganhos, e que oferece suporte por meio de pontos de apoio próprios e parcerias.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa as plataformas, afirma que cada empresa adota suas diretrizes e não estimula jornadas longas ou velocidade excessiva.